quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Como ir à falência em um mês

Dezembro é um mês caro. Caríssimo, eu diria. Não bastasse o apelo consumista do Papai Noel, há, ainda, as dezenas de confraternizações às quais vamos para encontrar queridos. Vamos lá: 13º salário da babá, presentes de amigo secreto, presentes para os amigos mais chegados, presentes para a família, lembrancinhas para os colegas...

Caixinhas de natal por todos os lados, táxis rodando com bandeira 2... 

Como esquecer das doações? Ligações e ligações pedindo que o meu bom coração ajude as criancinhas da creche A e os velhinhos do asilo B. Contribuições para cestas de natal dos funcionários da escola de natação de Renato, da escola de Renato...

Renato, aliás, também participou de um amigo secreto. O presente para o colega sorteado deveria ser um livro infantil, cujo valor sugerido pela escola era de R$ 30,00. Ah, claro... a mamãe aqui deveria, também, mandar para a festinha uma bandeja de salgados. "Eles preferem coxinhas, tá?", disse a sorridente professora. Tá bom, então...

Da escola também chegou um comunicado lindo, dizendo que "com o objetivo de estimular nas crianças a generosidade", seria interessante contribuir para a cesta natalina dos funcionários. Sugestões: uvas-passa, ameixas, queijos, vinhos, panetones, chocolates, biscoitos, leite condensado, et cetera, et cetera, et cetera... Para me consolar, vem a informação de que as cestas seriam montadas pelos próprios alunos. Ah, então tá certo!!

E, como nada está tão ruim que não possa piorar um pouco mais, não dá pra esquecer que no mês de dezembro tem intercalada o apartamento. Pois é... sonho da casa própria = pesadelo da conta bancária...

Ainda bem que dezembro já está chegando ao fim. Aí vem janeiro e tudo se resolve. 
Resolve?

Material escolar, mochila, sapato, festa de aniversário de Renato, seguro do carro... 

É... É o círculo vicioso da vida adulta.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dezembro


Dezembro é um mês engraçado, que faz aflorar em mim sentimentos conflitantes. É o último mês do ano e nele fazemos confraternizações, encontros, reencontros, planos e... avaliações. E é curioso como algumas vezes, mesmo tendo sido proveitoso o tal balanço, tendemos a maximizar o que não deu certo. E isso é muito, muito chato.

Chato porque é isso que nos faz infelizes. Nos provoca o insuportável sentimento de fracasso e nos instiga – muitas vezes –  à inveja, pecado capital do qual tenho verdadeiro horror!! Xô! Xô!! XÔOOOOO!!!!!

Ponderemos, pois.

Olhando para o ano de 2012 eu vejo um caminho cheio de conquistas.

Terminei o meu processo de reconstrução corporal, que começou em 2010 com uma gastroplastia e prosseguiu com cinco procedimentos plásticos – ainda estou de licença médica, me recuperando do último deles, a torsoplastia. Mas em março do ano que vem completo três anos de redução de estômago exatamente como eu queria: magra e com e tudo no lugar (pelo menos tudo que deu pra botar no lugar).

Realizei o sonho de todo proletário que se preza: a casa própria. Pagarei pelos meus 50m2 de teto até 2039, mas isso não importa. Fiz.

Neste ano descobri que Renato, meu filho de quase quatro anos, apresenta ataxia, que em bom português significa ‘falta de coordenação motora’. O caso dele pede terapias de apoio e tratamento para o resto da vida (graças a Deus nada químico, nem cirúrgico). Começamos em julho com equoterapia, hidroterapia, entre outras "ias" e, desde então, vejo meu filho evoluir e se desenvolver como nunca tinha visto. É lento. É pra vida toda. Mas é tratável. Bola pra frente.

Mas foram tantas coisas boas... tantas vitórias... o que me incomoda?

É obvio, não? Como toda boa pré-loba o que pega mesmo é o lance de relacionamentos amorosos. E, nesse aspecto, 2012 foi terrível. 

Vi o sepultamento doloroso de uma bela história. Vi um desfile de fantasmas do passado “rondando minha porta feito alma penada” (thanks, Lulu). Vi pessoas novas que só querem mesmo curtição. Relacionamento, aquele que pressupõe companheirismo, dedicação, compromisso.... esse, de forma plena, eu não vi.

Ah, dezembro... em você a solteirice, ou encalhamento, como vocês preferirem, pesa muito mais. Dezembro, dezembro...

Mas como dezembro também é mês de planejar... estou fazendo muitos projetos, inclusive o dos móveis do meu apartamento. 2013 é especial, pow! Eu completarei, em abril, 40 primaveras. E chegarei lá com as minhas principais metas – corpo e casa própria – atingidas. Bom né?

Então vou tratar de relaxar. É, não casei. É, estou sem namorado. Isso pesa? Sem dúvida. Mas impede a minha felicidade?

Cri, cri, cri...

NÃO! É. É isso. Não impede.

Então que venham mais e mais confraternizações e reencontros. Que venha a ceia de Natal em família com seus perus e salpicões. Que venha mais um réveillon trabalhando nas areias da praia de Boa Viagem. E, principalmente, que venha 2013 com todas as alegrias e tristezas, conquistas e derrotas, ganhos e perdas que ele oferecerá para mim. Porque pode ser clichê, mas é verdade: faz parte da vida.