domingo, 31 de maio de 2015

História de criança


Renato é  um menino bonito e forte, muito grande para os seus cinco anos de vida.
Seu cabelo castanho e seus dentinhos da frente bem separados, parecia até que já estava de janelinha.
Renato brincava com seus brinquedos, construía castelos e robôs com dezenas de pecinhas coloridas.
Mas quando Renato ia correr, suas pernas não entendiam bem o que ele queria fazer,  e ele sempre caía. 
Na escola Renato brincava com os coleguinhas na sala de aula, mas na hora do parque, quando Renato ia correr, as pernas se embaralhavam e lá ia Renato pra o chão. 
Alguns coleguinhas riam de Renato, que chorava de dor e de tristeza porque não conseguia brincar como todos os outros. E tinha Pedro,  que sempre ria mais que todos.
Até que um dia a mãe de Renato resolveu levá -lo ao médico, que o examinou muito e botou o menino forte e bonito pra correr para lá e para cá. 
Renato corria, e caía. E levantava, e caía. E Renato chorava, porque não conseguia correr como os amiguinhos da escola.
Aí o médico disse que Renato ia usar botinhas mágicas e que toda vez que ele as calçasse as pernas iam responder melhor ao que Renato queria fazer.  Se Renato quisesse correr, com a botinha ele ia correr. 
E Renato saiu do médico já com as botinhas mágicas  nos pés.  E corria, e pulava,  e falava para a mãe que, entre lágrimas e sorrisos,  assistia àquela cena, "veja mamãe,  agora eu já não caio mais".
E Renato foi para escola, com suas botinhas mágicas nos pés,  e mostrou aos coleguinhas que agora podia correr. 
O garoto da escola - Pedro - começou a rir de Renato, dizendo que aquele sapato era muito esquisito. "Não é sapato, é uma botinha mágica", disse Renato. 
Mesmo assim, Pedro continou a rir dele. Renato começou a chorar, triste,  e isso fazia Pedro rir ainda mais, correndo em círculos ao redor de Renato. Até que Pedro tropeçou e se esborrachou no chão. Foi uma queda feia, e ele logo começou a chorar. Renato então enxugou as suas lágrimas e foi até Pedro, que olhou para ele esperando uma sonora gargalhada. Renato, no entanto, estendeu a mão para o garoto e o ajudou a levantar. E ainda disse a ele "não fique triste,  a dor da queda vai passar logo". Pedro,  já de pé,  perguntou a Renato por que ele não sorriu. "Porque a dor da queda passa. Mas o som das risadas fica dentro da cabeça da gente o tempo todo", respondeu. 
Naquele dia Pedro prometeu que nunca mais iria rir de Renato. E hoje eles correm juntos pelo pátio da escola, e quando um ou outro cai sempre tem uma mão estendida para ajudar.

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