quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A primeira reunião pedagógica a gente nunca esquece...

bebezinho de Itu
Ontem tive a primeira reunião pedagógica na escola do meu filho. Eu estava tensa, sabe? Não vou mentir que estava. Na última sexta, quando fui buscá-lo, a tia lá falou: “mãe, precisamos fazer uma reunião para avaliar o desenvolvimento de Renatinho”. “Aconteceu alguma coisa?”, perguntei. “Não”, respondeu ela. “É uma reunião normal, de avaliação da evolução dele”, completou. “Ele está batendo nos coleguinhas?”, insisti. “Não, mãe”, disse ela. “Fique tranquila, é apenas uma avaliação pedagógica normal, todas as mães são chamadas”, concluiu. 
Não fiquei tranqüila. Fiquei pensando no que poderia estar errado para ser chamada na escola para conversar sobre o desenvolvimento do meu filho de 2 anos e 9 meses. Lembrei logo do meio do ano, quando por insistência grande família, levei Renato para um neuropediatra, que passou uma ressonância magnética para ele e ele teve que ser sedado, coisa que eu odeio. 
Eu percebo várias coisas no meu filho. Lógico que como eu só tenho ele é difícil saber se as coisas que ele faz são certas ou erradas, se é que existe esse conceito. Ele cai muito, é fato. Levei-o a oftalmologista e ortopedista. O primeiro disse que ele vê bem. O segundo disse que ele, por andar na ponta dos pés, deve ser avaliado a cada seis meses. Mas ele, o médico, acha que Renato cai por ser grande demais para a idade. Renato não tem três anos e calça 27. Né? 
Depois de todos esses pareceres fiquei tranquila e acreditando que o comportamento agitado de Renato tem mesmo a ver com a personalidade dele, que não é em nada diferente da minha. E que ele cai por falta de equilíbrio mesmo, mas não por ter algo neurológico, mas apenas por ser, de fato, grande demais para a idade. Eis que ontem, à tarde, sigo para a reunião. Cheguei aberta, baixei as minhas defesas e estava receptiva ao que ia ouvir. 
A primeira frase proferida pela pedagoga: “mãe, estamos preocupadas com o desenvolvimento de Renato”. Automaticamente cruzei as pernas e os braços que, para quem não sabe, indica que estou me fechando para a pessoa que está interagindo comigo. Saco! Continuei escutando o que ela estava dizendo. Coisas como “você já percebeu que ele cai? Que ele não tem equilíbrio?”. E comecei a ser bombardeada por uma série de coisas nas quais eu não pensava há três meses, que foi quando neuropediatra descartou qualquer problema no juizinho dele. 
O que me deixou de fato puta da vida foi o olhar de complacência acusatória das duas. Aquela cara de que estão pensando que eu sou omissa. Eu disse assim: “vê só, é lógico que eu percebo que ele cai, percebo que ele bate a cabeça, percebo que ele não tem muito equilíbrio. Acompanho isso de perto, já levei aos médicos que a pediatra dele indicou – oftalmo, ortopedista, neuropediatra”“Ah, você já levou? O que eles disseram?”, perguntaram. Expliquei tudo, inclusive que ele descartou hiperatividade e DDA. O olhar continuava. Aí eu falei: “olha, eu sou ausente, mas não sou omissa. Eu acompanho meu filho mesmo de longe, mas trabalho em três lugares para sustentá-lo”
Aí veio o golpe de misericórdia: “mãe, não abandone seu filho”. Abandonar? ABANDONAR?? Como assim? Cara, isso me deixou péssima. Acho que ela, a que falou isso, percebeu. E disse que elas queriam o melhor para Renato, pois ele também era o Renato delas, blá blá, blá. Depois elas indicaram uma neuropediatra da confiança da escola, que não atende por plano de saúde e cobra 250 pilas na consulta. Rá! Fala sério!! “Vou levá-lo ao médico que estava levando antes, obrigada”, respondi. “Mas ele pode não ter visto alguma coisa no exame. Essa nós conhecemos e temos certeza de que se houver algo errado ela vai detectar”, explicou. Não sei. Sinceramente não sei. Fico me perguntando se não é feito médico que indica um remédio de referência no lugar de passar a droga, pois recebe premiações dos laboratórios. Sei lá, né? Saí de lá muito, muito triste mesmo. Com uma sensação de fracasso e impotência enorme. Mas passou. Conversei longamente com o gatinho, que além de ter filhos tem, também, o dom de me acalmar.
Hoje eu acordei cheia de ideias sobre como vou proceder com Renato. Vou levá-lo a uma fonoaudióloga e a uma psicóloga. Mas analisando friamente, fora do bombardeio de informações, não acho correto cobrar de Renato, que entrou na escola em agosto, o mesmo nível de desenvolvimento das crianças que começaram o ano lá. Faz sentido, ou não faz? Ora essa!
Mas mesmo que haja algum interesse financeiro nessa reunião, posso dizer que fico satisfeita em ter mais gente olhando pelo meu filho. Criar filhos sozinha não é fácil. Agradeço a Deus por ter meus pais, eles me ajudam muito. Mas pense numa coisinha pra deseducar: avô e avó. Aff... É isso. Bola pra frente. Essa foi, apenas, a primeira reunião pedagógica de muitas, muitas outras que com certeza virão. 

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