sábado, 26 de dezembro de 2015

Para cada insatisfação, uma iniciativa

Hoje fui para a cozinha preparar uma sopa de legumes. Lavei, descasquei, botei na panela e coloquei no fogão e continuei organizando as demais coisas. Quando fui mexer na panela, percebi que a água sequer tinha esquentado ainda. Fiquei p. da vida, reclamando para mim mesma que o fogão devia estar ruim, a boca devia estar entupida, bla bla bla. Só depois  de desprender muita energia reclamando de tudo, percebi que não tinha ligado o fogo. De fato, fica difícil cozinhar com o fogo apagado.
E isso me fez refletir sobre outras coisas na vida, sobre as quais reclamamos mas não fazemos nada para que elas mudem. Para cada uma das insatisfações, uma certeza: se não fizermos nada, nada mudará.
Não adianta reclamar do peso adquirido e não fechar a boca. Não adianta reclamar do relacionamento ruim e continuar aceitando. Não adianta reclamar do emprego e se acomodar.  A chave de tudo, assim como no caso da panela, é fazer algo para mudar. Não adianta querer sopa sem acender o fogo para cozinhar.
Que isso sirva como lição para mim e que compartilho com vocês: para cada insatisfação, uma iniciativa de mudança.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Nada Para Vestir

Trabalhar com moda te dá nova perspectiva sobre o 'vestir'. Certo dia mandei uma foto via WA  para o meu chefe nº 3, o consultor de moda e estilo Arlindo Grund, pedindo uma opinião sobre uma pochete que estava querendo comprar para usar num evento no qual irei trabalhar. A resposta foi: “Kiki, assim que você chegar em casa dê essa camiseta a alguém. A pochete está ótima, mas essa camisa, com essas listras horizontais, não te ajudaram em nada”. Na hora eu morri de rir com o jeito dele falar.
Mas depois, lendo o livro dele, o “Nada Para Vestir”, vi as dicas para pessoas de ombros largos, que devem usar decote frente única, peça que eu jamais pensaria em provar, justamente por achar que não ficaria bem. Pois é. Achei errado. Né que eu vesti um vestido frente única e ele caiu como uma luva? Me deixou mais estreita na parte superior? A silhueta ficou, de fato, equilibrada. E não é só isso. O tipo da calça que uma pessoa de quadril estreito e pernas grossas – como eu – deve usar? “Corte reto”, disse Arlindo. Voilà! Ficou muito bom. Elegante e deu simetria ao meu corpo.
A melhor dica de Arlindo? “Conheça seu corpo”. Há peças que realmente foram pensadas e criadas para valorizar uma determinada silhueta. É possível, sim, manter-se fiel ao próprio estilo, mas usando roupas que ajudam a melhorar visualmente o contorno e esconder aquele pneuzinho.

Recomendo o livro e recomendo o espelho. Olhe para ele como um amigo, aquele amigo que te fala a verdade sempre. É muito bacana usar o guarda roupa em nosso favor. 

De bucho a Bündchen, o começo de tudo

Ok. Eu engordei. Relaxei na alimentação, nas atividades físicas e engordei. Desde o fim do meu relacionamento, no último mês de março, que dediquei várias horas do meu dia aos prazeres do paladar: comida e bebida. A combinação, aliada à preguiça e ao desânimo, me rendeu um total de 10kg a mais. O fato é que entrei num processo depressivo, não por conta do fim do relacionamento, mas pela forma como aconteceu - recheado de mentiras e traições. Fiquei - literalmente - na merda. E estava bebendo todo dia. E o pior de tudo que veio com tudo isso: bucho. Barriga. Pança. Algo que eu não tinha desde a maravilhosa intervenção de dr. Sergio Pita na minha vida. Roupas apertadas. Nada de manequim 40. 
Ah, claro. Uma gastrite também veio. Foi quando vi que eu tinha que me cuidar de novo. Porque afinal, eu não posso, não devo e não vou me penalizar porque uma relação não deu certo. Não foi a primeira, nem será a última. E bebendo, engordando e vomitando sangue definitivamente não é dizer que saí disso mais fortalecida, não é verdade?
Bom, então primeiro tratei de cuidar da gastrite. Depois, dieta. A pior parte foi dar o start que dei hoje: exercícios físicos. Na semana passada encontrei no RioMar com Alessandra Barbarini, a minha queridíssima Barbarela. Ela está seguindo os passos do marido, o vitorioso Marcus Andrey e a sua #DietadaRedeSocial. Ela me disse: "Kiki, tem que começar. Vá no seu ritmo, caminhando, mas tem que começar". Com essa inspiração, marquei para esta segunda - dia oficial de começar coisas - a minha primeira caminhada. E assim foi. 
Coloquei o despertador para 5h45. Preparei uma seleção musical de 1h05. Separei o legging, a camisa, o tênis. Tomei um comprimido termogênico (depois dos 40 o metabolismo fica na velocidade tartaruga) e passei o creme 'termogênico de uso tópico'. Às 6h cheguei ao parque 13 de Maio e embalada por Nação Zumbi, CBJR e Cidade Negra, caminhei por uma hora. Dei apenas cinco voltas. Cinco quilômetros. Não foi uma boa média, mas fiquei feliz por ter conseguido a meta de uma hora de passo firme. Em casa, quando sentei, senti o que o sedentarismo faz com o corpo. As pernas tremiam alucinadamente. Mas eu sei que é só no começo. Logo logo volto ao meu ritmo: piscina, caminhada e minha nova paixão, o pilates. 
A dieta não tem muito mistério... frutas, verduras, legumes... a diferença desta edição é que tirei o glúten. Nada de pão, macarrão, blá blá blá. Esse tal desse glúten estava me provocando uma terrível sensação de 'estufamento'. Não, isso não é de Deus... 
Estou pesando 85kg. Quero voltar aos meus 75kg, feliz e contente, com minha definição muscular e cheia de energia. Então, para isso, amanhã tem mais. (anotação mental para amanhã: alongar as pernas. Estou toda dolorida, affe...)
Vou tentar fazer um diário, mas toda segunda repassarei o peso (a perda dele, assim espero). Minha hashtag: #deBuchoaBündchen.

