segunda-feira, 14 de março de 2016

Não me representam.


Meu filho Renato, quando era mais novo, teve algumas babás. Umas de pele branca, outras de pele negra. Não era esse o critério para contratação (uma delas - branca - me pediu uniforme, porque não queria gastar suas roupas no trabalho. E eu comprei, na cor azul claro). 
Hoje, infelizmente, não posso mais ter uma empregada doméstica. A expansão dos direitos da categoria não me permite. Como mãe que trabalha fora, acho uma merda. Do ponto de vista social resumo em uma palavra: 'demorou'. Tem que ter, sim, todos os direitos. Como eu, profissional liberal, tenho. E, como profissional liberal que sou, eventualmente preciso trabalhar aos sábados e/ou domingos. Faz parte da minha profissão e eu sabia disso. 
Logo, aquela foto da manifestação que mostra um casal e a babá fardada com os filhos, não me chocou. Acho que se a funcionária não quisesse/precisasse trabalhar ali, certamente não faria. O que me choca profundamente é ler uma faixa se referindo à presidente como 'quenga'. Não por ela ser presidente, mas por ser uma agressão gratuita e desnecessária. Era esse o objetivo da manifestação? Salvo engano, era contra a corrupção. Portanto, ser quenga ou não pouco importa. É feio e infantil. Parece briga de quem não tem argumento: "Ah, você é uma quenga". "Você é mais". E nem era no 'calor da discussão'. A pessoa mandou pintar uma faixa, fala sério! 
E quanto ao casal que teve sua imagem amplamente divulgada nas redes sociais? Meu Deus, mais uma vez o tribunal das redes sociais e seus julgamentos. É por coisas assim que os movimentos não engatam no Brasil. Não tem foco. Comparar uma empregada doméstica a uma escrava porque ela estava trabalhando num domingo - remunerada, diga-se de passagem -? Xingar uma pessoa de quenga e pedir que ela seja afastada de suas funções? Empunhar uma placa de "volta ditadura militar" ao som de 'o bêbado e o equilibrista'? É tanta incoerência que eu não sei mais nem qual é o objetivo de tudo isso. Não entendo mais nada deste Brasil. Conclusão: nem os contra nem os a favor me representam.