quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Como ir à falência em um mês

Dezembro é um mês caro. Caríssimo, eu diria. Não bastasse o apelo consumista do Papai Noel, há, ainda, as dezenas de confraternizações às quais vamos para encontrar queridos. Vamos lá: 13º salário da babá, presentes de amigo secreto, presentes para os amigos mais chegados, presentes para a família, lembrancinhas para os colegas...

Caixinhas de natal por todos os lados, táxis rodando com bandeira 2... 

Como esquecer das doações? Ligações e ligações pedindo que o meu bom coração ajude as criancinhas da creche A e os velhinhos do asilo B. Contribuições para cestas de natal dos funcionários da escola de natação de Renato, da escola de Renato...

Renato, aliás, também participou de um amigo secreto. O presente para o colega sorteado deveria ser um livro infantil, cujo valor sugerido pela escola era de R$ 30,00. Ah, claro... a mamãe aqui deveria, também, mandar para a festinha uma bandeja de salgados. "Eles preferem coxinhas, tá?", disse a sorridente professora. Tá bom, então...

Da escola também chegou um comunicado lindo, dizendo que "com o objetivo de estimular nas crianças a generosidade", seria interessante contribuir para a cesta natalina dos funcionários. Sugestões: uvas-passa, ameixas, queijos, vinhos, panetones, chocolates, biscoitos, leite condensado, et cetera, et cetera, et cetera... Para me consolar, vem a informação de que as cestas seriam montadas pelos próprios alunos. Ah, então tá certo!!

E, como nada está tão ruim que não possa piorar um pouco mais, não dá pra esquecer que no mês de dezembro tem intercalada o apartamento. Pois é... sonho da casa própria = pesadelo da conta bancária...

Ainda bem que dezembro já está chegando ao fim. Aí vem janeiro e tudo se resolve. 
Resolve?

Material escolar, mochila, sapato, festa de aniversário de Renato, seguro do carro... 

É... É o círculo vicioso da vida adulta.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dezembro


Dezembro é um mês engraçado, que faz aflorar em mim sentimentos conflitantes. É o último mês do ano e nele fazemos confraternizações, encontros, reencontros, planos e... avaliações. E é curioso como algumas vezes, mesmo tendo sido proveitoso o tal balanço, tendemos a maximizar o que não deu certo. E isso é muito, muito chato.

Chato porque é isso que nos faz infelizes. Nos provoca o insuportável sentimento de fracasso e nos instiga – muitas vezes –  à inveja, pecado capital do qual tenho verdadeiro horror!! Xô! Xô!! XÔOOOOO!!!!!

Ponderemos, pois.

Olhando para o ano de 2012 eu vejo um caminho cheio de conquistas.

Terminei o meu processo de reconstrução corporal, que começou em 2010 com uma gastroplastia e prosseguiu com cinco procedimentos plásticos – ainda estou de licença médica, me recuperando do último deles, a torsoplastia. Mas em março do ano que vem completo três anos de redução de estômago exatamente como eu queria: magra e com e tudo no lugar (pelo menos tudo que deu pra botar no lugar).

Realizei o sonho de todo proletário que se preza: a casa própria. Pagarei pelos meus 50m2 de teto até 2039, mas isso não importa. Fiz.

Neste ano descobri que Renato, meu filho de quase quatro anos, apresenta ataxia, que em bom português significa ‘falta de coordenação motora’. O caso dele pede terapias de apoio e tratamento para o resto da vida (graças a Deus nada químico, nem cirúrgico). Começamos em julho com equoterapia, hidroterapia, entre outras "ias" e, desde então, vejo meu filho evoluir e se desenvolver como nunca tinha visto. É lento. É pra vida toda. Mas é tratável. Bola pra frente.

Mas foram tantas coisas boas... tantas vitórias... o que me incomoda?

É obvio, não? Como toda boa pré-loba o que pega mesmo é o lance de relacionamentos amorosos. E, nesse aspecto, 2012 foi terrível. 

Vi o sepultamento doloroso de uma bela história. Vi um desfile de fantasmas do passado “rondando minha porta feito alma penada” (thanks, Lulu). Vi pessoas novas que só querem mesmo curtição. Relacionamento, aquele que pressupõe companheirismo, dedicação, compromisso.... esse, de forma plena, eu não vi.

Ah, dezembro... em você a solteirice, ou encalhamento, como vocês preferirem, pesa muito mais. Dezembro, dezembro...

Mas como dezembro também é mês de planejar... estou fazendo muitos projetos, inclusive o dos móveis do meu apartamento. 2013 é especial, pow! Eu completarei, em abril, 40 primaveras. E chegarei lá com as minhas principais metas – corpo e casa própria – atingidas. Bom né?

Então vou tratar de relaxar. É, não casei. É, estou sem namorado. Isso pesa? Sem dúvida. Mas impede a minha felicidade?

Cri, cri, cri...

NÃO! É. É isso. Não impede.

Então que venham mais e mais confraternizações e reencontros. Que venha a ceia de Natal em família com seus perus e salpicões. Que venha mais um réveillon trabalhando nas areias da praia de Boa Viagem. E, principalmente, que venha 2013 com todas as alegrias e tristezas, conquistas e derrotas, ganhos e perdas que ele oferecerá para mim. Porque pode ser clichê, mas é verdade: faz parte da vida.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Vivendo e evoluindo

Olá, meus amigos! Olha eu aqui de novo! Já faz muito tempo desde a minha última postagem, não é? E, logicamente, muita coisa aconteceu na minha vida nesse intervalo. Não foi nada demais não... só estava sem vontade de escrever. Mas agora a vontade voltou e tenho muita coisa para contar. Sobre a cirurgia, as reviravoltas da vida, os recomeços, as redescobertas. Mas temos tempo para conversar sobre tudo isso. Afinal, pra citar aquela frase que adoro de Renato Russo, "o mundo começa agora, apenas começamos...".

E vou começar com uma coisa que aconteceu comigo um dia desses quando me peguei tendo um comportamento preconceituoso do qual provavelmente fui alvo várias vezes. Explico.

Comprei uma passagem Recife – Petrolina com antecedência e fiz a reserva de assento – no corredor – no ato da compra via internet, já para evitar os habituais aborrecimentos que temos nesses benditos voos promocionais. Até aí, tudo bem.

