sábado, 17 de março de 2012

Maturidade é sinônimo de... liberdade!!!

liberdade é mesmo um sonho... possível.
A cada dia que passa eu me convenço mais e mais de uma coisa: sentimento ruim é feito câncer. Quando a gente não extirpa, a tendência é que cresça, cresça, até tomar todos os espaços da nossa vida.
Logo, a coisa mais inteligente a fazer, qual é? Não cultivar sentimentos ruins. Né? Mas é incrível a tendência do ser humano a fazer justamente aquilo que faz mais mal. E remoemos, remoemos, remoemos, até que tudo na nossa vida passa a girar em torno disso. E, é mesmo, feito câncer. Toma conta de tudo.
Tudo seria muito mais fácil se aprendêssemos a superar os reveses da vida. Em todas as áreas, quero dizer. Afetiva, familiar, profissional, et cetera. Ontem mesmo, conversando com um amigo sobre um estresse familiar recorrente, ele me aconselhou a fazer o que eu tenho que fazer, mas exigir reconhecimento.
Eu acho que algumas coisas não podem ser exigidas. Elas têm que ser espontâneas e verdadeiras, caso contrário não tem o menor sentido. Gratidão, amor e amizade são exemplos. Tipo assim: do que adianta uma pessoa te agradecer uma coisa que você fez se a gratidão não é sincera e veio apenas por obrigação? Essa gratidão e nada é a mesma coisa. Ou pior ainda: um sentimento nobre o bonito, como a gratidão, pode virar algo negativo. Hummm... é complexo isso, viu?
Vejo hoje que com a maturidade (e as lapadas da vida, claro) eu aprendi a ser mais resignada diante do que eu não posso mudar. Há coisas, como os meus estresses familiares recorrentes, que eu definitivamente não posso mudar. Então é melhor me resignar e conviver com isso do que viver em pé de guerra e cultivando toda sorte de coisas ruins dentro de mim? Bom, eu prefiro assim. É algo mesmo tipo a máxima “o que não tem remédio, remediado está”. É conformismo? Não acho. Na minha modesta opinião, é como disse há pouco: maturidade... E, me arrisco a dizer, que é, também, liberdade. 
Liberdade sim. Pois pode até ser clichê, mas não há prisão pior do que as que criamos para nós mesmos com nossos medos, nossos rancores, nossas mágoas, nossas inseguranças. Quando aprendemos a lidar com isso... ah... é libertador. É viver com a certeza de que aquele determinado percalço pode até me derrubar. Mas no chão eu não fico, nem a pau! 
Conheço uma pá de gente que é assim: vive e respira negatividade. Eu mesma já fui muito assim.... Adorava sofrer e remoer. Ainda bem que amadureci. Entendam que não estou minimizando os problemas de ninguém... mas poxa... tem que deixar o rio correr!!! Dê o seu tempo, viva seu luto e vire a página.  Mas não dê ao problema um milímetro a mais de importância do que ele tem. E, principalmente, não faça dele o cerne da sua vida. Afinal o mal que está dentro de nós faz mais mal para nós mesmos do que para qualquer outra pessoa. Além dos males da alma, dá gastrite, ruga e cabelo branco.
Tem uma música de Arnaldo Antunes, da época em que ele ainda era do Titãs, que se chama “Saia de Mim” (ela está no álbum "tudo ao mesmo tempo agora", de 1991). A letra é agressiva, mas tentem ver além disso. Arnaldo, em sua poesia, diz que devemos tirar de nós e das nossas vidas tudo aquilo que nos faz mal. Posso não concordar muito com a forma, mas concordo 100% com o conteúdo. E é isso aí.

Saia de Mim
(Arnaldo Antunes)

Saia de mim como suor
Tudo o que eu sei de cor
Sai de mim como excreto
Tudo que está correto
Saia de mim
Saia de mim
Saia de mim como um peido
Tudo o que for perfeito
Saia de mim como um grito
Tudo o que eu acredito
Tudo que eu não esqueça
Tudo que for certeza

Saia de mim vomitado,
Expelido, exorcizado
Tudo que está estagnado
Saia de mim como escarro
Espirro, pus, porra, sarro,
Sangue, lágrima, catarro

Saia de mim a verdade!
A verdade! 

Um comentário:

  1. A isto chama-se "resiliencia", querida. Qualidade de bem poucos. E mais uma das suas.

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