quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Adeus, dreno!!!

liberdade pra dentro da barriga...
Sim, amigos! Existe vida após o dreno! E trata-se de um vida sem mangueirinhas saindo de você, sem bolsas coletoras e sem dores e incômodos no pé da barriga. Ele, o dreno, saiu de mim ontem à tarde, depois de 13 dias da cirurgia, no consultório de dr. Pita. E nem doeu, sabe? Pra tirar. Foi mais aquela gastura mesmo, uma sensação de algo se movendo dentro de você, tipo na música de Caetano ("mexe qualquer coisa dentro doida..."). Mas dor? Não. Graças a Deus. 
E, como num passe de mágica, depois da saída do dreno, consegui levantar mais facilmente, consegui ficar mais ereta e consegui andar mais normalmente. Ah... como é bom! Agora sinto, de fato, que estou em franca recuperação. Por falar em recuperação, dr. Pita disse que estou indo muito bem. Dos três locais tradicionais de ruptura de pontos, as junções do pé da barriga e das mamas, apenas um (mama direita) ensaiou romper. Mas foi só ensaio. Bom, né? 
Já estou entrando naquela fase do pós-operatório que a dor causada pelo procedimento está virando uma lembrança. E, quando isso acontece, quer dizer que logo logo só verei mesmo o resultado. Foi assim na cesárea, que doeu horrores mas hoje nem lembro direito, e na bariátrica, que sei que doeu pra cacete, mas é tudo uma vaga lembrança... As dores se foram, mas os resultados, Renato e os 60 kg a menos, ficaram pra valer. 
Rachel*, minha amiga que me acompanhou ao consultório, quando viu meu novo shape disse: "espetáculo". Fiquei mó feliz!!! É. O resultado está ficando muito bom. Estou cheia de cicatrizes, mas não me importo. Que venham as outras cirurgias, as outras cicatrizes e o melhor de tudo: os outros resultados. Estou, realmente, como bem disse o meu amigo Mandrey: "quem venha essa nova mulher de dentro de mim com olhos felinos felizes e mãos de cetim...". Que venha, então, a nova Kiki. =)
E para comemorar a minha fase DD - Depois do Dreno - fui ao Nirai com Rachel e comi o melhor prato de shitake e shimeji de toda a minha vida. Simplesmente sensacional!! Tão bom, mas tão bom que eu não poderia deixar de compartilhar isso com vocês. 


* Precisando de umas dicas sobre moda, cabelo, maquiagem? Está sentindo necessidade de dar uma upgrade no visual? Não sabe como organizar uma festa? Rachel Plutarco é a solução para os seus problemas. Acesse www.catwalkconsultoria.com. Eu recomendo! =) 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Drenando o meu bom humor