Cheguei ao aeroporto no horário certo - 21h20, 1h antes do voo -, fiz o check-in e conferi o meu lugar: 5C – quinta fileira, corredor esquerdo para quem está olhando para a frente do avião. Ótimo.

Já na sala de embarque tive a informação vinda da simpática voz do além sobre o atraso não apenas do meu avião, mas de vários outros. Resultado: superlotação na sala de embarque. Tudo bem. Botei meu fone de ouvido e relaxei... Já passava das 23h quando a galera da Avianca começou a se posicionar no portão.

Aqui cabe um aparte. Impressionante como as pessoas ficam ouriçadas para embarcar. Mesmo um avião tendo as poltronas marcadas, a galera levanta e forma uma imensa fila. Fila diante de uma porta de vidro ainda fechada e dois funcionários da companhia arrumando o esquema de embarque. Ai, ai, ai...

Bom, fui a última a levantar e fiz isso quando havia apenas uma pessoa mostrando o cartão à funcionária. Mas cada um é cada um (profundo isso, não?).

No avião, mais fila. Agora para guardar a troçada nos compartimentos superiores. Quando finalmente entrei na aeronave passei a vista para encontrar meu lugar. Opa! Não vi. Olhando rapidamente percebi todas as fileiras da frente ocupadas. Fui me aproximando e reparei que havia duas pessoas na fileira cinco e uma delas era um homem gordo. Muito gordo. Ele estava sentado na minha poltrona, a C, e ocupava a metade da poltrona do meio, a B.

foto meramente ilustrativa
Parei e fiquei olhando para ele, esperando que ele percebesse que estava no meu lugar. Depois de alguns instantes ele se deu conta que eu estava plantada no corredor. Ele – mó simpático – sorriu para mim e perguntou como eu estava. Respondi que estava bem – bem e querendo sentar – e apontei para o meu assento, assento no qual ele estava sentado. Ele ergueu a mão a me cumprimentou, apertando o meu dedo em riste, o que me pareceu uma cena um tanto quanto bizarra. Aí ele perguntou:  “você quer mesmo sentar aqui?”.  “Bom, é o meu lugar”, respondi. “É melhor você sentar no meio”, disse o sorridente gordinho. Olhei para o filete de poltrona que restava ao lado dele e para a pessoa que estava na janela. Eles estavam viajando juntos. Eu continuava de pé, no corredor, e atrás de mim outras duas pessoas aguardavam para passar para os seus lugares. Percebi que as pessoas próximas estavam olhando para a cena. Creio que já esperavam algo assim...

“Olha, senhor, eu gostaria de sentar para que as pessoas passem, o embarque seja finalizado e o voo comece, sabe?”, respondi. Ele, rindo ainda mais, perguntou de novo se eu queria MESMO que ele fosse na poltrona do meio. Fiz uma cara de poucos amigos, respirei fundo e quando ia responder o amigo dele disse que trocaria de lugar comigo. Ok. O gorducho levantou, o amigo levantou e nos reposicionamos.

arroxa que dá!
Já sentada na janela fiquei remoendo a história. Olhava pra ele e mentalmente xingava, me perguntando se ele não tinha noção de que incomodava as pessoas. Ele era tão gordo que o cinto de segurança não coube, só fechou com um extensor. A mesa não abria por conta da barriga imensa. Ele estava com metade do corpo no corredor e o amigo dele estava espremido na poltrona do meio.

Olhei para mim, sentada confortavelmente na poltrona da janela e me senti superior. Olhando para ele cheguei à conclusão de que eu era melhor que ele, pois eu cabia numa porra de uma cadeira de avião. Kiki, a fodona ex-balofa.

Tive que desligar o som na decolagem e não tive como não escutar a animada conversa entre o gorducho e o espremido. Ambos médicos. E o gorducho era, de fato, uma figura muito simpática. Escutando o papo dos dois me dei conta de que ele é casado, tem filhos, viaja muito a trabalho e leva a vida de uma maneira muito leve, mesmo sendo uma pessoa fisicamente tão pesada. Aí eu caí em mim. Eu estava sendo uma idiota preconceituosa, julgando o cara sem conhecer, exatamente como faziam comigo no passado. Achei um monte de coisas dele pelo simples fato de ser gordo.

Lembro de uma época na qual eu precisava viajar para Brasília a trabalho duas vezes por mês. E eu já gostava de sentar no corredor naquele tempo, só que pesava uns 130 kg. Grande, muito grande. Recife – Petrolina dura uma hora. Recife – Brasília pouco mais de três. E eu apago em avião. Então imagina a cena: uma gorda, sentada no corredor, dormindo, roncando e impedindo que as pessoas que estavam sentadas ao meu lado fossem ao banheiro ou simplesmente pegassem algo no bagageiro não por uma horinha, mas por três. É... certamente elas pensavam muitas coisas de mim. Coisas, sem dúvida, nada agradáveis... Exatamente como eu estava fazendo com o homem gordinho.

Quando me dei conta disso me senti mal, muito mal. Mal por ter sido antipática com uma pessoa educada e simpática. Mal por ter sido intolerante com uma pessoa por ela ser diferente do padrão. Mal por ter me sentindo superior a ele porque ele era gordo e eu não. Mas, principalmente, mal por ter sido preconceituosa. Extremamente preconceituosa.

Como são as coisas, né? Preconceito, por si só, já é uma grande merda. E numa situação dessas, é ainda pior. Afinal eu já estive do outro lado, já fui gorda. Já fui apontada na rua e já recebi olhares reprovadores e "sábios" conselhos de ilustres desconhecidos. E tudo isso me fazia muito mal, mesmo que eu não demonstrasse. Pra o mundo eu era forte e bem resolvida. Por dentro estava massacrada e para aliviar minha dor comia mais e mais. Conheço a história indo e voltando. Então como eu – justamente eu – faço isso com alguém?

Não pedi desculpas ao gordinho. Me arrependo disso. Se eu pudesse voltar no tempo eu teria retribuído o sorriso. Eu teria brincado com ele sobre a mudança de lugar. Eu teria sido gente, e não a babaca que eu fui. Uma vez, já depois de reduzida, eu saí, conheci um cara e fiquei com ele. Aí no local onde estávamos passou uma gordinha. Percebi que ele olhou e eu fiz algum comentário sobre como é difícil perder peso e sobre redução de estômago. Ele, magro e malhador, respondeu: “que nada! Pra emagrecer é só fechar a boca e ir pra academia”. “Eu sou reduzida”, falei. Ele fez aquela cara de bunda. 

