terça-feira, 21 de julho de 2015

Equilíbrio


Viver é como andar numa montanha russa. Sobe e desce, várias emoções misturadas.  Viver bem é encontrar o equilíbrio entre todas as emoções que sentimos, sem deixar que nenhuma delas domine. O meio termo é a chave.
Mas é claro que essa é a fórmula do sucesso, e claro também que nem sempre dá pra seguir. Nem sempre conseguimos controlar o que sentimos, e usar a razão para dominar a emoção pode ser necessário, mas não é uma tarefa simples. Feito dar uma topada e chamar um sonoro palavrão. No meu caso, incontrolável, automático mesmo. Sei que devo, mas não consigo controlar.
Se eu não consigo controlar um palavrão,  imagina as emoções?  É tão fácil dizer "esqueça", "siga em frente", "controle-se", "vai passar". Não se esquece uma emoção sentida. Nunca. Seja ela boa ou ruim. Ela fica sempre lá,  guardada na sua pasta de memórias, esperando uma oportunidade para ser lembrada. E, de repente, uma música,  um aroma, qualquer coisa faz com que ela - a emoção - venha à tona de novo. Hoje,  por exemplo, abri uma pasta que estava jogada na mala do meu carro. Dentro dela, vários papéis e, no meio deles,  um coração de barro, feito a quatro mãos numa tarde agradável no Alto do Moura, em Caruaru. A lembrança veio e, com ela,  as emoções: a felicidade de recordar o momento alegre vivido,  a tristeza de não ter mais a possibilidade de viver momentos assim com essa pessoa, a raiva pela forma como o fim se deu, a vergonha de ter sido tão enganada. Essas foram algumas das coisas que senti. 
É aí que entra a sabedoria. O que fazer com as emoções? Equilibrar todas elas. Como?  Primeiro,  entenda o que está sentindo - dê nome a tudo. Depois, sinta cada uma das emoções.  E, finalmente, deixe ir.
Aprendi com pr. Tercio que temos que dar nome ao que estamos sentindo, só assim conseguimos entender e encarar. Aprendi com João Valle, no CEBB, que devemos sentir o pensamento  e deixar ele ir. Aprendi com Scheila, minha terapeuta, que tenho que deixar as emoções fluirem. Junto tudo que aprendo e crio minhas próprias fórmulas. E estou aprendendo, e aprendendo, e aprendendo. Todo dia.
E uma coisa que já aprendi é que tudo nessa vida tem um tempo e que é preciso respeitá-lo.  Com o tempo as coisas vão se acomodando. Não são esquecidas, mas entram numa zona de conforto, onde a lembrança não provoca mais nenhuma emoção capaz de te tirar do eixo. Você entende, sente e deixa ir.
E a regra é a mesma da tempestade. Quando o intervalo entre os trovões fica mais espaçado, é sinal de que a tormenta está indo embora.
E quando a tormenta se vai, resta a calmaria. O equilíbrio. A paz interior. A sabedoria de aprender a dominar as reações às próprias emoções.
Não chorei ao ver o coração de barro. Também não joguei ele fora. Apenas fechei a pasta e deixei lá onde ele estava. Fiz o que achei que devia na hora, respeitando minhas emoções. E isso me deixou confortável.  Sinal de que não estou apenas no caminho. Estou no caminho certo. E que assim seja.

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