de galinha à torta de frango. foco no resultado!
Hoje eu vou tirar o dreno. Estou muito, muito feliz. O dreno é, realmente, um troço muito chato. Aliás, tenho certeza que na porta do inferno tem um diabinho vestido de médico enfiando drenos nas pessoas que vão entrar. Ainda bem que eu não vou pra o inferno. Aff... 
O dreno, pensava eu, estava mais ou menos um palmo dentro de mim. Não é bem assim. É uma mangueira grande mesmo, acho que quase um metro, toda furadinha (para recolher os líquidos), com uma puta ponta de ferro (que não sei pra que serve). Só de pensar na agonia que vai ser pra esse trem sair de dentro de mim tenho calafrios. Minha vontade é tomar duas lapadas de jurubeba e chegar anestesiada no consultório. Mas não dá pra beber ainda. Corta o efeito do tylex. Saco!
Mas em linhas gerais estou bem. Menos dolorida, conseguindo andar mais ereta. Estou menos inchada também, muito embora as minhas calças tamanho 42 não estejam fechando. "Você ainda está inchada, Anna", diz a fisio Milena. É, é verdade. E pra completar, menstruei. Menstruação já corresponde normalmente a inchaço. Logo, estou duplamente inchada. Legal, né? 
Pra completar, o inchaço veio acompanhado da sensibilidade excessiva e vulnerabilidade, coisas normais nesses dias do mês. Chorei um sem número de vezes de segunda-feira pra cá. E o choro fez com que o meu nariz entupisse e, pra quem não sabe, assoar o nariz cirurgiada é terrível! Nada comparado com espirrar e vomitar, mas é doloroso também. O fato é que essas alterações hormonais são um saco! Mulheres ficam, mensalmente, reféns dos hormônios. Ok. C'est la vie.
Mas vamos mudar de assunto antes que eu comece, novamente, a chorar (entupir o nariz, blá, blá, blá...).
Vamos falar agora sobre descobertas. Estou, aos 38 anos, descobrindo o meu corpo. Como já falei outras vezes, é a primeira vez na vida que não tenho barriga. A cirurgia tirou a barriga quebrada, mas eu acho que quando a gente entra nessa de plástica fica pensando que vai sair da sala de cirurgia parecida com Gisele Bündchen. E, realmente, não é bem assim. Dr. Pita tinha me dito que o estrago, digamos assim, era muito grande no meu corpo. Que não ia conseguir arrumar tudo de uma vez. Pra completar, quando ele me abriu, encontrou duas hérnias. Bom profissional que é, ele as fechou. Mas ao fazer isso diminuiu o tempo que tinha para fazer a parte estética. A decisão foi correta e eu sou grata por isso. Mas eu queria mesmo era que cirurgia plástica fosse como uma máquina mágica de filme, como em A Fuga das Galinhas, que a penosa entra viva de um lado do equipamento e saí, do outro lado, já como torta de frango. 
Mas a vida não é filme, né? Aprendi essa lição com Hebert Viana, lá na década de 80. Mas acho que só agora comecei, de fato, a entende-la. Por exemplo: as dobras das costas continuam lá, firmes e fortes. Menores, mas lá. Cintura? Ainda não tem. Essas duas coisas serão corrigidas na cirurgia das costas, imagino. Só de pensar me dá uma preguiça... "a vida não é filme, você não entendeu..."
O caminho é realmente longo. Longo e difícil. Cirurgia é sempre um risco, né? Anestesia, coisa e tal. Mas não tenho medo. Se o caminho é esse, mesmo longo e difícil, vou cumpri-lo. Da melhor maneira que eu puder. Na redução de estômago foi a mesma coisa. Nos primeiros momentos eu achava que não tinha surtido efeito, pois a perda não era no ritmo que eu esperava. Mais uma vez sonhado com a máquina mágica da Fuga das Galinhas... E hoje tenho certeza que a bariátrica foi a segunda melhor coisa da minha vida (primeira = Renato). Isso quer dizer que quando o inchaço diminuir, o corpo assentar, a menstruação passar e os hormônios voltarem para o lugar tudo vai ser lindo e maravilhoso de novo. É uma escada, né? Longa escada da qual estou apenas no segundo degrau. 
E como estou melancólica hoje, me despeço com os versos da música Mais Uma Vez, de Renato Russo. Acreditar que o sol vai voltar amanhã é uma excelente coisa. Aproveitem. 

Mais uma Vez
(Renato Russo)



Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

sábado, 22 de outubro de 2011

Tem que ter peito!