Pois é. Só quem já passou pela obesidade e todos as coisas que a acompanham sabe que emagrecer não é tão fácil assim. Emagrecer não é fácil e obesidade é uma doença. Doença sim e deve ser tratada como tal. Dieta e exercícios? Claro! Acompanhada de terapia e, se for preciso, remédios. Não deu certo? Opera. Mas o principal: está bem com o seu corpo? Então ligue o bom e velho ‘foda-se’ e seja feliz!

especiais nos ônibus...
Mas tudo bem. Não vou me massacrar por isso, por não ter sido legal. Vou tirar do ruim mais uma lição, a lição da tolerância. Afinal, na realidade, se eu estava incomodada com o cidadão, imagina ele, todo espremido numa cadeira apertada, constrangido – e ainda assim sorridente – pelo cinto de segurança que não atacava nele? O que tem que acontecer, na verdade, é que o mundo tem que se adaptar às formas avantajadas. Outro dia, num ônibus (Expresso Paul McCartney, by the way), vi que há cadeiras reservadas para pessoas com mobilidade reduzida – idosos, deficientes, gestantes e... obesos. Achei o máximo!  Eu sabia da lei, mas ainda não tinha visto, por não andar de ônibus. Ah, se no meu tempo de estudante fosse assim... Sofri muito quando dependia de ônibus. Já cheguei, inclusive, a ficar presa na roleta. Foi constrangedor.

... e nos metrôs
Então fica aqui o meu recado para as empresas de ônibus, avião, cinemas, teatros, restaurantes, shoppings... adaptem-se às pessoas gordas! Criem assentos especiais! Já há jurisprudência sobre esse tipo de coisa. Constrangimento, preconceito. É isso. Evolui mais um pouco com essa experiência. E que a minha experiência também sirva de lição. Tudo que a gente não precisa é viver num mundo ainda mais preconceituoso, não é verdade?

E fica também o meu recado para mim mesma. Afinal, por mais que eu reconheça que tive um comportamento terrível, não posso negar que tremi nas bases quando vi na fila de embarque do voo de volta um rapaz deveras gordinho. Só de pensar que ele poderia ter marcado a poltrona do lado da minha fiquei tensa - afinal viajar no aperto não é nada confortável. Mas de uma coisa tenho certeza: dessa vez eu iria contornar a situação com muito mais bom humor!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu vejo a vida melhor no futuro

o que mudou por dentro
Em 30 de março de 2010, às 7h da manhã, dei um passo muito importante na minha vida. Há exatos dois anos entrei na faca e me submeti à cirurgia bariátrica, ou seja: redução de estômago. Os dois anos se passaram e ao mesmo tempo que parece que foi ontem também parece que faz uma eternidade...
Eu pesava 135 kg quando dei entrada no hospital Prontolinda naquela manhã de terça-feira. Eu não estava nervosa. Estava... ansiosa. Pra mim era o fim da vida como eu conhecia. E era mesmo. Mas não do modo que eu pensava.
Eu pensava que nunca mais poderia comer. Que nunca mais beberia um copo d’água. Refrigerante, então... rá! Então fiz uma série de despedidas gastronômicas, contrariando o pedido do cirurgião, dr. Walter França, e no lugar de perder os 10 kg que ele mandou, engordei. Eu tratei a cirurgia como se fosse mesmo um adeus aos prazeres da mesa. Eu me concentrei tanto em me despedir dos rodízios de carne, massas e sushis que não refleti bem sobre o que era de fato esse passo tão importante que estava dando.
uma das minhas despedidas,
no Papa Capim
Pois é. Confesso que não tinha a ideia exata do que ia acontecer comigo depois da cirurgia de redução de estômago. Tá, o objetivo dela é emagrecer. Mas eu não sabia como ia ficar. Não pensava, de fato, sobre isso. Eu fiz pra emagrecer e poder ser um bom exemplo pra o meu filho Renato, pra que ele não crescesse achando que ser obeso mórbido é normal. Mas saber como ia ficar... não, não pensei não. Não me imaginava magra, nem por um momento. E hoje eu sou... magra. É. Posso dizer isso. Eu sou magra. Magra. Magra!!
Mas eu não pensava, por exemplo, nas peles que iam sobrar. Sabia que elas iam sobrar, claro, mas não tem como imaginar como vai ser na real. Além do mais eu tinha certeza que conseguiria lidar com isso.  Eu repetia para mim mesma e para minha terapeuta: “quem administra 135 kg consegue lidar com qualquer coisa...”. Ledo engano... Tudo faz parte de um processo de desconstrução e reconstrução de quem somos, física e emocionalmente.
Agora é justamente o oposto. Olho minhas fotos de dois anos passados e não consigo imaginar como fiquei daquele tamanho. Como eu não percebi que estava tão grande. E eu estava, viu? Dá pra ter uma ideia pelo meu manequim: 56.
Hoje entendo que tudo que fiz foi meio às cegas. Eu podia ter sido mais jornalista investigativa mesmo. Tomei a decisão, me informei, li, participei de reuniões, fiz terapia... mas tudo isso é muito pouco, pois nada se compara ao que é de fato a cirurgia de redução de estômago. E, principalmente, não há como ter a dimensão exata do impacto dela na vida da gente – físico, emocional e psicológico. A quantidade que se vai conseguir comer e beber é relativa. As intolerâncias também dependem de cada organismo. Dá pra saber? Não, não dá. Talvez se eu tivesse conversado mais com pessoas que fizeram... mas mesmo assim cada experiência é única. Afinal é como eu disse acima: o impacto não é apenas físico.
O meu caso, graças a Deus, foi extremamente exitoso. Nos três aspectos. Perdi mais de 60 kg. Pra o meu biotipo tá bom demais. Eu diria até que passou um pouco da conta e estou numa dieta rica em carboidratos para ver se ganho uns dois quilinhos. Quero ficar com 73 kg. Assim me sinto confortável, fico com um corpo normal e o rosto mais cheio, pois não gosto do meu rosto quando ele fica fino demais. Além disso meus ossos da pélvis são salientes e minha pele fica machucada quando uso calças jeans de cintura baixa. Como são as coisas, né? Ai, ai...
A moral da história é que eu não dei adeus aos prazeres da mesa. Eu como de tudo, apenas não consigo comer tanto quanto eu comia antes. E, na real, eu antes comia demais mesmo. Era uma glutona. Agora eu como para me alimentar, não para me empanturrar.
Hoje eu ando na rua e não sou mais uma referência, tipo “logo ali, depois da gordinha”. Hoje não preciso mais comprar roupas em lojas especializadas. Hoje os homens se aproximam de mim não por fetiche e sim porque eu sou bonita e interessante (e modesta, course).  Hoje os vendedores na praia não me rodeiam como mosca no lixo. Hoje eu posso caminhar sem precisar parar a cada cinco passos. Hoje eu visto 40. Hoje eu sou uma nova pessoa. Eu renasci de dentro de mim mesma, deixando para trás uma carga de 65 kg.
E já estou na fase dois do processo: a reparação. Dos cinco procedimentos aos quais tenho direito – barriga, peito, perna, coxas e costas – já fiz quatro.  O caminho ainda é longo, principalmente no que diz respeito à auto-imagem. As peles vão, ficam as cicatrizes. Mas estamos falando mesmo é sobre escolhas e eu fiz as minhas. E cada uma delas tem uma consequência. A ver:
1. Redução de estômago = menos ingestão de comida e bebida = grande perda de peso
2. grande perda de peso  = flacidez excessiva = cirurgia plástica
3. cirurgia plástica = cicatrizes = pele assentada
Pois é. Cada escolha é uma renúncia.
leve, leve, leve...
Tenho vários conselhos para quem quer fazer a cirurgia e tem algum receio. Converse muito com o médico, se possível com mais de um. Escolha aquele que te deixar mais seguro. Na relação médico-paciente o que vale mesmo é empatia e confiança. Leve uma lista de dúvidas, mesmo aquelas que você acha que são muito idiotas – essas são as que mais vão te incomodar depois.  Converse com pessoas que fizeram o procedimento, casos de sucesso e de nem tanto sucesso assim. Se veja magra. Nunca – NUNCA – deixe a terapia. Afinal a cirurgia de redução de estômago pode te deixar magra, mas o que vai te manter assim é a cabeça.  E, principalmente, não tenha medo. A gente só morre quando é o dia da gente.
No mais eu só tenho mesmo a agradecer. Em primeiro lugar agradeço a Deus, pela minha vida, de antes e de agora. Agradeço ao meu filho Renato, que me impulsiona a querer ser, sempre, melhor. Agradeço à minha família, que me apoiou em cada passo da minha jornada. Agradeço aos meus amigos que – uns mais, outros menos – me deram força.
E isso tudo é só começo. Já falei algumas vezes aqui uma frase de Renato Russo que amo: “o mundo começa agora. Apenas começamos”. E é isso mesmo. Vivo, cada dia, como se fosse o último e o primeiro. E sempre vendo que o melhor ainda está por vir.
E é por isso que hoje encerro deixando pra vocês a música de Lulu Santos chamada Tempos Modernos. Nela está a frase que dá título ao post. Aproveitem a música e aproveitem a vida. Com fé e determinação a gente sempre pode chegar aonde quer. Palavra de Kiki. =)




