sábado, 10 de dezembro de 2011

O importante é ter classe!

Bayerische Motoren Werke.
em português: Fábrica de Motores da Baviera
Ontem aconteceu na minha vida mais uma primeira vez. Foi a primeira vez que bati com o carro. É, amigos... aconteceu sim. E foi uma primeira vez que eu dispensava totalmente. Bater com o carro não é nada legal. Primeiro que é um barulho infernal, um susto arretado e uma sensação péssima. Mas é claro que a minha batida – ainda mais se tratando de uma primeira vez – não poderia ser uma simples batida. Até na hora de bater com o carro eu tenho classe. Eu bati, nada mais, nada menos, do que numa BMW. É, numa BWM, aquele carro de origem alemã, caro pra cacete. É, é ele mesmo. 
A batida foi a mais feminina possível. Eu estava saindo do meu trabalho n° 3, do qual sou chefe de reportagem, e tinha deixado uma equipe na rua fazendo uma matéria sobre a iluminação natalina das pontes e praças do Recife. Fofinho, não? Eis que subindo a Ponte do Limoeiro, sentido av. Norte, curtindo o habitual trânsito lento do local, me distraio observando a iluminação da ponte Princesa Isabel, que estava à esquerda, pensando se a equipe já tinha passado por lá. Percebi o trânsito andando, olhei pra frente, vi que o cara andou, engatei a primeira e voltei a olhar para o lado do Palácio das Princesas. Obviamente não percebi que o cara – que estava dirigindo a tal BMW – parou. E, consequentemente, enfiei o nariz do meu pobrinho Ford Ka na bunda do rico veículo dele. 
Eu só me dei conta que tinha batido com o barulho. Um barulhão, aliás. Olhei pra frente e vi o carro parado. Procurei ver a marca do carro, pra ter a exata noção do tamanho da merda que tinha acontecido. Eis que vejo ela, a marca da BMW. A partir desse momento eu não via mais nada, só a marca do carro que saltava em minha direção. Fiquei algum tempo dentro do carro, esperando a reação do dono da BMW. Ele não fez nada, então resolvi sair do carro. Aí ele também saiu. Fiquei ainda mais apavorada: sua camisa exibia o símbolo da Polícia Federal. Agora duas marcas saltavam aos meus olhos, a da BMW e a da Polícia Federal. Ele olhava para o pára-choque do carro dele e para a câmera de ré, completamente destruída. Ele começou a falar comigo e eu não entendia absolutamente nada do que ele dizia. Pensei que ele era gringo, pois tinha imensos olhos azuis. Falei pra ele que não estava entendendo, e ele repetia, repetia e eu continuava sem entender. Aquilo foi me dando um nervoso tremendo, pensei que eu estava tendo algo na cabeça, pois não conseguia entender o que ele falava. Meus olhos encheram d’água e eu senti que ia chorar a qualquer momento. Ele percebeu e começou a me acalmar. Aí aflorou o meu lado mulherzinha: sucumbi ao choro. Chorando e tremendo, ora olhando para o símbolo da BMW na traseira do carro amassado dele, ora olhando para a camisa da PF, eu desmoronei. 
Ele, coitado, ficou sem saber o que fazer. Perguntou meu nome. “Anna”, respondi. “Anninha, fiiii-fiiii-que ca-aaaaaaaaalma. Não ffffffoi nnnnaaaada graaaaave”, disse ele. Foi aí que percebi porque eu não estava entendendo nada do que ele estava dizendo. Ele é gago! Muito gago, aliás. Entre lágrimas, perguntei: “esse carro é um BMW mesmo?”. “É”, respondeu sorrindo. “Mas é veeeeeeeeelha, não se prrrrrreocuuuuuuuuupe. Não foi naaaaaaaada ddddddddddemais”, completou. 
Liguei pra minha amiga Hélida, que também estava saindo do trabalho naquela hora. Ela veio me acudir. Quando ela chegou, eu berrei histérica: “Hélida, bati numa BMW!!”. Ela riu e disse: “Ah, Kiki... só tu mesmo...”. Terminou tudo bem. Claro que ele olhou atravessado quando entreguei meu cartão para que ele me ligasse na segunda. O nome que tem lá é Kiki Marinho. Mas expliquei e ficou tudo bem. Agora é esperar a lapada que vem por aí. 
É claro que a minha primeira batida não poderia ser algo normal, né? Algo como um poste, uma calçada, ou um carro do top do meu. Tinha que ser assim, num carro caro. Mas tudo bem. Deixa rolar. Só espero que eu não tenha que vender o meu Karrinho pra pagar o dele...

3 comentários:

  1. Comigo foi meio parecido. A diferença é que a minha primeira batida de responsa não foi na traseira de um BMW. Foi na bunda de um jumento, lá em Salgueiro. E o animal nem era gago. Meu carro até que não estragou muito. Agora, a cueca foi perda total.

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk... perda total na cueca é sensacional!!! ai, Ed... como tu me faz rir! =)

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  3. Só vc mesmo Kiki, até nisso tem q ser especial. Bjão

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