qualquer semelhança... (foto by RR)
Renato mamou, exclusivamente, até os seis meses de idade. Isso corresponde a aproximadamente 180 dias de peito enchendo e secando várias vezes por dia. Vou ser mais específica. As mamadas aconteciam a cada três horas. Tradução: oito vezes a cada 24h. Isso quer dizer que meus peitos se encheram de leite e foram esvaziados pelo pequeno Renato algo em torno de 1440 vezes ao longo desses seis meses. Continuei dando o peito, ele mamou até uns 10, 11 meses. Depois não quis mais, nem eu aguentava, pois ele já tinha oito dentes na boca. 
Lembro uma vez, já no final desses seis meses, quando tive uma crise de diverticulite. Fui internada e fiquei pouco mais de um dia no hospital. Os meus peitos ficaram enormes, extremamente doloridos, cheios de leite. Eles jorravam leite e a cama do Português ficou ensopada. Fiz ordenha, mas para secar aquele leite todo nada seria tão eficaz quanto o meu filhote. A dor era realmente muito grande. A pele estava tão esticada que a impressão que eu tinha era que meus peitos iam explodir a qualquer momento. 
Por que estou falando sobre isso? Porque a sensação que estou agora é mais ou menos a mesma daquele dia. Meus peitos estão enormes, extremamente doloridos, inchados, com a pele parecendo que vai romper. Só que não é leite. São próteses de silicone Arion, de 185 ml cada. Já tinham me dito que a adaptação da pele ao novo volume era incômoda, mas acho que incômoda é uma palavra que não descreve bem isso não. É mais que incômodo. Também não é insuportável. É algo como... irritante. Além da prótese há, também, os líquidos decorrentes da cirurgia. Imagino que estamos falando de sangue e gordura, mas não tenho certeza do que se trata não. É pra isso que serve a drenagem linfática, para ajudar na liberação desses líquidos. A acomodação de prótese deve acontecer com 15 ou 20 dias. Estou com nove dias de operada e já me imaginei arrancando as próteses loucamente, como se não houvesse amanhã. Mas calma, não vou fazer isso. Eles foram muito caras, as próteses. R$ 1.800,00 o par. E essa conta o plano de saúde não pagou... 
obra de Abelardo da Hora
Mas o lado bom da cirurgia não é um lado bom. É um lado... ótimo!!! O resultado, né? Peitos. Não tem preço olhar no espelho vê-los ali, tão bonitinhos. É um sonho realizado que vale até essa dor irritante que é a acomodação da prótese. Claro que agora estou meio parecida com uma escultura de Abelardo da Hora, mas dr. Pita disse que com o tempo eles vão ficar lindos e naturais. Ele é bom no que faz. Confio nele. Se ele falou, tá falado.  
É, amigos. Tudo isso me faz refletir sobre todos os danos que causei ao meu corpo sendo tão imprudente com a minha alimentação. Tenho consciência de todos os procedimentos arriscados (toda cirurgia é um risco) aos quais precisei e ainda precisarei me submeter para tentar arrumar o que anos e anos de engorda provocaram. Meu corpo carregará, para sempre, as marcas da obesidade. Mas eu não me incomodo. Fiz minha escolha e estou focando no resultado. Faltam duas cirurgias plásticas: braços + costas e coxas. Previsão da próxima etapa: março de 2012. No final do arco-íris há um corpo esbelto, mas repleto de cicatrizes. 
Mas não me incomodo com as cicatrizes. Estou disposta a carregá-las. Quem já carregou 60 kg a mais sabe, literalmente, o “peso” que as escolhas têm. E eu fiz as minhas e estou feliz com elas. Mesmo com as dores, os riscos e as marcas. E é isso que vale mesmo no final de tudo. É estar em paz com o caminho que resolvemos trilhar. Que venha a próxima etapa, então! Estou pronta e agora tenho - literalmente - muito mais peito para enfrentar tudo isso! Mas... só daqui a cinco meses, tá? =P