Tempos Modernos
(Lulu Santos)

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...

Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há prá viver
Vamos nos permitir...

E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

quinta-feira, 29 de março de 2012

E trinta dias se passaram...

cut-cut
Hoje é 29 de março, aniversário de um mês das minhas dermolipectomias braquial e crural. Como um presente antecipado, dr. Pita tirou, ontem (28) os pontos das pernas e do braço esquerdo, o meu membro problemático. E acreditem: isso foi um divisor de águas. 
Antes de tirar os pontos eu tinha a nítida sensação de que nunca mais na vida eu conseguiria levantar os braços. Nadar, então... nem pensar! Mas me sinto muito, muito melhor agora. Amanhã termino com as drenagens linfáticas e as sessões de ultrassom. As fibroses que persistem devem ser quebradas com dois fatores: tempo e movimento. 
No mais agora é mesmo esperar. Esperar para ver o resultado do processo. Claro que sei que uma cirurgia plástica pode demorar até dois anos para... assentar, digamos assim. Mas eu tô tranquila. Já está feito, que era o mais difícil, então posso esperar um pouco mais.
Ontem fiz, ainda, a segunda aplicação de botox. Quando o médico aplica a primeira vez faz uma dosagem pequena, pra ver como o organismo reage. Dando uma revisada no resultado ele achou melhor botar mais um pouquinho e levei outras três injeções na testa. De graça, course. Ele me deu também umas amostrinhas de kelo-cote, um gel caríssimo que clareia as cicatrizes. Pôxa... dr. Pita é mesmo mó legal! 
Ele me liberou para dirigir. E eu prontamente obedeci. Devo dizer que não foi uma coisa muito tranquila, pois meu Karro não tem direção hidráulica e os meus movimentos, tanto dos braços quanto das pernas, estão deveras limitados. Mas mesmo assim consegui sair e fui ao shopping e ao trabalho guiando meu veículo. O melhor mesmo é a sensação se independência. Acho um saco ter que pedir pra alguém me levar pra algum lugar, mesmo que esse alguém seja o meu pai.  
Agora que me sinto melhor estou realmente muito tentada a manter o meu projeto inicial de fazer a última etapa das reparações no final do mês de junho. Eu sabia que quando tudo melhorasse eu ia querer manter a data da cirurgia que eu tinha pré-marcado com dr. Pita. Eu tinha resolvido deixar mais para o final do ano por conta do problema do braço esquerdo, blá, blá, blá... Mas pensando bem é melhor acabar logo com isso. Resolver tudo e seguir com a minha vida, sabendo que não há mais nada para arrumar na lataria. Mas não tem nada resolvido sobre nada. Vou dar tempo ao tempo, pois cada vez mais me convenço que ele é mesmo o senhor da razão.
Tá tudo indo bem. Graças a Deus. São os meus dias melhores que já estão chegando... E é só isso que eu quero: dias melhores pra sempre. Amém.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Reunião pedagógica 2, a missão

lava logo esse pé, sapo!

