sábado, 24 de março de 2012

Inferno astral

porrada em cima de porrada
Dizem que no mês que antecede nosso aniversário vivemos um período chamado “inferno astral”. Achei, num site de astrologia, algumas informações sobre essa época, e o prognóstico não é mesmo muito bacana. Acredita-se que as pessoas vivem momentos de angústia, depressão e até mesmo azar, e todas essas turbulências são atribuídas a alguma configuração astral misteriosa. 
Explicação ctrl C + ctrl V: O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando. 
Tá bom, então.
Eu nunca fui de acreditar nessas coisas. Horóscopo, astrologia, blá, blá, blá. Mas devo confessar que, por pura coincidência ou não, os dias estão sendo difíceis pra mim e o meu aniversário se avizinha: completo 39 anos daqui a pouco mais de duas semanas. Cai na véspera da sexta-feira Santa, o que certamente vai dificultar qualquer tentativa de comemoração.
Aí meu braço esquerdo insiste em não ficar bom e isso está me incomodando profundamente. O local por onde estava vazando fechou e agora o inchaço voltou. Apareceu um bolha, que parecia um calo cheio d’água, e eu, contrariando a orientação de dr. Pita, furei o dito cujo com uma agulha estéril. Vazou, vazou, vazou... Aliviou o inchaço, mas já encheu novamente e está incomodando de novo. Fura, vaza, enche. Fura, vaza, enche. Ad infinitum...
Hoje eu fui pra o salão fazer as unhas. Pedi para o meu pai me levar, pois ainda não estou podendo dirigir. Fiquei de voltar de taxi. Terminado o serviço fui procurar um taxi. O salão fica na Jaqueira, numa galeria em frente à livraria. Acreditem ou não, depois de 15 minutos, um taxi sequer passou pela rua do Futuro. Mesmo com as pernas operadas caminhei no sentido da Rosa e Silva, crendo que lá daria mais sorte. Não dei. Continuei andando até chegar na Santos Dumont. Nada de taxis. Quarenta minutos depois de sair do salão eu ainda não tinha conseguido voltar pra casa. Continuei andando pela Santos Dumont, agora seguindo para a av. Norte. Parei na José Maria, pois minhas pernas pareciam pesar uma tonelada.  Já estava quase ligando para o meu pai, pois tentei o serviço de taxi por telefone e me informaram que não havia carros na área. Oi? Jaqueira? Rosarinho?? Caraca!! Eis que, de repente, o vigilante da galeria que parei para ligar vai pra a rua e consegue um carro pra mim. Um anjo de Deus, com certeza. Mas só consegui ir pra casa quase uma hora depois!!
Ontem eu quase apanhei no meio da rua. Indo pra drenagem parei numa rua perto de casa para socorrer um amigo que bateu com o carro. Meu pai, que está sendo meu motorista neste período de recuperação, ficou dentro do Ka enquanto eu fui falar com meu amigo e ver como eu poderia ajudá-lo. Um cara, que estava bêbado e tentava tirar o carro dele de uma vaga que até meu filho de três anos conseguiria sair tranquilamente, bateu num ferro de calçada. Duas vezes. Irritado, ele saiu do carro e começou a ofender... meu pai! Falei com o cara e disse que ele não falasse com meu pai daquele modo, caso contrário eu chamaria a polícia. Aí o cara, lógico, voltou-se contra mim. Olhe... rolou um estresse, ameacei chamar de novo a polícia. Depois de um tempo o cara foi embora, com o rabo entre as pernas (polícia = bafômetro). Ficou por aí, no bate-boca, mas foi extremamente desgastante. 
E, claro, estou emocionalmente fragilizada. Ferindo meu coração alucinadamente por ter resolvido dar ouvidos à razão. Sei o que é correto fazer, pois não se trata de vírgulas e sim de pontos finais - bilaterais. Mas meu coração não entende direito o que o meu cérebro manda fazer. Talvez os neurotransmissores responsáveis por esse tipo de mensagem estejam defeituosos. Talvez, talvez, talvez... Tento focar no objetivo e lembrar apenas do que me fez mal, mas mesmo assim... dói. A razão está ganhando e sigo firme nas minhas decisões. Mas, como em toda boa luta, quem não bate leva. Com a razão vencendo, o coração está sendo nocauteado. Sem dó nem piedade... O tempo cura tudo? Mas quanto tempo é necessário?
Bom, se eu não acredito no tal do “inferno astral” ou me dar ao direito de acreditar, pelo menos, no que vem depois. Segundo os entendidos em astrologia, passado o aniversário começa o “paraíso astral”. E, como se sabe, paraíso é o oposto de inferno. Logo, no “paraíso astral” as coisas fluem melhor, os sentimentos são mais equilibrados e tudo, tudo fica mais tranquilo.
Tomara. Nunca estive tão ansiosa na vida pra ficar mais velha... 

3 comentários:

  1. Nunca acrditei em horóscopo. mas sempre acreditei em inferno astral. Sempre acontece comigo. Não tem jeito. É só ficar quietinho (a) e esperar o tempo, esse que tudo cura, passar. Cuida do teu braço com a ajuda do teu médico. Cuida do teu coração com a ajuda da razão. Recife tem pelo menos umas cinco operadoras de radiotáxi. Anda com o telefone de todas elas na memória do celular. Motorista bêbado? Não te aperreia, não foi nada pessoal. Fica boa. Trouxe teu vinho.

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  2. Vinho? Chileno?? Merlot??? Já é!!!!!!!!!

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  3. Tu sabe que eu escrevi horóscopo, né? Num estágio que tive quando os dinossauros ainda vagavam pela terra. Isto posto, é lóoooooogico que não posso MESMO levar um pingo de fé nessas coisas... hahahahahahaha...

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