Segunda. 19/10: 85kg.
Meta: 75 kg




domingo, 9 de agosto de 2015

As culpas nossas de cada dia

Chorei muito hoje. Dia dos Pais. Preparei uma feijoada para o meu pai, 'seu' Bira, diácono da Igreja das Graças. Mas o choro não foi pelas cebolas que cortei, antes fosse.
No quarto, Renato assistia 'Dora aventureira', mas ele deveria estar na igreja. Ele não foi justamente porque hoje era dia dos pais e meu pai, que é oficial na igreja, estava trabalhando e não poderia ficar com ele na sala da escola dominical, na qual haveria uma homenagem aos papais. 
E esse era o motivo das minhas lágrimas. O fato do meu filho não ter o pai para estar com ele naquele momento. Não o meu pai. O pai dele. Biológico, quero dizer. Por isso não o mandei à igreja. Ele também não foi à escola na sexta, pelo mesmo motivo.  
Meu racional sabe que não tenho responsabilidade pelo comportamento omisso de ninguém. Mas o meu emocional me culpa por não ter sido capaz de dar um pai ao meu filho. Não um fornecedor de esperma. Não uma pessoa que paga pensão. Não um nome na certidão de nascimento. Um pai. Isso ele não tem e nunca teve. O meu pai, 'seu' Bira, é a figura masculina que ele precisa para se espelhar. E sou muito grata por isso, por ter meu pai que se dispõe a fazer o mesmo papel para o meu filho. Mas hoje doeu. Hoje a culpa veio com força, pesada, massacrante. E o pior dedo que pode ser apontado pra gente vem da nossa própria mão. 
De acordo com a wikipedia, "sentimento de culpa é o sofrimento obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo. A base deste sentimento, do ponto de vista psicanalítico, é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo superego daquilo que achamos que deveríamos ter sido. Há também outra definição para "sentimento de culpa", quando se viola a consciência moral pessoal (ou seja, quando pecamos e erramos), surge o sentimento de culpa".
Parece ruim, né? E é ruim. Na verdade, é mais que ruim. É péssimo.
Mas se a gente tivesse bola de cristal talvez conseguisse ver o caráter das pessoas com as quais nos envolvemos. Ou se estivesse tatuado na testa de todo mundo os seus defeitos e qualidades. Assim, talvez, a gente diminuísse a margem de erro e escapasse das ciladas e desse sentimento bosta que é a culpa. Principalmente a culpa que não nos cabe. A gente sabe disso, mas sente A culpa. Ô, bosta!!! 
Quando temos um bom coração, bons sentimentos para dar,  esperamos o mesmo de volta. Quem é assim não consegue enxergar vilania, por não ser vil. Espelho. Você vê no outro o que carrega dentro de si mesmo. E se já não dá para adivinhar o que passa na mente alheia, sem conseguir sequer identificar os sinais do mau caratismo, então... Fudeu!!!
Mas como tudo na vida tem um lado bom, afirmo que o lado bom dessa história não é bom. É ótimo. Renato, meu filho pentelho e barulhento. Ele é o melhor filho que eu poderia ter. Amável e cuidadoso. Genioso e estabanado. Um doce de menino. Meu amor, minha vida. 
Mas os caminhos de Deus são perfeitos e foi graças ao fato de ter que ser,  além de mãe, pai, que me tornei uma pessoa mais responsável. Mais disciplinada. Menos egoísta. Passei a ser provedora, papel que, teoricamente, é do homem. Amadureci.  
E dia a dia aprendo a trabalhar as culpas. As que me pertencem, resolvo. As que não me pertencem, devolvo ao universo. E que elas fiquem por lá. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Dicas da Kiki :: Salamaleque



Se você, assim como eu, curte os sabores da culinária árabe, mega-recomendo os quitutes da minha amiga Daniela Nader (IG  @daninader). 
Ela produz hummus e babaganush de primeira qualidade, e ainda entrega em casa, toda quinta-feira. O hummus (pasta de grão de bico), meu predileto, fica delícia com pão sírio. Para acompanhar, cerveja gelada. Salivei, digo logo!
Precinho camarada dos potinhos de 200g: um por R$18 e dois por R$33. Encomendas pelo whatsapp da garota: (81) 991848664.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ciclos

Tem uma música do Nação Zumbi, chamada 'a melhor hora da praia', que diz assim: "roda gigante eterna, começo sem fim". É uma das mais poéticas metáforas que já ouvi para ilustrar algo que não acaba nunca. No caso da música, Du Peixe fala da Ciranda, que roda, roda, roda na beira da praia, no final da tarde. Mas pra mim fala sobre ciclos não fechados. Sobre aquela coisa que fica girando,  girando e não sai do lugar. 
Na vida é muito importante entender que as coisas terminam. E, quando isso acontece,  é preciso deixar que elas partam.  Assim, a 'coisa' completa o seu ciclo de início,  meio e fim. Como diz Sidarta Gautama, tudo na vida é impermanente. E, sendo assim, impermanente,  acaba. Parece simples. E... é. É simples,  de fato. Mas pensar e viver assim é uma questão de exercício diário, prática mesmo. Deixar ir quando está na hora de ir. Como diz a Bíblia,  há tempo para tudo, inclusive tempo de começar e terminar. 
E uma coisa é certa: quanto mais demoramos para encerrar as etapas, mais sofremos. Vide Drummond: "as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão"
Findas. Encerradas. Terminadas. E lindas. Deixe ir e guarde o que foi bom.
Saiu do emprego? Terminou o relacionamento? Feche as portas. É preciso. Afinal, como ela poderá ser aberta de novo para uma nova oportunidade  (ou até uma velha oportunidade repaginada) se não foi fechada direito? A vida seria, assim, um corredor repleto de portas entreabertas, com todos os fantasmas das histórias mal resolvidas vez por outra saindo por elas. Seria uma 'roda gigante eterna', um 'começo sem fim'
Sempre achei um saco roda gigante. Eu gosto mesmo é de montanha-russa. Cheia de emoção. Sobe e desce.  E para. Se você gostar, vai pra fila e começa de tuuuudo de novo. Recomeço. Com início, meio e fim. e Recomeço.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Equilíbrio