Há alguns dias fui chamada de novo na escola de Renato para mais uma “reunião pedagógica”. Fiquei logo tensa. Esbravejei conversando com a minha mãe, dizendo que se eles viessem de novo com a conversa de que meu filho tem um déficit eu tiraria ele de lá na mesma hora.
No ano passado fui chamada na escola e disseram que Renato tinha problemas de aprendizado. Saí de lá arrasada. Claro ninguém gosta de ouvir esse tipo de coisa sobre a cria, principalmente quando a gente acha que está tudo normal. Mas... achar, a gente sempre acha, né? O meu filho tem problema? Não, nunca. Enfim... depois de pensar mil e uma coisas, todas elas negativas, pedi que minha mãe fosse à escola, pois eu ainda estava muito operada e cheia de pensamentos ruins.
Quando ela voltou da reunião eu estava tensa, muito tensa. Já preparada para tirar Tato de lá e colocá-lo em outra escolinha. Mas qual não foi minha surpresa quando minha mãe disse que a reunião era pra falar que ele está indo muito bem, está evoluindo a olhos vistos, aprendendo tudo direitinho e interagindo com os colegas.
Meu coração de mãe ficou extremamente aliviado, mas fiquei refletindo sobre como somos, muitas vezes, negativos com as coisas. Pensei, realmente, no pior. E isso é ruim, muito ruim. Não apenas no que diz respeito a Renato, mas em tudo na vida.
Engraçado é que não tenho muito esse perfil. Em linhas gerais sou bastante otimista e relax. Sou do tipo que num engarrafamento aumenta o volume do som e começa a cantar loucamente. Lógico que não sou fofa o tempo todo. Mas, como eu disse acima, não tenho o hábito de ser negativa. Mesmo assim, dessa vez eu fui. Não sei se porque o assunto dizia respeito ao meu pequeno. Pode ser, né? Mãe Leoa... Não importa, na verdade. O que importa é que vou me policiar cada vez mais para não ser contaminada pelo vírus maldito do pessimismo.
E, na boa... eu não tinha nem porque me armar tanto assim. Renato, graças a Deus, se desenvolve diariamente e é perceptível para quem acompanha. Além da escola, vou dar o justo crédito à nova babá, que é paciente e tem um jeito imenso com ele. Tato já sabe as cores, conta até 20 (sempre pulando o sete, não me perguntem por que), fala e reconhece as letras e formula frases. Claro que as frases são meio “mim Jane, você Tarzan”, mas é tudo uma questão de tempo. Ele agora também come de tudo. É... está crescendo. Logo logo mamadeira vai ser coisa do passado.
Ele adora cantar. Passou uma fase que o tempo todo me pedia para cantar a música do sapo. Pra quem não sabe, é aquela assim: “o sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer. Mas que chulé!”. Uma vez, tudo bem. Duas... vá lá. Mas cantar a música do sapo 15 vezes seguidas... é pra matar! Mas eu cantava e ele morria de rir todas as vezes. E isso, ver meu filho rindo com aqueles dentinhos separados, não tem preço.
E agora Tato deu pra me acordar às 5h. Por conta da minha cirurgia ele está dormindo com a minha mãe, mas assim que acorda ele vem falar comigo. Aí me cutuca dizendo, com aquela vozinha linda e rouquinha: “bom dia, mamãe. Te amo”. Corramarlinda, mô Deus. Mas eu, que gosto de dormir, respondo pra ele: “também te amo, filhote! Muito!! Mas num dá pra ser às 7h não?”.

domingo, 25 de março de 2012

As trilhas sonoras da minha vida, parte 16

olá, Lulu!
Tive a oportunidade, no carnaval deste ano, de assistir ao show de Lulu Santos. Foi, sem dúvida, uma experiência maravilhosa. Ele é impecável no palco e cantou não apenas músicas da minha adolescência... Percebi, vendo o show, que Lulu tem canções que fazem parte da minha vida adulta também, o que mostra uma trajetória linear e cheia de sucessos ao longo da carreira de tantos anos. Enfim... Me diverti imensamente naquele sábado chuvoso de Zé Pereira. E é dele a minha trilha sonora de hoje... Tudo a ver com o meu momento. Dia desses um amigo que falou que acha um barato essa minha "musicalidade". Segundo ele eu arrumo uma música pra tudo. É verdade. Mas é bom, né? Quem canta os males espanta, diz o ditado. Concordo. Cantemos, pois.  



Assim caminha a humanidade
(Lulu Santos)


Ainda vai levar um tempo
Pra fechar
O que feriu por dentro
Natural que seja assim
Tanto pra você
Quanto pra mim...


Ainda leva uma cara
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga
E sem vontade...


Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim
Não imagine que te quero mal
Apenas não te quero mais...

