sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Vivendo meu tsunami pessoal

só não vale se afogar!
Hoje eu acordei com uma horrível sensação de fracasso. Fracasso afetivo, quero dizer. Eu sei que isso é normal quando terminamos um relacionamento há pouco e que o sentimento chato vem e vai, como as ondas. Mas hoje essa onda estava mais para tsunami: foi devastadora. O motivo eu bem sei – um comentário de uma amiga, leitora do meu blog: “poxa, vocês terminaram? Que pena... eu era fã do gatinho”
É. Eu também era. Na verdade... ainda sou. Não é porque ele terminou o relacionamento que deixei de ser fã dele. Mesmo consciente de todas as coisas negativas da relação eu sempre acreditei muito nela. Sempre achei que juntos ele e eu conseguiríamos superar todas as milhares de diferenças. Eu até achava graça nelas, às vezes. Ele, organizado demais, eu nem tanto. Ele, disciplinado, eu não. E ele sempre – sempre me cobrava organização e disciplina. E tentei, no começo, ser mais assim pra ele. E esse foi o erro: ser pra ele, não pra mim.
Veja bem, eu tenho quase 39 anos de idade. Vivi mil coisas, fiz mil coisas, tive milhares de erros e acertos. E estou aberta às mudanças, sei que elas farão parte da minha vida até o fim dela. Mas acho que devo mudar quando algo me incomoda ou quando o fato de tal coisa estar incomodando os demais passar a ser um problema pra mim. Mas mudar apenas para agradar outra pessoa... maybe not
Exemplo: a disciplina e a organização que ele tanto me cobrava tinham a ver com alimentação, exercícios e finanças. Ele dizia que eu não me alimentava bem, e como fiz redução de estômago preciso ter cuidado com a alimentação. No quesito exercício era a mesma coisa. “Tem que ter meta”, dizia ele. E eu me martirizava por não ter o mesmo entusiasmo que ele pela malhação. Talvez por ter sido gorda a vida inteira nunca gostei do ambiente de academia. Mas mesmo assim eu me cobrava por não gostar de malhar, sofria com isso e ficava me enganando e enganando ele dizendo que ia começar a puxar ferro. E, com grana, nem se fala. Ele sempre destacou a minha grande facilidade de ganhar dinheiro e a maior facilidade ainda de gastá-lo. 
Tá. Eu concordo com as três coisas. Eu bem que poderia me alimentar melhor mesmo. Eu bem que poderia malhar. Eu bem que poderia ser menos gastadeira. Mas o que eu não acho legal é, além de bater sempre na mesma tecla, fazer disso um problema. Quando vira problema a ligação na hora do almoço deixa de ser um mimo e passa a ser uma cobrança. “Já almoçou? Pô, cara... paçoca não é almoço! Você não se cuida!”
Outra coisa que ele me cobrava era em relação à bebida. Ele dizia que eu tinha problemas com bebida. Não que eu seja “maria-vai-com-as-outras”, mas é engraçado lembrar que na minha relação anterior (seis anos atrás), que durou dois anos, o rapaz não bebia. E eu, durante o tempo que durou o relacionamento, também não. Fazíamos várias outras coisas juntos e beber não estava entre elas. Eu gostava de beber? Nem mais nem menos do que gosto hoje. Mas nunca era o foco dos encontros. Além do mais o meu estômago reduzido absorve o álcool mais facilmente do que um estômago normal. Resultado: eu fico bêbada rapidinho. Sou alcoólatra? Não, não sou. Me divertiria sem a bebida? Sem dúvida alguma. Isso me leva a crer que se você gosta de cinema é está com uma pessoa que também gosta, fatalmente a programação sempre vai ter um cineminha no meio. Não é verdade? 
Mas, na real, nada disso importa. Porque a verdade mesmo é que ele terminou comigo por não querer mais a relação. A minha má alimentação, minha falta de organização e disciplina não foram os motivos reais. O motivo é que ele gosta de mim como amiga, como ele sempre faz questão de me dizer “eu sou uma pessoa muito especial”. E não quer me magoar nem me enganar. Isso fortalece ainda mais o conceito dele comigo. Ele é uma figura de muito bom caráter. Afinal ele poderia continuar comigo e sair por aí me sacaneando. Não fez, mó legal. Mas também não quer dizer que doa menos. Aí eu lembrei de uma cena daquele filme bacana, “Os Incríveis”, que a mãe, a Mulher Elástica, consola o filho Flecha dizendo que “todo mundo é especial”. Ele, triste, responde pra ela: “essa é apenas outra forma de dizer que ninguém é”. Olhai! Viva a filosofia dos desenhos animados!
Estou sentindo falta do gatinho. Sinto falta de receber ligações e de ter pra quem ligar pra contar as leseiras do dia a dia. Sinto falta de dormir abraçadinha e de andar de mãos dadas. Sinto falta do cheiro dele e do aconchego dos seus braços. Sinto falta de fazer planos para o final de semana. Sinto falta do que ainda íamos viver. Sinto falta até das encheções de saco dele. E isso tudo é, mesmo, devastador. Mas estou procurando deixá-lo à vontade, estou dando o espaço que ele tanto quer. Por mais que me doa fazer isso. Se ele quer viver 10 anos a mil... que seja. Como diria Lobão, é mesmo melhor do que “mil anos a 10”. Seja feliz, gatinho! Sou - mesmo - sua fã.
Olhando para trás e fazendo uma análise da minha vida amorosa percebo que nunca dei muita sorte. Fui noiva duas vezes, tive namorados, ficantes, casinhos. Mas todos eles não evoluíram. Alguns porque eu não quis, outros porque eles não me quiseram. Alguns que não que me quiseram depois se arrependeram, mas aí já era tarde demais. E tudo isso me dá uma preguiça... 
Sei que eu deveria ficar feliz com a possibilidade de viver algo novo, de começar algo novo. Afinal o novo é bom, não é? Carro novo é bom. Roupa nova é legal. Sapato novo é sensacional. Mas não estou feliz. Além de ter perdido uma história na qual eu realmente acreditava fico pensando como vai ser derrubar todas as minhas barreiras novamente para uma outra pessoa, criar intimidade com ela, construir uma nova história... É. Talvez seja legal mesmo. Mas não agora. Hoje não. Ainda estou vivendo meu luto e só de pensar nisso tudo fico muito, muito cansada. 
Acho que estou agora exatamente no local onde quebra o meu tsunami pessoal. Estou tentando sair da quebrada da onda e recuar um pouco, pra conseguir afundar. Afundando deixo que a água passe sobre mim. Às vezes é preciso afundar pra tocar o chão e conseguir voltar à superfície. Clichê, não? Mas verdadeiro. E depois que o tsunami passar pretendo levantar a cabeça e sair da água. Mais forte, espero. E mais madura. E pronta para começar de novo. De novo...