Viver é como andar numa montanha russa. Sobe e desce, várias emoções misturadas.  Viver bem é encontrar o equilíbrio entre todas as emoções que sentimos, sem deixar que nenhuma delas domine. O meio termo é a chave.
Mas é claro que essa é a fórmula do sucesso, e claro também que nem sempre dá pra seguir. Nem sempre conseguimos controlar o que sentimos, e usar a razão para dominar a emoção pode ser necessário, mas não é uma tarefa simples. Feito dar uma topada e chamar um sonoro palavrão. No meu caso, incontrolável, automático mesmo. Sei que devo, mas não consigo controlar.
Se eu não consigo controlar um palavrão,  imagina as emoções?  É tão fácil dizer "esqueça", "siga em frente", "controle-se", "vai passar". Não se esquece uma emoção sentida. Nunca. Seja ela boa ou ruim. Ela fica sempre lá,  guardada na sua pasta de memórias, esperando uma oportunidade para ser lembrada. E, de repente, uma música,  um aroma, qualquer coisa faz com que ela - a emoção - venha à tona de novo. Hoje,  por exemplo, abri uma pasta que estava jogada na mala do meu carro. Dentro dela, vários papéis e, no meio deles,  um coração de barro, feito a quatro mãos numa tarde agradável no Alto do Moura, em Caruaru. A lembrança veio e, com ela,  as emoções: a felicidade de recordar o momento alegre vivido,  a tristeza de não ter mais a possibilidade de viver momentos assim com essa pessoa, a raiva pela forma como o fim se deu, a vergonha de ter sido tão enganada. Essas foram algumas das coisas que senti. 
É aí que entra a sabedoria. O que fazer com as emoções? Equilibrar todas elas. Como?  Primeiro,  entenda o que está sentindo - dê nome a tudo. Depois, sinta cada uma das emoções.  E, finalmente, deixe ir.
Aprendi com pr. Tercio que temos que dar nome ao que estamos sentindo, só assim conseguimos entender e encarar. Aprendi com João Valle, no CEBB, que devemos sentir o pensamento  e deixar ele ir. Aprendi com Scheila, minha terapeuta, que tenho que deixar as emoções fluirem. Junto tudo que aprendo e crio minhas próprias fórmulas. E estou aprendendo, e aprendendo, e aprendendo. Todo dia.
E uma coisa que já aprendi é que tudo nessa vida tem um tempo e que é preciso respeitá-lo.  Com o tempo as coisas vão se acomodando. Não são esquecidas, mas entram numa zona de conforto, onde a lembrança não provoca mais nenhuma emoção capaz de te tirar do eixo. Você entende, sente e deixa ir.
E a regra é a mesma da tempestade. Quando o intervalo entre os trovões fica mais espaçado, é sinal de que a tormenta está indo embora.
E quando a tormenta se vai, resta a calmaria. O equilíbrio. A paz interior. A sabedoria de aprender a dominar as reações às próprias emoções.
Não chorei ao ver o coração de barro. Também não joguei ele fora. Apenas fechei a pasta e deixei lá onde ele estava. Fiz o que achei que devia na hora, respeitando minhas emoções. E isso me deixou confortável.  Sinal de que não estou apenas no caminho. Estou no caminho certo. E que assim seja.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Lost

Perdi a noção das horas 
Perdi a noção do espaço 
Perdi o rumo de casa 
Perdi o ritmo e o compasso 

Perdi o brilho dos olhos 
Perdi o vermelho da boca 
Perdi o branco do riso 
Perdi a voz, fiquei rouca

Perdi o ar que respiro 
Perdi a luz que me guia 
Perdi o som dos ouvidos 
Perdi o calor do meu dia

Perdi o frescor da minha pele 
Perdi os meus pés por aí 
Perdi o controle do choro 
Deixei o meu sangue esvair 

Perdi o chão que eu piso 
Perdi o prazer de viver 
Perdi o meu eu no infinito 
Desde que perdi você.

(KM, julho/2006)

sábado, 18 de julho de 2015

De volta à luz


Fundo do poço.  Essa expressão é muito, muito interessante. Ela é a metáfora do "estou muito mal", "estou na merda" e afins. Estar no fundo do poço eu entendia como ter chegado tão fundo, mas tão fundo, que não há como ficar pior.
Mas há.
Há porque hoje eu sei que essa expressão "no fundo do poço" remete ao fato de você,  ao estar lá,  olha para todos os lados e não vê saída. Tudo é parede. Não há escapatória.
Sabe como foi que eu tive este entendimento?  Chegando lá,  no tal fundo do poço. Lá, eu olhava ao redor e só via escuridão.  Isso aconteceu por conta de um relacionamento findo (e agora finado, por quê não dizer), totalmente permeado por mentiras e traição, o que me provocou uma dor profunda por ter sido tão enganada. Descobrir isso me levou ao fundo do poço. E eu lutei para sair. Tentava escalar as paredes lisas do poço em que me encontrava e, simplesmente, não conseguia sair dele. Usei para as minhas escaladas várias formas de terapia: sistêmica,  religiosa,  meditação budista e análise freudiana. Cada uma me ajudou um pouco. Mesmo assim eu não conseguia escalar o poço. Parti para a química, numa tentativa de aliviar meus pensamentos e relaxar o meu corpo. 