sábado, 24 de março de 2012

Inferno astral

porrada em cima de porrada
Dizem que no mês que antecede nosso aniversário vivemos um período chamado “inferno astral”. Achei, num site de astrologia, algumas informações sobre essa época, e o prognóstico não é mesmo muito bacana. Acredita-se que as pessoas vivem momentos de angústia, depressão e até mesmo azar, e todas essas turbulências são atribuídas a alguma configuração astral misteriosa. 
Explicação ctrl C + ctrl V: O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando. 
Tá bom, então.
Eu nunca fui de acreditar nessas coisas. Horóscopo, astrologia, blá, blá, blá. Mas devo confessar que, por pura coincidência ou não, os dias estão sendo difíceis pra mim e o meu aniversário se avizinha: completo 39 anos daqui a pouco mais de duas semanas. Cai na véspera da sexta-feira Santa, o que certamente vai dificultar qualquer tentativa de comemoração.
Aí meu braço esquerdo insiste em não ficar bom e isso está me incomodando profundamente. O local por onde estava vazando fechou e agora o inchaço voltou. Apareceu um bolha, que parecia um calo cheio d’água, e eu, contrariando a orientação de dr. Pita, furei o dito cujo com uma agulha estéril. Vazou, vazou, vazou... Aliviou o inchaço, mas já encheu novamente e está incomodando de novo. Fura, vaza, enche. Fura, vaza, enche. Ad infinitum...
Hoje eu fui pra o salão fazer as unhas. Pedi para o meu pai me levar, pois ainda não estou podendo dirigir. Fiquei de voltar de taxi. Terminado o serviço fui procurar um taxi. O salão fica na Jaqueira, numa galeria em frente à livraria. Acreditem ou não, depois de 15 minutos, um taxi sequer passou pela rua do Futuro. Mesmo com as pernas operadas caminhei no sentido da Rosa e Silva, crendo que lá daria mais sorte. Não dei. Continuei andando até chegar na Santos Dumont. Nada de taxis. Quarenta minutos depois de sair do salão eu ainda não tinha conseguido voltar pra casa. Continuei andando pela Santos Dumont, agora seguindo para a av. Norte. Parei na José Maria, pois minhas pernas pareciam pesar uma tonelada.  Já estava quase ligando para o meu pai, pois tentei o serviço de taxi por telefone e me informaram que não havia carros na área. Oi? Jaqueira? Rosarinho?? Caraca!! Eis que, de repente, o vigilante da galeria que parei para ligar vai pra a rua e consegue um carro pra mim. Um anjo de Deus, com certeza. Mas só consegui ir pra casa quase uma hora depois!!
Ontem eu quase apanhei no meio da rua. Indo pra drenagem parei numa rua perto de casa para socorrer um amigo que bateu com o carro. Meu pai, que está sendo meu motorista neste período de recuperação, ficou dentro do Ka enquanto eu fui falar com meu amigo e ver como eu poderia ajudá-lo. Um cara, que estava bêbado e tentava tirar o carro dele de uma vaga que até meu filho de três anos conseguiria sair tranquilamente, bateu num ferro de calçada. Duas vezes. Irritado, ele saiu do carro e começou a ofender... meu pai! Falei com o cara e disse que ele não falasse com meu pai daquele modo, caso contrário eu chamaria a polícia. Aí o cara, lógico, voltou-se contra mim. Olhe... rolou um estresse, ameacei chamar de novo a polícia. Depois de um tempo o cara foi embora, com o rabo entre as pernas (polícia = bafômetro). Ficou por aí, no bate-boca, mas foi extremamente desgastante. 
E, claro, estou emocionalmente fragilizada. Ferindo meu coração alucinadamente por ter resolvido dar ouvidos à razão. Sei o que é correto fazer, pois não se trata de vírgulas e sim de pontos finais - bilaterais. Mas meu coração não entende direito o que o meu cérebro manda fazer. Talvez os neurotransmissores responsáveis por esse tipo de mensagem estejam defeituosos. Talvez, talvez, talvez... Tento focar no objetivo e lembrar apenas do que me fez mal, mas mesmo assim... dói. A razão está ganhando e sigo firme nas minhas decisões. Mas, como em toda boa luta, quem não bate leva. Com a razão vencendo, o coração está sendo nocauteado. Sem dó nem piedade... O tempo cura tudo? Mas quanto tempo é necessário?
Bom, se eu não acredito no tal do “inferno astral” ou me dar ao direito de acreditar, pelo menos, no que vem depois. Segundo os entendidos em astrologia, passado o aniversário começa o “paraíso astral”. E, como se sabe, paraíso é o oposto de inferno. Logo, no “paraíso astral” as coisas fluem melhor, os sentimentos são mais equilibrados e tudo, tudo fica mais tranquilo.
Tomara. Nunca estive tão ansiosa na vida pra ficar mais velha... 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Até injeção na testa!

vai???
Na última quarta-feira fiz uma coisa que até pouco tempo condenava. Calma, queridos... Eu apenas coloquei botox! Sim, botox! A toxina botulínica, ou clostridium botulinum, é a bactéria que provoca o botulismo, mas que quando modificada é usada para fins estéticos, agindo na paralisação temporária dos músculos do corpo. Para esse fim, como se sabe, o botox é aplicado principalmente no rosto, nas áreas cujos sinais da idade já estão insistindo em se alojar. No meu caso, os tais sinais adoram a minha testa. Tenho linhas de expressão horizontais por toda ela, mas nada me incomoda tanto como um vinco que se localiza entre os meus olhos. Quem já me viu dormindo conta que até quando estou nos braços de Morfeu minha testa está franzida. Resultado? Vinco. Profundo e aparente até quando estou com o rosto 100% relaxado.
Botox não é preenchimento. Botox, como eu disse acima, paralisa temporariamente a musculatura e impede os movimentos, suavizando, assim, as linhas de expressão. Ele age bloqueando o neurotransmissor responsável por levar as mensagens elétricas do cérebro aos músculos (thanks, wikipedia). Isso quer dizer que durante uns seis meses o meu vinco de estimação não vai mais aumentar, mas olhando com atenção... sim, ele está lá.
O botox foi uma cortesia de dr. Pita pra mim. Ganhei de presente, acho que por assiduidade, hahahahaha. E, como se sabe, de graça... até injeção na testa. E levei logo duas!! Ele me explicou que o efeito não é imediato. O resultado pode demorar até uma semana para aparecer. Se eu curtir o resultado vou fazer a testa toda, aí pagando, course... Na testa toda são 13 picadas, aproximadamente. Será que eu vou curtir? Acho que vou... Tô louca pra ver como vai ficar. Fico me segurando para não me plantar em frente ao espelho fazendo mil e uma caretas...
Quando eu falei no começo do post que condenava o botox não foi por nada. Eu condenava por não saber exatamente do que se tratava. Mas, realmente, acho feio quando as pessoas mexem tanto no rosto que chegam a ficar deformadas. Recentemente vi na internet um retrato de Gretchen e ela nem parecia um ser humano. Total sem expressão. Depois de fazer plástica em quatro partes do corpo, mesmo sendo reparadoras, não vou atirar pedras em quem quer melhorar o layout, não sou hipócrita. Mas realmente acho que coerência é bom e não faz mal a ninguém. Cada um faz do seu corpo o que quer, lógico. Mas poxa... espelho, galera... espelho!! Será que a pessoa se sente bem ao ver seu reflexo, tentar sorrir e mexer a orelha? Hummmm... acho – eu disse acho – que não. Mas vai saber, né? Beleza é, mesmo, algo relativo. Em tempo: falei de Gretchen aqui só por tê-la visto recentemente em fotos. Mas já me assustei, por exemplo, com Elza Soares e Gloria Menezes. Nada pessoal contra a freak le boom boom...
Curiosidade - Outra coisa interessante sobre o botox é que ele inibe a enxaqueca. O produto já é, inclusive, liberado pela Anvisa para esse fim. Quando o objetivo é terapêutico, ele tem que ser aplicado em várias partes da cabeça e pescoço por um médico especialista. Bom... mas quem sabe não dou sorte, né? E uma das duas picadas que levei vai inibir minhas dores de cabeça... Outros usos medicinais do botox são: tratamento de problemas como estrabismo; contrações da musculatura; suor excessivo nos pés e nas mãos; rigidez nos músculos causada por derrames.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O incômodo vai, o resultado fica...