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Minha casa, minha vida

de grão em grão...
Estou de licença médica. Quinze dias, prorrogáveis por mais quinze, dependendo da minha recuperação. Mas, graças a Deus, minha recuperação está ótima! Claro que ainda dói, né? Principalmente a parte da costura muscular, a pele já não incomoda tanto. É mais a coceira mesmo, que de acordo com a sabedoria popular é sinal de que tá sarando legal. Tenho certeza de que quando o dreno sair de mim a recuperação vai ser ainda melhor. Porque incomoda, viu? Hoje mesmo o cano entupiu. E não teve jeito de desentupir. Sem saber o que fazer, cortei um pedaço do cano. Funcionou. Mas agora ficou curto e a bosta da bolsa coletora fica batendo no meu joelho, além de repuxar ainda mais o acesso. 
Por falar em acesso, estava refletindo sobre a máxima de que tudo que entra... sai. Pois é. O dreno está do lado de fora mas está, também, dentro de mim. Mais ou menos um palmo dentro da minha barriga. E... tirar... tipo assim... dr. Pita vai puxar, né? Cara... essa vai ser uma daquelas experiências inesquecíveis. Negativamente inesquecíveis. Putz!
Mas eu queria mesmo era falar sobre esse ócio produtivo que está sendo a minha licença médica. Estou aproveitando para me organizar economicamente. Isso quer dizer que estou fazendo planejamentos financeiros. Estou planejando a realização do sonho da casa própria!!! Isso! Estou colocando no papel o projeto Kiki - Minha Casa, Minha Vida. O que isso quer dizer? Que já fiz um monte de contas e já sei de tudo que terei que abrir mão para poder economizar o bastante para começar a sonhar em ter meu cantinho de novo. 
Economizar é, pra mim, sinônimo de renunciar. Renunciar às coleções Arezzo, às massagens relaxantes, às cafeterias no final da tarde, aos rodízios de sushi frequentes, blá, blá, blá. Mas quando temos um objetivo que queremos alcançar, vale a pena abrir mão de algumas coisas. Basta pesar o que é mais importante. E, acreditem: ter minha casa é muito importante. 
Meu compadre é economista. E organizado financeiramente. Muito organizado mesmo. E ele me diz sempre que esse negócio de casa própria é coisa de classe média assalariada. Que uma pessoa sábia deve ter investido o montante suficiente para comprar um imóvel, mas não deve comprar. A segurança vem do dinheiro que está guardado, que também é um patrimônio, assim como o imóvel. Só que não há impostos a pagar, não há depreciação, et cetera. Já o dindim... bom, dindim é dindim, né? A possibilidade de erro investindo em guardar grana é mais remota. 
Eu acho que tem lógica o que ele diz. Pensa bem. Tem sim. Mas aí vem o outro lado. O lado de ter uma casinha sua, na qual você pode derrubar a parede que quiser, colocar um vaso sanitário na sala, se assim quiser, pregar a mesa no teto, se for da sua vontade. É. Tentador. Mas, como estou ainda na fase de planejamento, não vou me preocupar com isso agora. Vou começar a engordar minha poupança e fazer como Scarlet O'hara em E o Vento Levou... "amanhã eu penso nisso". O importante nesse caso, aliás, o importante em tudo nessa vida é dar o primeiro passo. Ter uma meta e traçar uma estratégia para cumpri-la. O resto... se encaixa na sequencia. 
Vale ressaltar que eu sonho em ter minha casa de novo há algum tempo. Na verdade acho que desde o momento em que devolvi a chave na imobiliária, hahahahhaa. Mas essa minha vibe de organização pra botar as coisas pra moer, tipo fazendo planilha, planejamento financeiro, economia, fazer os três questionamentos antes de comprar (eu quero mesmo? eu posso pagar? eu preciso mesmo disso?), pedir desconto, entre outras coisas, devo ao gatinho. O mérito é todo dele. De tanto me pentelhar dizendo que eu gasto demais, que eu sou desorganizada, blá blá blá, o discurso terminou sendo devidamente assimilado. Pronto, gato. Ponto pra você. E pra mim também, né? Ponto pra gente, então. =)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Embalada a vácuo