Nada. Meus amigos e minha família tentavam me puxar,  mas eu não conseguia sair daquele estado em que eu me encontrava. E as vozes iam ficando cada vez mais inaudíveis, e eu me encolhia mais e mais. Eu me perdi de mim mesma. Às vezes levantava (dias bons), mas logo depois abaixava de novo (dias ruins). Acho que cheguei a segurar a maçaneta da porta que me levaria à depressão. Mas não abri.
Foi pelas mãos do meu filho que consegui encontrar o caminho de volta.  Renato, meu anjo pequeno e barulhento, que está de férias e queria muito sair para passear. Ele, que de noite orava para Papai do Céu pedindo pra Ele levar minha tristeza embora, me pediu para passear. E eu reuni minhas forças e perguntei "para onde você quer ir, filhote?". "Quero ir à praia, mamãe". E fomos. Meio da tarde, quando todas as cores estão explodindo no céu. Me sentia fraca, meu corpo tremia. Mas quando cheguei na orla com Renato e desci do carro para tirá-lo da cadeirinha, senti aquela brisa do mar tocando meu rosto e eu olhei para o sol, que estava se preparando para ir embora, por trás dos prédios da av. Boa Viagem. Fechei os olhos e senti aquele vento passear pelo meu corpo. E lembrei das palavras  de João,  que me guiou nas horas de meditação: "o pensamento veio... sinta ele... e deixa ele ir... assim como o ar entra nos seus pulmões,  oxigena seu corpo inteiro, e sai...".
Renato me pegou pela mão e me guiou até a areia. Tirei a sandália e senti a terra nos meus pés. 

Caminhamos até a beira da água e deixamos as ondas acertarem nossas pernas. Olhei para baixo e vi as ondas indo e vindo, batendo nas minhas pernas... e lembrei de Vento no Litoral, daquele trecho em que Renato Russo diz "eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora". As lágrimas vieram. Renato segurou minha mão e disse "vai ficar tudo bem mamãe". E eu olhei para ele e para a luz do sol de novo, que iluminava meu filho em tons de laranja. E entendi, enfim, como é que se sai do fundo do poço. É olhando para cima. Para a luz. Para Deus. Para o que temos de bom e lindo nesta vida. Isso faz a gente ficar leve e flutuar para fora do poço.
Ficamos um bom tempo na praia. Renato brincando no parque do terceiro jardim e eu voltando a enxergar, maravilhada, todas as lindezas do mundo.
A começar por ele,  meu pequeno anjo. Meu presente de Deus, tão forte, que suportou tudo ao meu lado. Dormindo comigo, ao longo de três difíceis meses,  tocava meu rosto durante a noite. Se estivesse molhado, ele se aninhava à mim, num gesto de proteção e carinho. Seis anos. Essa é a idade dele. Me fez lembrar uma poesia que escrevi quando ele nasceu: "Renato, Renatus, renascido. Por meio de mim ele veio à vida, mas quem renasceu fui eu". Pura verdade. E, por ele, renasço dia a dia. Grande bênção de Deus para mim. Aleluia!!
No mais quero dizer que sempre existe a possibilidade de um dia melhor. E que não importa o tamanho da dor: uma hora ela fica suportável e depois vai virar lembrança. Ou seja: passa. "Tudo passa, tudo sempre passará", diz Lulu. E está certo.
Deus colocou muitos anjos no meu caminho nesse processo de reencontro comigo mesma e eu não posso deixar de registrar minha gratidão àqueles que - de alguma maneira - me ajudaram a olhar de novo para a luz. Às vezes, um simples "tá tudo bem com você" faz milagres na vida de uma pessoa e pode garantir um dia bom. A vocês,  meu obrigada mais sincero.
**RENATO**
*Flora*, Vilela, *Dianely*, Regina, Graciane, Natália, Claudinha, *Keila*, Vera, Nena, Simone, Thiago, Scharlene, Breno, Clarissa, Marcos Miguel, André, Hérica, Beta, Linda, Kikinho, Antônio, *Erik*.
Tia Naná, tia Vera, *Karla*, Karlinha,  Rebeca, Aninha, Dani, Alvinho, Roberto Junior.
*Mamãe*, papai, Anna Elizabeth.
*Junia*, Vando.
Scheila, Dr. Domingos, João Valle, pr. Tercio, Dom Ximenes.

E a todas as pessoas dos meus trabalhos, pela compreensão e paciência.
Muito obrigada. Já estou de volta à luz. Graças a Deus.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Que nela esteja a minha solução...


Sabe quando você precisa tomar uma série de atitudes e a única coisa que você consegue tomar,  na verdade, é  cerveja? Pois é.  Tô assim.
Cerveja tem o poder de me levar para aquele delicioso território do torpor. Aquela terra confortável onde os sorrisos são fáceis e a conversa é leve.
Mas se a solução para os problemas do mundo fosse a cerveja,  o planeta seria habitado por uma legião de alcoólatras e Luis Carlos, do Raça Negra, teria descoberto a fórmula da felicidade: "aí eu me afogo num copo de cerveja, que nela esteja a minha solução...". Maybe not.
A real é que se você tem que tomar uma decisão que vai levar a uma atitude, a melhor coisa a fazer é pensar com clareza sobre o que vai fazer. E decidir. E agir. Ponto. Cerveja é bom, mas não dá respostas.  Ao contrário: é uma péssima conselheira. Afinal, aquele agradável torpor ao qual me referi no início do post, pode se tornar o seu pior inimigo.
Mas enquanto não chega a hora das decisões, sigo tomando minha cerveja. Saúde!!!

