terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dura Lex, Sed Lex

a lei é dura, mas é lei.
É. As coisas realmente não são simples. Pelo menos a maioria delas não é. Creiam, amigos: mesmo com três - sim, eu disse TRÊS - pareceres médicos atestando a necessidade de que eu seja submetida às cirurgias plásticas reparadoras nas mamas, coxas, barriga, braços e costas o meu plano de saúde autorizou apenas o procedimento da dermolipectomia de abdome. Não sei porque estou tão chocada. Era mesmo de se esperar. Afinal, como eu disse na primeira linha deste post, as coisas não são simples. O curioso é que além dos três pareceres dos cirurgiões que apresentei à Excelsior o próprio médico deles, que fez a perícia do procedimento, corroborou o que os demais disseram: abdome em avental (odeio essa expressão) e ptose mamária. Logo, conclui-se que, pelo menos, essas duas intervenções, já que atestadas pelo profissional da casa, deveriam ter sido liberadas. 
Mas não. Liberaram, apenas, a barriga. Quando fiquei sabendo da notícia minha primeira reação foi tão tranquila que até estranhei. Pensei assim: "tudo bem, vou ver como resolvo isso... talvez eu pague o peito do meu bolso mesmo". Eu estava no trabalho número 2, lá em tão, tão distante. "Viajei" de volta pra casa ouvindo o CD do Skank e, quando cheguei, assumi o papel de mãe: dar banho, dar jantar, brincar, botar pra dormir. Claro que depois dessa maratona eu também fui dormir. Hoje pela manhã caiu a ficha. Minha cirurgia está marcada para o dia 14, ou seja: sexta-feira da semana que vem. Está em cima da hora. E, para fazer o peito pagando, teria que desembolsar R$ 7.000,00 (sete mil reais). Ah, que bobagem! Vou ali quebrar o porquinho de Renato e pegar essa mísera quantia! Lógico que eu não tenho essa grana, né? Jornalista + mãe solteira = lisa. Fato. 
Resolvi, então, que vou ter que apelar para a justiça, pois administrativamente, junto à Excelsior, não consegui resolver. Inclusive argumentei com a atendente sobre isso, sabe? Disse pra ela que essa manobra do plano era só pra ganhar tempo. E eu, realmente, não entendo o que eles ganham com isso. Afinal existem zilhares de jurisprudências sobre o assunto (www.jusbrasil.com.br: site mó legal!). Em Pernambuco, inclusive, há uma Súmula, a número 030, que diz o seguinte: "é abusiva a negativa de cobertura de cirurgia plástica reparadora complementar de gastroplastia". Tá dito, né? Há, também, uma decisão do STJ que "determina que a cirurgia para retirar excesso de pele faz parte do tratamento da obesidade e deve ser paga pelo plano de saúde". Não é uma Súmula, é uma decisão proferida pelo ministro Massami Uyeda, mas é, nada mais, nada menos do que uma jurisprudência federal. FE-DE-RAL. 
O que toda essa ladainha jurídica quer dizer? Quer dizer que a possibilidade de que o plano tenha ganho de causa num processo desses é remota, muito remota. O ministro diz, em seu relato, que "está comprovado que as cirurgias de remoção de excesso de pelé consistem no tratamento indicado contra infecções e manifestações propensas a correr nas regiões onde a pele dobra sobre si mesma, o que, inequivocamente, afasta a tese defendida pela recorrente de que tais cirurgias possuem finalidade estética". Pois é. Esse cara, o ministro Uyeda, sabe das coisas. Ele sabe, eu sei, os médicos sabem. Só quem não sabe é a Excelsior. Não sabe o que venho sofrendo com esse excesso de pele, não apenas fisicamente, como bem disse o ministro. Mas psicologicamente mesmo. Minha autoestima está abalada, não há como negar, por mais que eu tente. 
A gastroplastia foi uma benção na minha vida, ocupa o segundo lugar na lista das melhores coisas que fiz (a primeira é Renato, course). Mas esse, digamos assim, efeito colateral, é punk. Mesmo com toda a minha cabeça feita e bem resolvida é mentira se eu disser que não me incomoda. Incomoda demais. Lendo o laudo da minha terapeuta, dra. Rita, percebi isso ainda mais claramente. Ela, que me escuta toda semana, sacou antes de mim o quanto o problema está me afetando. Ela diz, no laudo, que eu só conseguirei me reconhecer de fato quando isso, o excesso de pele, estiver solucionado, pois tem a ver com a minha percepção do resultado positivo da gastroplastia. Tradução: eu só vou entender, de fato, como foi bom pra mim ter feito a bariátrica quando o resultado final for satisfatório, com perda do peso e a pele no lugar. Assentada, por assim dizer. Aí, só aí, terei consciência plena do que realmente sou, melhorando o meu convívio comigo mesma e com as pessoas ao meu redor. 
Profundo, né? Mas é a pura verdade. Grosseiramente falando é como uma analogia ao Retrato de Dorian Gray, algo mais ou menos assim: amo o que vejo no espelho quando estou de roupa. O resto da frase vocês podem imaginar... Pois é isso. Hoje passei o dia procurando um advogado pra atuar na causa, buscando respaldo jurídico sobre o tema e fazendo contas e mais contas. Pra completar fui ao Fotobeleza buscar as tais fotos médicas. Erro: abrir o envelope. Mas mesmo odiando o que vi ali, assim como Dorian ao ver seu retrato se deteriorando em seu lugar, não vou fazer como ele e esconder a minha vergonha no sótão. Vou é correr atrás do prejuízo. Aliás, prejuízo não. Lucro. Vou correr atrás desse lucro que tanto quero: ficar feliz diante do espelho, com e sem roupas. E, no final de tudo, mesmo com toda dificuldade imposta pelo plano, tenho certeza que vou conseguir. 
É pra brigar? Que seja, então. Não é à toa que eu era fã de Van Damme na adolescência. Meu lema sempre foi "retroceder nunca, render-se jamais", hahahahahahaha. Deus está comigo, e tenho muita, muita fé Nele. As coisas vão se resolver. Amém. 

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