sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu vejo a vida melhor no futuro

o que mudou por dentro
Em 30 de março de 2010, às 7h da manhã, dei um passo muito importante na minha vida. Há exatos dois anos entrei na faca e me submeti à cirurgia bariátrica, ou seja: redução de estômago. Os dois anos se passaram e ao mesmo tempo que parece que foi ontem também parece que faz uma eternidade...
Eu pesava 135 kg quando dei entrada no hospital Prontolinda naquela manhã de terça-feira. Eu não estava nervosa. Estava... ansiosa. Pra mim era o fim da vida como eu conhecia. E era mesmo. Mas não do modo que eu pensava.
Eu pensava que nunca mais poderia comer. Que nunca mais beberia um copo d’água. Refrigerante, então... rá! Então fiz uma série de despedidas gastronômicas, contrariando o pedido do cirurgião, dr. Walter França, e no lugar de perder os 10 kg que ele mandou, engordei. Eu tratei a cirurgia como se fosse mesmo um adeus aos prazeres da mesa. Eu me concentrei tanto em me despedir dos rodízios de carne, massas e sushis que não refleti bem sobre o que era de fato esse passo tão importante que estava dando.
uma das minhas despedidas,
no Papa Capim
Pois é. Confesso que não tinha a ideia exata do que ia acontecer comigo depois da cirurgia de redução de estômago. Tá, o objetivo dela é emagrecer. Mas eu não sabia como ia ficar. Não pensava, de fato, sobre isso. Eu fiz pra emagrecer e poder ser um bom exemplo pra o meu filho Renato, pra que ele não crescesse achando que ser obeso mórbido é normal. Mas saber como ia ficar... não, não pensei não. Não me imaginava magra, nem por um momento. E hoje eu sou... magra. É. Posso dizer isso. Eu sou magra. Magra. Magra!!
Mas eu não pensava, por exemplo, nas peles que iam sobrar. Sabia que elas iam sobrar, claro, mas não tem como imaginar como vai ser na real. Além do mais eu tinha certeza que conseguiria lidar com isso.  Eu repetia para mim mesma e para minha terapeuta: “quem administra 135 kg consegue lidar com qualquer coisa...”. Ledo engano... Tudo faz parte de um processo de desconstrução e reconstrução de quem somos, física e emocionalmente.
Agora é justamente o oposto. Olho minhas fotos de dois anos passados e não consigo imaginar como fiquei daquele tamanho. Como eu não percebi que estava tão grande. E eu estava, viu? Dá pra ter uma ideia pelo meu manequim: 56.
Hoje entendo que tudo que fiz foi meio às cegas. Eu podia ter sido mais jornalista investigativa mesmo. Tomei a decisão, me informei, li, participei de reuniões, fiz terapia... mas tudo isso é muito pouco, pois nada se compara ao que é de fato a cirurgia de redução de estômago. E, principalmente, não há como ter a dimensão exata do impacto dela na vida da gente – físico, emocional e psicológico. A quantidade que se vai conseguir comer e beber é relativa. As intolerâncias também dependem de cada organismo. Dá pra saber? Não, não dá. Talvez se eu tivesse conversado mais com pessoas que fizeram... mas mesmo assim cada experiência é única. Afinal é como eu disse acima: o impacto não é apenas físico.
O meu caso, graças a Deus, foi extremamente exitoso. Nos três aspectos. Perdi mais de 60 kg. Pra o meu biotipo tá bom demais. Eu diria até que passou um pouco da conta e estou numa dieta rica em carboidratos para ver se ganho uns dois quilinhos. Quero ficar com 73 kg. Assim me sinto confortável, fico com um corpo normal e o rosto mais cheio, pois não gosto do meu rosto quando ele fica fino demais. Além disso meus ossos da pélvis são salientes e minha pele fica machucada quando uso calças jeans de cintura baixa. Como são as coisas, né? Ai, ai...
A moral da história é que eu não dei adeus aos prazeres da mesa. Eu como de tudo, apenas não consigo comer tanto quanto eu comia antes. E, na real, eu antes comia demais mesmo. Era uma glutona. Agora eu como para me alimentar, não para me empanturrar.
Hoje eu ando na rua e não sou mais uma referência, tipo “logo ali, depois da gordinha”. Hoje não preciso mais comprar roupas em lojas especializadas. Hoje os homens se aproximam de mim não por fetiche e sim porque eu sou bonita e interessante (e modesta, course).  Hoje os vendedores na praia não me rodeiam como mosca no lixo. Hoje eu posso caminhar sem precisar parar a cada cinco passos. Hoje eu visto 40. Hoje eu sou uma nova pessoa. Eu renasci de dentro de mim mesma, deixando para trás uma carga de 65 kg.
E já estou na fase dois do processo: a reparação. Dos cinco procedimentos aos quais tenho direito – barriga, peito, perna, coxas e costas – já fiz quatro.  O caminho ainda é longo, principalmente no que diz respeito à auto-imagem. As peles vão, ficam as cicatrizes. Mas estamos falando mesmo é sobre escolhas e eu fiz as minhas. E cada uma delas tem uma consequência. A ver:
1. Redução de estômago = menos ingestão de comida e bebida = grande perda de peso
2. grande perda de peso  = flacidez excessiva = cirurgia plástica
3. cirurgia plástica = cicatrizes = pele assentada
Pois é. Cada escolha é uma renúncia.
leve, leve, leve...
Tenho vários conselhos para quem quer fazer a cirurgia e tem algum receio. Converse muito com o médico, se possível com mais de um. Escolha aquele que te deixar mais seguro. Na relação médico-paciente o que vale mesmo é empatia e confiança. Leve uma lista de dúvidas, mesmo aquelas que você acha que são muito idiotas – essas são as que mais vão te incomodar depois.  Converse com pessoas que fizeram o procedimento, casos de sucesso e de nem tanto sucesso assim. Se veja magra. Nunca – NUNCA – deixe a terapia. Afinal a cirurgia de redução de estômago pode te deixar magra, mas o que vai te manter assim é a cabeça.  E, principalmente, não tenha medo. A gente só morre quando é o dia da gente.
No mais eu só tenho mesmo a agradecer. Em primeiro lugar agradeço a Deus, pela minha vida, de antes e de agora. Agradeço ao meu filho Renato, que me impulsiona a querer ser, sempre, melhor. Agradeço à minha família, que me apoiou em cada passo da minha jornada. Agradeço aos meus amigos que – uns mais, outros menos – me deram força.
E isso tudo é só começo. Já falei algumas vezes aqui uma frase de Renato Russo que amo: “o mundo começa agora. Apenas começamos”. E é isso mesmo. Vivo, cada dia, como se fosse o último e o primeiro. E sempre vendo que o melhor ainda está por vir.
E é por isso que hoje encerro deixando pra vocês a música de Lulu Santos chamada Tempos Modernos. Nela está a frase que dá título ao post. Aproveitem a música e aproveitem a vida. Com fé e determinação a gente sempre pode chegar aonde quer. Palavra de Kiki. =)




Tempos Modernos
(Lulu Santos)

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...

Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há prá viver
Vamos nos permitir...

E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

Um comentário:

  1. Faço minhas boas partes deste texto. Ficamos bem agora, e ficaremos ainda melhores!

    Cybelle

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