Pensamento do Dia


domingo, 12 de julho de 2015

Engano

Livre-arbítrio. Possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante.
Ser enganado é uma grande merda. Ser enganado é quando você age de boa fé e a outra pessoa, não. É quando você dá verdade e a outra pessoa, não.  É quando você é sincero e a outra pessoa, não. E, assim, você aposta todas as suas fichas, crendo que não há má fé da outra parte.  Mas há.  E, um dia, você descobre que foi enganado, que vivia uma grande ilusão. E isso é muito, muito ruim. 
Quando uma pessoa engana,  subtrai do outro um dos mais elementares direitos: o de escolha. O tal do livre-arbítrio.  Aquilo que nos torna capazes de fazer uma opção entre seguir ou recuar. 
Exemplificando: quando, num relacionamento,  há um acordo de fidelidade, pressupõe-se que ela será bilateral. Quando um dos elementos do casal quebra esse acordo, é infiel, e esconde do outro, usurpa dele o direito de fazer a mesma coisa, ou de pular fora do barco. Pior ainda é quando além de quebrar o acordo,  age com ares de santidade, arrotando lealdade e peidando regras de conduta. Aí, fala sério... é foda, né não? 
Esse comportamento desleal quebra o princípio básico de manutenção de um relacionamento sadio, que é o princípio da reciprocidade. 
Reciprocidade é quando o que se dá é proporcional ao que se recebe. Simples assim. Dá amor, dá carinho, dá atenção, dá companheirismo. E recebe tuuuudo isso de volta. Mas não dá fidelidade. E cobra ela. Só peça de volta aquilo que você dá.  É simples de entender. Seja honesto para ter honestidade.  Seja honesto para dar ao outro o direito de escolher. Livre-arbítrio. É essa capacidade que nos difere de todos os outros animais.   
E ser enganado é algo difícil de engolir justamente porque nos tiram algo. No caso, esse algo é o nosso livre-arbítrio. Logo, a gente se sente lesado. Como ser roubado, saca? Levam uma coisa sua e você fica puto. Por que? Porque você foi lesado. 
E, no caso de ser enganado você se sente lesado e alesado. Alesado, que em bom pernambuquês, significa besta, bobo, e por aí vai. 
Lesado e alesado.  Ninguém merece.
Logo, concluo que o que fere não é a traição propriamente dita. É mesmo a negativa do direito do outro de fazer a mesma coisa. Como o tal do relacionamento aberto, vide Sartre e Simone de Beauvoir. Eu creio que não toparia. Mas se ambos topam, há um acordo, que assim seja, então.  
E eu creio que não toparia porque há certas coisas que não dá pra dividir. Calcinha, batom... namorado. Mas, claro, isso tem que ser acordado. Entre o casal. "Eu dou meus pulinhos fora, você também dá".  "Ah, não quero. Vou pular fora". 
Pronto, tudo certo. Cada um com as suas próprias escolhas, fazendo uso do seu livre-arbítrio, sem ser lesado nem alesado. Bom seria, né? 
Mas dá pra ser. A prática leva à perfeição. Vamos todos praticar a honestidade no dia a dia das nossa relações - todas elas -, para não enganar ninguém. Afinal, nunca é demais lembrar que o mundo é redondo e que, um dia, o que vai, volta. E isso não é palavra de Kiki, não. Tá na Bíblia: "Aquilo que o homem plantar, certamente colherá".

domingo, 5 de julho de 2015

Sobre isso e aquilo outro

Vou te falar sobre estrelas prateadas
Sobre céu, chuva e sol
Vou te falar sobre bocas desesperadas
Sobre cheiro e sabor


Vou te falar sobre o negror da noite
Sobre a luz e a escuridão
Vou te falar sobre corpos entrelaçados
Sobre gotas de suor


Vou te falar sobre a areia da praia
Sobre as ondas e a solidão
Vou te falar sobre olhos hipnotizados
Sobre toque e sensações


Vou te falar sobre o vôo das aves
Sobre liberdade e vazio
Vou te falar sobre corações interligados
Sobre amor e paixão


Vou te falar sobre o vento no rosto
Sobre canela, açúcar e café
Vou te falar sobre um e sobre o outro

Apenas eu e você.

Vou te falar sobre estrelas prateadas
Sobre céu, chuva e sol
Vou te falar sobre bocas desesperadas
Sobre cheiro e sabor


Vou te falar sobre o negror da noite
Sobre a luz e a escuridão
Vou te falar sobre corpos entrelaçados
Sobre gotas de suor


Vou te falar sobre a areia da praia
Sobre as ondas e a solidão
Vou te falar sobre olhos hipnotizados
Sobre toque e sensação


Vou te falar sobre o vôo das aves
Sobre liberdade e vazio
Vou te falar sobre corações interligados
Sobre amor e paixão


Vou te falar sobre o vento no rosto
Sobre canela, açúcar e café
Vou te falar sobre um e sobre o outro
Apenas eu e você.


(KM, julho/2006)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Indiferença

Nem alegria,  nem tristeza. Nem raiva, nem felicidade. O que almejo hoje é nada sentir. É uma injeção anestésica que  congele meus pensamentos,  que me leve para uma dimensão de torpor emocional. Como encostar num cais qualquer e pegar um barco rumo à indiferença. Seguindo pelo curso das águas e jogando nelas os sentimentos para que se afoguem. 

Os sentimentos, sim. O que foi vivido, não. 
Não. Não quero esquecer o que foi bom. Só quero que esse bom não vire saudade. E vontade. E tristeza. E raiva. E rancor. E mais nada. Quero que as coisas que passaram sejam apenas peças que formam o quebra-cabeça da minha vida. E só. 
Tem dias que as lembranças são opressivas. Dificultam a respiração. E a memória vem acompanhada de cheiro e sabor. Inevitavelmente as lágrimas desaguam feito cachoeiras. 
Não se mata a lembrança de uma história.  A sua história vai ser sempre sua, não dá pra fugir disso. Boa ou má, está ali, impressa como uma tatuagem na alma. 
Então, se é assim, que fique o bom. Mas que seja isento de sentimentos. Que seja apenas  uma lembrança, sem nada agregado. Apenas algo que fez parte do meu passado e que me ajudou a chegar onde estou. Ou onde vou. Ou onde quero chegar: no território confortável da indiferença.   