3 comentários:

  1. Quer uma dica? Alguem já me disse q se vc quiser mto uma coisa , deixe-a livre.. se voltar pra vc, é seu pra sempre. Mas se nao voltar, nunca foi seu. E tem outra.. as pessoas passam pela sua vida para lhe darem uma liçao , cada uma delas vc aprende coisas novas para quando esse alguem verdadeiro aparecer, vc vai já estar preparada. E no dia q vc resolver , a ser, vc MSMA e nao mudar por ninguem.. e desistir de procurar.. daí sim, essa pessoa verdadeira vai lhe aparecer. Portanto pense q essa falta q vc está sentindo, vai ser passageira, e msmo q demore ou nao, vc ainda vai encontrar esse alguem, é só preciso ter muita FÉ.
    ;D

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  2. p.s esqueci de mencionar tbm q, se essa pessoa sempre quer ficar te cobrando para vc mudar, significa q ela nunca te amou de verdade. Uma pessoa verdadeira sempre vai lhe amar do jeito q vc é, e nunca tentar te modificar.. Portanto, foi um lado positivo. Pense nisso td.

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  3. pois é... mas ele não me enganou, né? ele me disse que não estava correspondendo... e amar... é relativo. acho que ele me amou sim, eu me senti amada muitas e muitas vezes. mas o que tínhamos não foi o bastante para segurar a relação. faz parte da vida. na verdade este post foi um desabafo mesmo, um exorcismo. algo que eu precisava botar pra fora. mas obrigada pela força, viu? volte sempre.

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