segunda-feira, 19 de março de 2012

O incômodo vai, o resultado fica...

bolinha feliz!
20° dia de cirurgia hoje. Já me sinto bem melhor, graças a Deus. A perna direita parou de vazar, Milena começou a tirar os pontos... Ela me disse, inclusive, que de todas as cirurgias de braço e perna que ela viu na vida a minha é a que está recuperando melhor. Céus! E eu reclamando da vida...
Na verdade é aquilo que eu já falei antes: não sinto dor. Senti dor no braço quando tive tendinite, mas na cirurgia propriamente dita não. É, realmente, o incômodo mesmo. Os dois locais são bastante incômodos. Tipo não dá pra sentar nos primeiros dias da cirurgia (das pernas) e mulher não tem pinto. Depois de passar uns dois dias fazendo xixi em pé no chuveiro e ter que tomar banho o tempo todo, improvisei um tipo de “calha” com uma radiografia velha que tinha em casa e fui me virando. O número 2, então.... Mas não, não vou falar sobre isso...
Enfim... aí tem o braço. O local do corte do braço roça o tempo inteiro em algum lugar: na roupa, na pele, no lençol, no travesseiro... Não é fácil achar uma posição para deixá-lo confortável. E agora, com o sucesso do processo de cicatrização, a sensação de “repuxo” da pele é irritante. Além disso, coça loucamente. Noite passada mesmo eu não dormi. Não tinha posição. Acho que passava das 3h quando finalmente apaguei...
Fiz muita fibrose (tecido cicatricial), principalmente na perna direita, perto da virilha. Isso quer dizer que estou andando algo como um cara que tem hidrocele. Imagina só, que charme... Eu, tão lady que sou quase Laura, desfilando como se tivesse bolas gigantes. Mas enfim... tô fazendo ultrassom e logo logo vai passar... já está passando, aliás.
Hoje, no consultório, levei para ver com Milena as fotos pré-operatórias do Foto Beleza. As chamadas “fotos médicas" são um pesadelo, pois elas mostram exatamente tudo aquilo que tentamos esconder sob as roupas ou não ficando nessa ou naquela posição. A luz, o fundo preto... é tudo para deixar à mostra para o cirurgião o que ele deve arrumar.
Aí ficamos comparando as fotos. As primeiras, do abdome e das mamas, são impressionantes.  As três camadas de barriga, que caiam sobre as coxas, e os peitos que caiam sobre a barriga... Uau! Olhei para a foto e me olhei no enorme espelho que há no consultório. Eu nem lembrava mais da cicatriz da bariátrica, que parecia uma lagarta marrom buchuda, e cortava verticalmente a minha barriga, entre o peito e o umbigo. Aliás... umbigo não. Coisa. Umbigo eu tenho hoje. O peito... é um capítulo à parte. “Parece de índia”, disse Milena. É. É isso mesmo. Uma índia branca de 80 anos que amamentou 15 filhos, cada um deles até os quatro anos. A segunda leva de fotos, das cirurgias de braços e pernas, mostram a pele de uma mulher de 90 anos. Enrugada, flácida, sem viço. Olhando para mim, completamente melhorada, Milena declarou: “você está certa por preferir as cicatrizes. Hoje você é outra pessoa”.
De fato. Sou mesmo, fisicamente, outra pessoa e cada vez tenho mais convicção de que fiz as escolhas certas. Como não dá pra voltar no tempo e simplesmente não ter engordado e prejudicado tanto o meu corpo, o que me resta agora é arrumá-lo, da melhor maneira possível. 
Que venham as próximas, então. Não agora... mais pra o final do ano. Mas que venham! Não vou desistir dos meus projetos só por estar incomodada, ou vazando, ou com imensos testículos temporários. Afinal, é como eu disse no título do post: o incômodo vai, o resultado fica.  
Amanhã volto ao trabalho e tenho certeza que isso vai ajudar muito no meu processo de recuperação. Sair de casa, focar o pensamento em outra coisa e começar a tocar a vida. Corpo novo, vida nova. Bom demais!!!

4 comentários:

  1. Kiki, coragem, sinceridade, perseverança e mais ainda a sua simplicidade ao relatar tudo o que tem sido pra você os sonhos, os medos, as decisões, as mudanças, a luta com o Plano de Saúde, as dores, os ganhos... Tudo isso é comovente! A minha sugestão é que você reúna tudo o que já escreveu e escreva mais para transformar em livro toda essa sua experiência. Acredito q pode ser uma boa. Parabéns! Beijo
    Lygia

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  2. Já falei também. Tudo isso é muito grande, muito rico pra ficar só pra vc. Tá, tem o blog mas... sei lá, é a minha vontade de que te conheçam...

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  3. Olá, Lygia... Obrigada pelas palavras de incentivo. Acredite: vindo de você é realmente um grande elogio! Respeito muito sua opinião.
    Saiba que estou trabalhando nesse projeto do livro. Mas resolvi que preciso, para falar com total propriedade sobre a bariátrica e as reparações, esperar por duas coisas:
    1. completar três anos de cirurgia, pois estarei 100% estabilizada no peso e no resultado;
    2. finalizar os procedimentos reparadores (costas).
    Acho mesmo que posso prestar algum tipo de serviço, sabe? recebo muitos emails sobre isso, pessoas com dúvidas sobre tantas coisas e uma pessoa que fala de maneira aberta sobre o tema, como eu, pode realmente ajudar. E, o mais importante: que passou pelo processo e narra a experiência. assim, não seria apenas mais uma pesquisa... enfim... creio que lançarei o livro no meu niver de 40 anos, tudo no ano que vem. conto com você lá!
    Obrigada também, anônimo. e não se preocupe: o mundo é meu!

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  4. Olá, Kiki. Boas notícias! Gostei de saber do livro a caminho... Aguardarei os "40"...
    Lygia

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