Mestre Cartola me traduz bem neste momento, com a bela 'Preciso me encontrar': 
"Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar rir pra não chorar.

Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar. 
Eu quero nascer, quero viver!
Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar rir pra não chorar.
Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar depois que me encontrar..."

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Vida que segue



Eu tenho algumas certezas na vida. Que o Náutico vai chegar à final do campeonato e vai morrer na praia. Que no dia que eu tirar a sombrinha da bolsa vai chover exatamente quando eu estiver no meio da rua. Que eu nunca consigo gastar apenas os 50 reais que me propus no RM Express.
Outra certeza absoluta que tenho é que a vida segue. Parece óbvio? Mas não é. 
Algumas vezes passamos por situações tão fodásticas que temos a impressão que a vida parou. Não há vontade de nada. Comer, dormir/acordar, trabalhar... nada. Mas a vida segue. E as atribuições também. E as atividades do cotidiano também. E o tempo não pára. Não dá pra tirar a pilha do relógio da vida.
Mas se nós vivemos nessa constante busca pela felicidade, há de se ponderar que cada minuto é precioso.  Afinal, por trás de cada um deles pode estar escondido um precioso momento feliz que, no fim das contas,  é o que compõe a felicidade: os momentos. E, se é assim, querer parar o tempo é uma grande bobagem.
O tempo passa, a gente querendo ou não. E se a gente não aproveita os momentos felizes, pode ter certeza: eles também vão passar e sequer vão virar lembranças, já que não foram vividos. Vão ser desejos não realizados, com aquele gosto amargo do 'eu devia ter feito'.
Ando com saudades de mim. Da minha imensa capacidade de aproveitar os momentos felizes. Da minha alegria, do meu bom humor, do meu otimismo,  da minha leveza. As porradas da vida real endurecem a gente. Tiram a poesia dos nossos olhos e a pureza do nosso coração. Mas não é isso que quero. Eu me recuso - inspirada em Che - a endurecer e perder a ternura. Isso, de fato, jamais. Não, não. Eu sou bem mais forte do que qualquer porrada. Minha inabalável fé em Deus me diz que logo, logo eu tô de 100% de novo. Como diria Chico, "pode se preparar porque eu tô voltando". Porque se não for assim,  meus amigos, o tempo passa e os momentos também. E a vida segue e a gente fica.  

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O perdão



Outro dia estava na minha sessão semanal de terapia com Pastor Tercio e falava com ele sobre a minha grande angústia por não estar conseguindo perdoar uma pessoa que me machucou muito, muito mesmo. Eu explicava para ele, aos prantos, que estava sentindo coisas que jamais havia sentido em toda a minha vida. "Pastor, parece que tem um elefante sentado no meu peito, me impedindo de respirar", falei. 
Ele só me olhava. O choro não acalmava, e ele continuava me olhando e me dando lencinhos de papel. E eu falava, falava, e questionava ele sobre os motivos que levam as pessoas a agirem com tanta sordidez,  desprezando o dano que podem provocar nos outros.  
"Filha... você está fazendo as perguntas erradas. Você não deve se importar com os motivos das pessoas, pois elas são o que são e dão o que tem pra dar. E você deve, em primeiro lugar, pensar em se perdoar. Porque ninguém te enganou. Foi você que se deixou enganar", disse ele. 
Parei de soluçar e encarei aqueles olhos azuis, que me fitavam cheios de ternura. Aquele foi um grande momento de revelação para mim. À medida que as palavras iam sendo digeridas e assimiladas,  o elefante foi se levantando do meu peito. O ar voltou a entrar, oxigenar, e sair...
Pronto. É isso. Entendi. Entendi e foi tão libertador que vou tentar explicar para vocês. Não devemos nos culpar pelo que sentimos, pelo que vivemos,  pelo que nos permitimos. Não devemos sentir culpa pelo que demos, mesmo que a recíproca não tenha sido à altura. O perdão mais importante é aquele que concedemos a nós mesmos. Por meio dele, nos libertamos das prisões da mágoa,  do rancor e do ressentimento. 
Tem uma música do Natiruts que fala assim: "leve com você só o que foi bom, ódio e rancor não dão em nada (...) mas não tem nada, não. Só guardo o que foi bom no meu coração,  o amor é como o sol: sabe como renascer". E sabe mesmo. O amor nos faz renascer. Não o amor de alguém ou por alguém.  Mas o amor por nós mesmos. E quem ama, perdoa. Eu me amo. Logo, me perdôo. E, por me perdoar, consigo perdoar as outras pessoas. Reação em cadeia do bem, faz bem pra alma, pro corpo e pra o coração.   
Exercitemos, pois, o perdão. O auto-perdão. 
Eu me perdôo por ter feito algumas escolhas erradas.
Eu me perdôo por ter batido o carro duas vezes na mesma garagem.
Eu me perdôo por ter me deixado engordar tanto e precisar reduzir o estômago para conseguir ver os meus pés. 
Eu me perdôo por não ter passado no concurso da Alepe. 
Eu me perdôo por ter medo de tomar decisões erradas com meu filho. 
Eu me perdôo, enfim. 
Errar é humano. Eu cometo erros, pois é exatamente isso que eu sou: humana. Nem Mulher Maravilha, máquina.  Gente, de carne e osso - mais carne do que osso, by the way
E eu me perdôo por isso também.
Culpe-se menos. Ame-se mais. Um dos segredos da felicidade.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Os sinais

Todo mundo já deve ter ouvido falar que quando a esmola é grande demais, o santo desconfia. Em geral, quando é assim, o IVDM, ou "índice de vai dar merda" é grande.

