sábado, 22 de outubro de 2011

Tem que ter peito!

qualquer semelhança... (foto by RR)
Renato mamou, exclusivamente, até os seis meses de idade. Isso corresponde a aproximadamente 180 dias de peito enchendo e secando várias vezes por dia. Vou ser mais específica. As mamadas aconteciam a cada três horas. Tradução: oito vezes a cada 24h. Isso quer dizer que meus peitos se encheram de leite e foram esvaziados pelo pequeno Renato algo em torno de 1440 vezes ao longo desses seis meses. Continuei dando o peito, ele mamou até uns 10, 11 meses. Depois não quis mais, nem eu aguentava, pois ele já tinha oito dentes na boca. 
Lembro uma vez, já no final desses seis meses, quando tive uma crise de diverticulite. Fui internada e fiquei pouco mais de um dia no hospital. Os meus peitos ficaram enormes, extremamente doloridos, cheios de leite. Eles jorravam leite e a cama do Português ficou ensopada. Fiz ordenha, mas para secar aquele leite todo nada seria tão eficaz quanto o meu filhote. A dor era realmente muito grande. A pele estava tão esticada que a impressão que eu tinha era que meus peitos iam explodir a qualquer momento. 
Por que estou falando sobre isso? Porque a sensação que estou agora é mais ou menos a mesma daquele dia. Meus peitos estão enormes, extremamente doloridos, inchados, com a pele parecendo que vai romper. Só que não é leite. São próteses de silicone Arion, de 185 ml cada. Já tinham me dito que a adaptação da pele ao novo volume era incômoda, mas acho que incômoda é uma palavra que não descreve bem isso não. É mais que incômodo. Também não é insuportável. É algo como... irritante. Além da prótese há, também, os líquidos decorrentes da cirurgia. Imagino que estamos falando de sangue e gordura, mas não tenho certeza do que se trata não. É pra isso que serve a drenagem linfática, para ajudar na liberação desses líquidos. A acomodação de prótese deve acontecer com 15 ou 20 dias. Estou com nove dias de operada e já me imaginei arrancando as próteses loucamente, como se não houvesse amanhã. Mas calma, não vou fazer isso. Eles foram muito caras, as próteses. R$ 1.800,00 o par. E essa conta o plano de saúde não pagou... 
obra de Abelardo da Hora
Mas o lado bom da cirurgia não é um lado bom. É um lado... ótimo!!! O resultado, né? Peitos. Não tem preço olhar no espelho vê-los ali, tão bonitinhos. É um sonho realizado que vale até essa dor irritante que é a acomodação da prótese. Claro que agora estou meio parecida com uma escultura de Abelardo da Hora, mas dr. Pita disse que com o tempo eles vão ficar lindos e naturais. Ele é bom no que faz. Confio nele. Se ele falou, tá falado.  
É, amigos. Tudo isso me faz refletir sobre todos os danos que causei ao meu corpo sendo tão imprudente com a minha alimentação. Tenho consciência de todos os procedimentos arriscados (toda cirurgia é um risco) aos quais precisei e ainda precisarei me submeter para tentar arrumar o que anos e anos de engorda provocaram. Meu corpo carregará, para sempre, as marcas da obesidade. Mas eu não me incomodo. Fiz minha escolha e estou focando no resultado. Faltam duas cirurgias plásticas: braços + costas e coxas. Previsão da próxima etapa: março de 2012. No final do arco-íris há um corpo esbelto, mas repleto de cicatrizes. 
Mas não me incomodo com as cicatrizes. Estou disposta a carregá-las. Quem já carregou 60 kg a mais sabe, literalmente, o “peso” que as escolhas têm. E eu fiz as minhas e estou feliz com elas. Mesmo com as dores, os riscos e as marcas. E é isso que vale mesmo no final de tudo. É estar em paz com o caminho que resolvemos trilhar. Que venha a próxima etapa, então! Estou pronta e agora tenho - literalmente - muito mais peito para enfrentar tudo isso! Mas... só daqui a cinco meses, tá? =P

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