bolinha feliz!
20° dia de cirurgia hoje. Já me sinto bem melhor, graças a Deus. A perna direita parou de vazar, Milena começou a tirar os pontos... Ela me disse, inclusive, que de todas as cirurgias de braço e perna que ela viu na vida a minha é a que está recuperando melhor. Céus! E eu reclamando da vida...
Na verdade é aquilo que eu já falei antes: não sinto dor. Senti dor no braço quando tive tendinite, mas na cirurgia propriamente dita não. É, realmente, o incômodo mesmo. Os dois locais são bastante incômodos. Tipo não dá pra sentar nos primeiros dias da cirurgia (das pernas) e mulher não tem pinto. Depois de passar uns dois dias fazendo xixi em pé no chuveiro e ter que tomar banho o tempo todo, improvisei um tipo de “calha” com uma radiografia velha que tinha em casa e fui me virando. O número 2, então.... Mas não, não vou falar sobre isso...
Enfim... aí tem o braço. O local do corte do braço roça o tempo inteiro em algum lugar: na roupa, na pele, no lençol, no travesseiro... Não é fácil achar uma posição para deixá-lo confortável. E agora, com o sucesso do processo de cicatrização, a sensação de “repuxo” da pele é irritante. Além disso, coça loucamente. Noite passada mesmo eu não dormi. Não tinha posição. Acho que passava das 3h quando finalmente apaguei...
Fiz muita fibrose (tecido cicatricial), principalmente na perna direita, perto da virilha. Isso quer dizer que estou andando algo como um cara que tem hidrocele. Imagina só, que charme... Eu, tão lady que sou quase Laura, desfilando como se tivesse bolas gigantes. Mas enfim... tô fazendo ultrassom e logo logo vai passar... já está passando, aliás.
Hoje, no consultório, levei para ver com Milena as fotos pré-operatórias do Foto Beleza. As chamadas “fotos médicas" são um pesadelo, pois elas mostram exatamente tudo aquilo que tentamos esconder sob as roupas ou não ficando nessa ou naquela posição. A luz, o fundo preto... é tudo para deixar à mostra para o cirurgião o que ele deve arrumar.
Aí ficamos comparando as fotos. As primeiras, do abdome e das mamas, são impressionantes.  As três camadas de barriga, que caiam sobre as coxas, e os peitos que caiam sobre a barriga... Uau! Olhei para a foto e me olhei no enorme espelho que há no consultório. Eu nem lembrava mais da cicatriz da bariátrica, que parecia uma lagarta marrom buchuda, e cortava verticalmente a minha barriga, entre o peito e o umbigo. Aliás... umbigo não. Coisa. Umbigo eu tenho hoje. O peito... é um capítulo à parte. “Parece de índia”, disse Milena. É. É isso mesmo. Uma índia branca de 80 anos que amamentou 15 filhos, cada um deles até os quatro anos. A segunda leva de fotos, das cirurgias de braços e pernas, mostram a pele de uma mulher de 90 anos. Enrugada, flácida, sem viço. Olhando para mim, completamente melhorada, Milena declarou: “você está certa por preferir as cicatrizes. Hoje você é outra pessoa”.
De fato. Sou mesmo, fisicamente, outra pessoa e cada vez tenho mais convicção de que fiz as escolhas certas. Como não dá pra voltar no tempo e simplesmente não ter engordado e prejudicado tanto o meu corpo, o que me resta agora é arrumá-lo, da melhor maneira possível. 
Que venham as próximas, então. Não agora... mais pra o final do ano. Mas que venham! Não vou desistir dos meus projetos só por estar incomodada, ou vazando, ou com imensos testículos temporários. Afinal, é como eu disse no título do post: o incômodo vai, o resultado fica.  
Amanhã volto ao trabalho e tenho certeza que isso vai ajudar muito no meu processo de recuperação. Sair de casa, focar o pensamento em outra coisa e começar a tocar a vida. Corpo novo, vida nova. Bom demais!!!

domingo, 18 de março de 2012

E viva o novo!!!

oi, tudo bem? eu sou uma máquina de escrever...
Ontem eu fiz uma coisa nova. Dei um treinamento sobre assessoria de comunicação. E eu realmente nunca tinha feito isso. O mais perto de dar aula que cheguei foi lá no passado, nos primórdios da internet, quando fui ensinar para alguns professores mais... antigos, digamos assim, do departamento de comunicação da UFPE, como usar a rede mundial de computadores. Pra vocês terem ideia de quanto tempo isso faz, o que chegava mais perto de rede social era o mIRC e o ICQ, e o browser usado à época era o Netscape. Não havia Google e o buscador popular se chamava Cadê?. Nada mais tenho a dizer sobre isso...
Mas eu achei massa essa aula de ontem. Confesso que estava meio insegura, mesmo dominando muito bem o tema. A insegurança vem pela novidade mesmo, sabe? É a mesma insegurança que bate quando começamos um relacionamento novo, ou vamos dirigir um carro diferente, ou qualquer outra coisa do gênero. É sempre a mesma história: depois que a insegurança passa nos deixamos levar e é só curtição... Nesse caso não foi diferente e quando relaxei e me entreguei ao que estava fazendo foi tudo ótimo. E, o mais legal: dei conta do recado. Consegui passar minha mensagem, de maneira clara e inteligível. As pessoas se interessaram e interagiram, e eu saí de lá com a sensação maravilhosa de que fui uma multiplicadora de conhecimento, ou seja: ensinei algo que eu sabia pra alguém. Hummmm... gostei disso, sabe? Me senti muito, muito bem mesmo.
aí é fróid!!!
Esse lance de ensinar é muito legal mas, sem dúvida alguma, é, também, muito sério. Lembro de algumas pérolas da minha vida acadêmica... tipo uma professora de inglês na 7ª série que falava as palavras exatamente como elas eram escritas. Algo como all rigth que virava ál ríguiti, house que virava róuze, et cetera... Outra, já na faculdade, foi justamente o contrário. Lendo o texto de um colega de sala, que tratava, se não me engano, sobre depressão, ela falou, sem tirar os olhos do papel: “...segundo Freud...”. Todos nós, alunos, nos entreolhamos e o colega em questão, autor do texto, corrigiu a forma de pronunciar o nome do pai da psicanálise: “professora... o nome dele é Fróid”. Ela, que não havia parado de ler a matéria, respondeu: “ah, mas aqui está escrito Freud!”. Tá bom, então...
Pense numa responsabilidade que é ensinar! Exige muito estudo - permanente - e muito, muito comprometimento. Acho que minha professora de inglês da 7ª série conseguiu o certificado pelo correio e não ouviu a fita cassete que vinha no kit do curso (pra quem não sabe do que se trata, fita cassete é o CD de antigamente). 
Eu, nos meus trabalhos, não deixo de ser professora. Quando você tira uma dúvida de um colega menos experiente ou de um estagiário, não deixa de ser um ensinamento. Em casa eu também sou professora. Dos meus pais, quando ensino a mexer no celular ou no controle remoto do DVD. Do meu sobrinho, quando ele pede ajuda no trabalho de espanhol. E, claro, de Renato, meu filho. Ensino as cores, ensino a contar, ensino as letras do alfabeto. Só na hora de falar é que dei vacilo: como sou muito desbocada e criança é feito papagaio, a primeira palavra que ele falou foi a-álho. Não, não vou explicar. Assim como o mIRC e o ICQ, nada mais tenho a dizer sobre isso...
Eu acho que não me daria bem como professora. Assim... não pra ganhar a vida com isso. Acho, né... pode ser que amanhã eu me descubra no magistério... mas hoje... não. Mas é uma categoria que merece, sem dúvida, todo o meu respeito. Principalmente nos dias de hoje, que não há reconhecimento algum pela figura do professor. Quando eu estudava no Agnes, conversar na aula era motivo pra ser expulso da sala. Hoje, pelo que meu sobrinho conta, se o professor pedir silêncio de uma maneira mais rigorosa, os pais reclamam na escola, dizendo que os professores estão intimidando os alunos. Eu, hein...
Eu guardo boas lembranças de vários professores que passaram pela minha vida e penso com carinho em muitos dele. De outros, nem lembro. Com tudo é assim, né? Normal. 
Pois eu desejo pra essa categoria que o piso nacional e demais ganhos que ainda estão no papel nos estados e municípios sejam logo implantados. Desejo que vocês não precisem se desdobrar dando aula em mil escolas diferentes para conseguir manter a família. E desejo, principalmente, que as pessoas vejam vocês como o que vocês são: principais responsáveis, junto com a família, pela formação da sociedade.
E eu fico esperando um novo convite para dar uma aulinha aqui, outra ali... Vai que eu me empolgo e me descubro como professora, né? =P