E é pra desconfiar mesmo. Carro muito barato? Fria. Repasse extraordinário de um apartamento? Investigue. E se você conhecer um cara perfeito, sensível,  companheiro, carinhoso,  dedicado e otras cositas más... Sinceramente? O potencial desse príncipe ser um sapo é gigantesco. IVDM imenso!!!
Sabe por que? Porque príncipe encantado simplesmente não existe. Quando Chico Buarque diz na sua Ciranda da Bailarina  "Procurando bem todo mundo tem pereba, marca de bexiga ou vacina. E tem piriri, tem lombriga, tem ameba... só a bailarina que não tem", acho que retrata bem isso de que não existe perfeição em ninguém. Porque, na boa? Até a bailarina peida!!
E a gente sabe disso. Num é não?
Pastor Tercio, meu terapeuta, tem me ensinado a reconhecer os sinais e dar ouvidos a eles. Sim, recebemos sinais!!  Alertas de que há algo errado naquela determinada circunstância , mas estamos tão envolvidos no fantástico-mundo-do-relacionamento-perfeito que não damos atenção a eles. 
Esse é o segundo grande erro (o primeiro é acreditar em príncipe encantado): acreditar que existe relacionamento perfeito. Não, não existe. Nem o relacionamento que mantemos conosco é perfeito. Erramos e tentamos mudar (até mesmo porque não dá pra terminar o relacionamento com a gente mesmo, né?). 
E seguimos na relação, achando que tá tudo lindo e perfeito, cheio de harmonia e reciprocidade, até que, de repente, tropeçamos em uma das pedras que começaram a desmoronar do castelo do príncipe. E a gente ainda insiste. Não vê que isso é um alerta! Insistimos até que nos caia uma pedra beeeeem maior na cabeça, que se desprendeu da torre mais alta do castelo. Aí o dano aumenta e a recuperação é mais dolorosa. Porque quando é  só uma topada, talvez dê pra remediar. Já quando é uma pedra que cai na cabeça... 
Mas cicatrizado o corte, parta para entender o "pra que". Se analise, se conheça.  Se respeite. Não faça escolhas baseadas na carência, no medo da solidão, ou na ideia equivocada de que a felicidade está em outra pessoa que não seja você mesmo. 
Enfim, não devemos ignorar os alertas. Eles são avisos que recebemos de Deus - ou, pra quem prefere, do universo - de que há algo errado. E, creia: se está tocando seu alarme interior - seja um estalinho ou uma sirene -, há algo errado. Não ignore os sinais. Respeite as suas sensações e impressões. O segredo é o autoconhecimento. Com o autoconhecimento vai dar pra sacar se aquele príncipe que você beija não vai se transformar num indigesto sapo cururu, com rima e tudo. E é essa a minha busca: me conhecer, cada vez mais. Experimente também.  É bacana e traz bons resultados.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sobre escolhas e tempo


Dizem que não se chega ao topo da escada se não subir o primeiro degrau. Dizem que decidir é meio caminho andado. Dizem que amar é uma questão de escolha. Rá!!! Tudo clichê. Mas... É verdade. Por mais que eu deteste frases feitas, sou obrigada a concordar com tudo isso aí.
Amor, por exemplo. Amor é algo cativado e cultivado. O amor é uma escolha. Você escolhe se deixar envolver, escolhe se entregar, escolhe amar alguém. Logo, 'desamar' deve ser igual. Eu escolho não amar mais. Escolho esquecer. Escolho não mais te escolher.
Aí me vem à mente os versos do grande Chico: "como, se nos amamos feito dois pagãos,  meus seios inda estão em tuas mãos, me explica com que cara eu vou sair?". E é isso mesmo. Amar pode até ser uma escolha. Mas deixar de amar é uma questão de escolher dar tempo ao tempo e deixá-lo agir.
Ele, o senhor da razão. O tempo. Aquele capaz de nos mostrar que qualquer coisa - boa ou ruim - pode ser superada.
Mas é, de fato, uma escolha.  Sou obrigada a concordar, novamente, com o clichê. Se não dá certo, temos que escolher deixar ir, escolher que o tempo cumpra o seu papel. É escolher não 'desamar', mas simplesmente que não vai mais alimentar o sentimento, deixando,  assim, que ele se vá. Ao sabor do tempo e do vento. Como nos ensina a meditação: deixe o pensamento vir, sinta, e deixe ir. Como a ar que entra nos pulmões, oxigena todo o corpo, e sai.
Importante também deixar ir sem se perguntar "por que". Pergunte "pra que", como eu disse no post anterior. Afinal, 'por que' não tem uma resposta satisfatória. 'Pra que', tem. Tudo tem um propósito.  Amar e desamar. Mas a resposta do "pra que" só virá depois que o tempo passar.
Aí vai ser a hora da filosofia pop rock de Lulu Santos: "Não vou dizer que foi ruim,  também não foi tão bom assim... não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais". E assim, gente,  caminha a humanidade.

terça-feira, 23 de junho de 2015

A pergunta certa

A vida passa a ser mais suave quando entendemos uma grande verdade: coisas ruins acontecem. E sim, elas acontecem com pessoas boas. E pensar sobre isso pode ser enlouquecedor. Os questionamentos, afinal, são inevitáveis.  Por que? Por que eu?  Por que comigo? E essas perguntas simplesmente não têm resposta. Aconteceu porque coisas ruins acontecem. E acontecem com pessoas boas. Ponto, na outra linha. 

