domingo, 9 de agosto de 2015

As culpas nossas de cada dia

Chorei muito hoje. Dia dos Pais. Preparei uma feijoada para o meu pai, 'seu' Bira, diácono da Igreja das Graças. Mas o choro não foi pelas cebolas que cortei, antes fosse.
No quarto, Renato assistia 'Dora aventureira', mas ele deveria estar na igreja. Ele não foi justamente porque hoje era dia dos pais e meu pai, que é oficial na igreja, estava trabalhando e não poderia ficar com ele na sala da escola dominical, na qual haveria uma homenagem aos papais. 
E esse era o motivo das minhas lágrimas. O fato do meu filho não ter o pai para estar com ele naquele momento. Não o meu pai. O pai dele. Biológico, quero dizer. Por isso não o mandei à igreja. Ele também não foi à escola na sexta, pelo mesmo motivo.  
Meu racional sabe que não tenho responsabilidade pelo comportamento omisso de ninguém. Mas o meu emocional me culpa por não ter sido capaz de dar um pai ao meu filho. Não um fornecedor de esperma. Não uma pessoa que paga pensão. Não um nome na certidão de nascimento. Um pai. Isso ele não tem e nunca teve. O meu pai, 'seu' Bira, é a figura masculina que ele precisa para se espelhar. E sou muito grata por isso, por ter meu pai que se dispõe a fazer o mesmo papel para o meu filho. Mas hoje doeu. Hoje a culpa veio com força, pesada, massacrante. E o pior dedo que pode ser apontado pra gente vem da nossa própria mão. 
De acordo com a wikipedia, "sentimento de culpa é o sofrimento obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo. A base deste sentimento, do ponto de vista psicanalítico, é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo superego daquilo que achamos que deveríamos ter sido. Há também outra definição para "sentimento de culpa", quando se viola a consciência moral pessoal (ou seja, quando pecamos e erramos), surge o sentimento de culpa".
Parece ruim, né? E é ruim. Na verdade, é mais que ruim. É péssimo.
Mas se a gente tivesse bola de cristal talvez conseguisse ver o caráter das pessoas com as quais nos envolvemos. Ou se estivesse tatuado na testa de todo mundo os seus defeitos e qualidades. Assim, talvez, a gente diminuísse a margem de erro e escapasse das ciladas e desse sentimento bosta que é a culpa. Principalmente a culpa que não nos cabe. A gente sabe disso, mas sente A culpa. Ô, bosta!!! 
Quando temos um bom coração, bons sentimentos para dar,  esperamos o mesmo de volta. Quem é assim não consegue enxergar vilania, por não ser vil. Espelho. Você vê no outro o que carrega dentro de si mesmo. E se já não dá para adivinhar o que passa na mente alheia, sem conseguir sequer identificar os sinais do mau caratismo, então... Fudeu!!!
Mas como tudo na vida tem um lado bom, afirmo que o lado bom dessa história não é bom. É ótimo. Renato, meu filho pentelho e barulhento. Ele é o melhor filho que eu poderia ter. Amável e cuidadoso. Genioso e estabanado. Um doce de menino. Meu amor, minha vida. 
Mas os caminhos de Deus são perfeitos e foi graças ao fato de ter que ser,  além de mãe, pai, que me tornei uma pessoa mais responsável. Mais disciplinada. Menos egoísta. Passei a ser provedora, papel que, teoricamente, é do homem. Amadureci.  
E dia a dia aprendo a trabalhar as culpas. As que me pertencem, resolvo. As que não me pertencem, devolvo ao universo. E que elas fiquem por lá. 

Um comentário:

  1. Bom dia!

    Achei lindo o que vc escreveu, lindo e profundo!

    Encontrei seu blog por acaso mais gostei muito, aproveitei e li alguns textos, vi fotos do Renato(lindo).

    Ler seus é como ter a impressão de estar lhe ouvindo falar, é como se a sua alma estivesse ali, impressa em cada palavra.

    Muito obrigada por essa emoção!

    Grande beijo, Cláudia.

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