sábado, 17 de março de 2012

Maturidade é sinônimo de... liberdade!!!

liberdade é mesmo um sonho... possível.
A cada dia que passa eu me convenço mais e mais de uma coisa: sentimento ruim é feito câncer. Quando a gente não extirpa, a tendência é que cresça, cresça, até tomar todos os espaços da nossa vida.
Logo, a coisa mais inteligente a fazer, qual é? Não cultivar sentimentos ruins. Né? Mas é incrível a tendência do ser humano a fazer justamente aquilo que faz mais mal. E remoemos, remoemos, remoemos, até que tudo na nossa vida passa a girar em torno disso. E, é mesmo, feito câncer. Toma conta de tudo.
Tudo seria muito mais fácil se aprendêssemos a superar os reveses da vida. Em todas as áreas, quero dizer. Afetiva, familiar, profissional, et cetera. Ontem mesmo, conversando com um amigo sobre um estresse familiar recorrente, ele me aconselhou a fazer o que eu tenho que fazer, mas exigir reconhecimento.
Eu acho que algumas coisas não podem ser exigidas. Elas têm que ser espontâneas e verdadeiras, caso contrário não tem o menor sentido. Gratidão, amor e amizade são exemplos. Tipo assim: do que adianta uma pessoa te agradecer uma coisa que você fez se a gratidão não é sincera e veio apenas por obrigação? Essa gratidão e nada é a mesma coisa. Ou pior ainda: um sentimento nobre o bonito, como a gratidão, pode virar algo negativo. Hummm... é complexo isso, viu?
Vejo hoje que com a maturidade (e as lapadas da vida, claro) eu aprendi a ser mais resignada diante do que eu não posso mudar. Há coisas, como os meus estresses familiares recorrentes, que eu definitivamente não posso mudar. Então é melhor me resignar e conviver com isso do que viver em pé de guerra e cultivando toda sorte de coisas ruins dentro de mim? Bom, eu prefiro assim. É algo mesmo tipo a máxima “o que não tem remédio, remediado está”. É conformismo? Não acho. Na minha modesta opinião, é como disse há pouco: maturidade... E, me arrisco a dizer, que é, também, liberdade. 
Liberdade sim. Pois pode até ser clichê, mas não há prisão pior do que as que criamos para nós mesmos com nossos medos, nossos rancores, nossas mágoas, nossas inseguranças. Quando aprendemos a lidar com isso... ah... é libertador. É viver com a certeza de que aquele determinado percalço pode até me derrubar. Mas no chão eu não fico, nem a pau! 
Conheço uma pá de gente que é assim: vive e respira negatividade. Eu mesma já fui muito assim.... Adorava sofrer e remoer. Ainda bem que amadureci. Entendam que não estou minimizando os problemas de ninguém... mas poxa... tem que deixar o rio correr!!! Dê o seu tempo, viva seu luto e vire a página.  Mas não dê ao problema um milímetro a mais de importância do que ele tem. E, principalmente, não faça dele o cerne da sua vida. Afinal o mal que está dentro de nós faz mais mal para nós mesmos do que para qualquer outra pessoa. Além dos males da alma, dá gastrite, ruga e cabelo branco.
Tem uma música de Arnaldo Antunes, da época em que ele ainda era do Titãs, que se chama “Saia de Mim” (ela está no álbum "tudo ao mesmo tempo agora", de 1991). A letra é agressiva, mas tentem ver além disso. Arnaldo, em sua poesia, diz que devemos tirar de nós e das nossas vidas tudo aquilo que nos faz mal. Posso não concordar muito com a forma, mas concordo 100% com o conteúdo. E é isso aí.

Saia de Mim
(Arnaldo Antunes)

Saia de mim como suor
Tudo o que eu sei de cor
Sai de mim como excreto
Tudo que está correto
Saia de mim
Saia de mim
Saia de mim como um peido
Tudo o que for perfeito
Saia de mim como um grito
Tudo o que eu acredito
Tudo que eu não esqueça
Tudo que for certeza

Saia de mim vomitado,
Expelido, exorcizado
Tudo que está estagnado
Saia de mim como escarro
Espirro, pus, porra, sarro,
Sangue, lágrima, catarro

Saia de mim a verdade!
A verdade!