quinta-feira, 2 de julho de 2015

Indiferença

Nem alegria,  nem tristeza. Nem raiva, nem felicidade. O que almejo hoje é nada sentir. É uma injeção anestésica que  congele meus pensamentos,  que me leve para uma dimensão de torpor emocional. Como encostar num cais qualquer e pegar um barco rumo à indiferença. Seguindo pelo curso das águas e jogando nelas os sentimentos para que se afoguem. 

Os sentimentos, sim. O que foi vivido, não. 
Não. Não quero esquecer o que foi bom. Só quero que esse bom não vire saudade. E vontade. E tristeza. E raiva. E rancor. E mais nada. Quero que as coisas que passaram sejam apenas peças que formam o quebra-cabeça da minha vida. E só. 
Tem dias que as lembranças são opressivas. Dificultam a respiração. E a memória vem acompanhada de cheiro e sabor. Inevitavelmente as lágrimas desaguam feito cachoeiras. 
Não se mata a lembrança de uma história.  A sua história vai ser sempre sua, não dá pra fugir disso. Boa ou má, está ali, impressa como uma tatuagem na alma. 
Então, se é assim, que fique o bom. Mas que seja isento de sentimentos. Que seja apenas  uma lembrança, sem nada agregado. Apenas algo que fez parte do meu passado e que me ajudou a chegar onde estou. Ou onde vou. Ou onde quero chegar: no território confortável da indiferença.   

Mestre Cartola me traduz bem neste momento, com a bela 'Preciso me encontrar': 
"Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar rir pra não chorar.

Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar. 
Eu quero nascer, quero viver!
Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar rir pra não chorar.
Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar depois que me encontrar..."

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