Cabe aí a reflexão não do por quê, mas sim do pra quê. Nada - repito - NADA acontece por acaso. E se aconteceu, não tem remédio, busque pelo menos o aprendizado. Assim, a dor sofrida não será vã.   
Eu olho à minha volta e vejo tanto sofrimento.  Gente bacana que morre de graça,  pessoas do bem sofrendo com doenças terríveis,  gente que ama e se doa e é massacrantemente enganada.  
Mas eu também vejo, quando olho à minha volta, coisas lindas. Generosidade. Amor. Amizade. Desprendimento.
Toda semana vou à AACD com meu filho e lá vejo grandes atos de amor. Seja dos voluntários, que doam seu tempo para ajudar,  seja daquelas famílias que estão lá para proporcionar mais conforto à vida dos seus entes. E eu digo: não é fácil. 
Muitas vezes eu me perguntei por que eu tinha um filho deficiente físico. Hoje eu vejo que Renato cuida mais de mim do que eu dele, pois ele me inunda de uma coisa cuja falta  é a grande chaga da humanidade: amor. Então a pergunta não é mesmo por que. Essa não tem resposta satisfatória. Mas pra quê tem. Pra que eu entenda o verdadeiro significado da palavra "amor", incondicionalmente falando. 
Minha sugestão para todos diante da vida e da quantidade de porradas que dela levei, é que temos que tirar lições de tudo que vivemos. Cada segundo da nossa existência é um aprendizado maravilhoso. Mas não,  não é fácil.  Não é fácil justamente por conta do tal "por que". Eu mesma preciso parar de me perguntar isso...

Essa semana fui assistir Divertida Mente com Renato.  E o desenho - que de infantil não tem nada - me deixou como lição que a felicidade está no equilíbrio entre a alegria e a tristeza. Chorei feito uma tabacuda no cinema. Mas entendi o recado. A dor ensina. A tristeza nos faz valorizar a vida. A lágrima precede o sorriso. Por que? Porque sim. Pra quê?  Pra nos ensinar a viver, ora essa!
Vivamos, pois, nessa grande corda-bamba que é a vida. Mas não se preocupe! Se você cair, dá pra levantar. Avariado, com a lataria meio amassada... mas de pé. E uma coisa é certa: você poderá até cair de novo,  mas dificilmente será pelo mesmo motivo.

domingo, 31 de maio de 2015

História de criança


Renato é  um menino bonito e forte, muito grande para os seus cinco anos de vida.
Seu cabelo castanho e seus dentinhos da frente bem separados, parecia até que já estava de janelinha.
Renato brincava com seus brinquedos, construía castelos e robôs com dezenas de pecinhas coloridas.
Mas quando Renato ia correr, suas pernas não entendiam bem o que ele queria fazer,  e ele sempre caía. 
Na escola Renato brincava com os coleguinhas na sala de aula, mas na hora do parque, quando Renato ia correr, as pernas se embaralhavam e lá ia Renato pra o chão. 
Alguns coleguinhas riam de Renato, que chorava de dor e de tristeza porque não conseguia brincar como todos os outros. E tinha Pedro,  que sempre ria mais que todos.
Até que um dia a mãe de Renato resolveu levá -lo ao médico, que o examinou muito e botou o menino forte e bonito pra correr para lá e para cá. 
Renato corria, e caía. E levantava, e caía. E Renato chorava, porque não conseguia correr como os amiguinhos da escola.
Aí o médico disse que Renato ia usar botinhas mágicas e que toda vez que ele as calçasse as pernas iam responder melhor ao que Renato queria fazer.  Se Renato quisesse correr, com a botinha ele ia correr. 
E Renato saiu do médico já com as botinhas mágicas  nos pés.  E corria, e pulava,  e falava para a mãe que, entre lágrimas e sorrisos,  assistia àquela cena, "veja mamãe,  agora eu já não caio mais".
E Renato foi para escola, com suas botinhas mágicas nos pés,  e mostrou aos coleguinhas que agora podia correr. 
O garoto da escola - Pedro - começou a rir de Renato, dizendo que aquele sapato era muito esquisito. "Não é sapato, é uma botinha mágica", disse Renato. 
Mesmo assim, Pedro continou a rir dele. Renato começou a chorar, triste,  e isso fazia Pedro rir ainda mais, correndo em círculos ao redor de Renato. Até que Pedro tropeçou e se esborrachou no chão. Foi uma queda feia, e ele logo começou a chorar. Renato então enxugou as suas lágrimas e foi até Pedro, que olhou para ele esperando uma sonora gargalhada. Renato, no entanto, estendeu a mão para o garoto e o ajudou a levantar. E ainda disse a ele "não fique triste,  a dor da queda vai passar logo". Pedro,  já de pé,  perguntou a Renato por que ele não sorriu. "Porque a dor da queda passa. Mas o som das risadas fica dentro da cabeça da gente o tempo todo", respondeu. 
Naquele dia Pedro prometeu que nunca mais iria rir de Renato. E hoje eles correm juntos pelo pátio da escola, e quando um ou outro cai sempre tem uma mão estendida para ajudar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Conjugações

Um dos verbos mais bonitos
Quando conjugado com "amar"
É um verbo transitivo
É o verbo suportar

Eu suporto,  tu suportas, nós suportamos
Mas só se conjuga ele, aliado ao verbo amar
Se amar for mesmo verbo, não só um substantivo
Pois só quando ele é verbo é possivel conjugar

Eu te amo. Tu me amas. Nós nos amamos. 
E, por isso,  nos suportamos.

Suportar no sentido  - ah,  a língua portuguesa  - não  oposto de insuportável
E sim quando quer dizer que dá ao outro o que é preciso
"Não importa o que aconteça
Estarei ali contigo"

E o nosso verbo mais lindo
Síntese plena de amar e suportar
(Eu te amo e te suporto)
Virou pretérito mais que perfeito, 
Mesmo sendo pura imperfeição 
Foi conjugado de um jeito 
De difícil compreensão
Eu te amara e te suportara
Amar-te-ia por toda vida, ao teu lado tudo suportaria
Mas a imperfeição do tempo presente
Fez um futuro de pretéritos imperfeitos
Onde o que um dia foi presente
Virou um passado sem futuro
Mais que perfeito na sua imperfeição 

Ah, o amor...
Capaz de carregar elefantes
E sem habilidade para desviar da formiga
Juras lindas ao pé do ouvido
E a falta da palavra amiga