arroxa o nó!!!
A ausência de ar nas embalagens é um recurso utilizado em várias áreas da alimentação para conservar os alimentos. A retirada de ar/oxigênio da embalagem ganhou muitos adeptos por inúmeras razões: se não existe oxigênio, a deterioração dos elementos orgânicos não acontece. Tudo isso alinhado à embalagem hermética, evita-se as contaminações com exterior e a durabilidade dos produtosMó legal, né? Peguei essa preciosa informação ipsi literis de http://www.mexidodeideias.com.br, um site sobre café. Por que pesquisei sobre isso? Por estar extremamente curiosa sobre os benefícios do embalamento a vácuo, afinal é exatamente assim que estou agora. 
Hoje fui fazer a primeira drenagem linfática pós-operatória. E hoje também fui apresentada a ele, o terrível modelador. Mais estrangulador do que a meia de compressão anti-trombo, esse tipo de apetrecho pós-operatório pode provocar tontura, desequilíbrio, falta de ar e nós nas tripas, pois é impossível soltar pum usando ele. É, amigos. Não dá, acreditem. Eu tentei. Pensei que ia explodir. Eu, não o modelador.
Depois que voltei do consultório da fisioterapeuta passei umas duas horas deitada na minha cama pensando em tira-lo um pouco. Desisti, pois vesti-lo foi exaustivo para três pessoas: eu, que estava apenas de pé, sendo vestida; o gatinho e a fisioterapeuta. Esses sim suaram a camisa para me introduzir dentro dito cujo. Ufa! Foi sofrido, mas cá estou. Devidamente embalada a vácuo. Assim como os cafés, as picanhas maturadas e as carnes de charque. E cheguei à seguinte conclusão: o modelador está devidamente empatado com o dreno no quesito o pior do pós-operatório da plástica. O dreno, como se sabe, tem esse nome por ser responsável pela drenagem de todo o bom humor de um ser humano. E o ser humano em questão sou euzinha aqui. 
Mas vamos tratar agora sobre a drenagem linfática. A função da drenagem é estimular o sistema linfático a trabalhar em um ritmo mais acelerado, mobilizando a linfa até os gânglios linfáticos, processo que elimina o excesso de líquido e toxinas. Tradução: serve pra fazer com que os líquidos acumulados (gordura, sangue, etc) saiam mais facilmente do corpo, o que faz com que a área cirurgiada desinche mais rápido. É importante sim. Senti muita diferença nos peitos depois da drenagem. Eles estão menos doloridos e bem menos inchados. A drenagem da barriga foi mais difícil pra mim. A cada toque da fisio eu achava que ia repuxar meus pontos. Claro que ela é profissional e sabe o que está fazendo, é tanto que ela me falou que essa aflição é normal na primeira sessão. "Na próxima você vai relaxar", disse. Assim espero.
E até o tal do modelador do cão tem os seus benefícios. Com ele já consegui me esticar mais e estou menos parecida com a velha da praça é nossa (aquela do "querido clementino"). Além do mais, ficar mais ereta diminuiu a dor na coluna e me proporcionou uma visão melhor do resultado da cirurgia. Ficou bom, visse? Tô, tipo assim... batidinha, hahahahahha. Ah, Senhor! Como é bom não ter mais bucho... =)
Moral da história: até agora tá tudo valendo a pena. A alma com certeza não é pequena, nem a peitola. Mas a barriga é. Uhuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Olha da faca!!

boneca de pano
Ei! Você lembra da minha voz? Mas o meu shape... Ah, quanta diferença! Estou com cinco dias de operada e é claro que o resultado das plásticas ainda não é o que vai ficar de fato. Vejo no espelho, mesmo encurvada, uma imagem parecida com Emília, a boneca gente: um corpo todo retalhado. Mas é uma Emília sem barriga e com peitões. Sensacional!! Hahahahaha! Cara, a cirurgia foi um sucesso. Prova disso é que estou aqui, escrevendo novamente, tão rápido. 
Claro que é punk, é mentira dizer que não. Mas quem passou pela redução de estômago aberta, como eu, passa, seguramente, por qualquer coisa. Afinal na bariátrica eu fiquei cinco dias sem sequer conseguir dormir. Não tinha posição. Essa, na verdade, arde mais do que dói. Os pontos são pequenos, e como o foco é, também, estético, há um cuidado muito grande com isso. O meu médico é muito bacana. Novinho e nada arrogante. Porque assim, né? Médico acha que é Deus. Jornalista tem certeza, mas isso já é outra história... Enfim. Vou contar como tudo aconteceu, tintim por tintim. 
Cheguei no hospital com o gatinho por volta das 5h55 do dia 14. Era uma sexta-feira. O setor de internamento abria às 6h e eu fui a primeira a ser atendida. O médico tinha me pedido isso, sabe? Como o meu procedimento seria trabalhoso demais, qualquer atraso poderia comprometer o dia dele. Então tá. Chegamos lá, lindamente, e tudo foi rápido. Claro que eu tinha ligado pra Excelsior no dia anterior pra me certificar de que as autorizações estavam OK, blá blá blá. Em se tratando da Excelsior, qualquer precaução não é exagero, lembre-se da minha saga. É como naquela música do Cidade Negra: “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...”. Pois é. Mas cheguei. E o caminho percorrido já não importa mais. 
Fui pra o quarto, recebi a roupa sexy do bloco e o sabão pré-operatório. Recebi, também, a visita de dr. Sergio Pita, meu cirurgião, que não satisfeito em ver as fotos produzidas em estúdio fez as suas próprias no apartamento do hospital, sob o olhar atento do gatinho e o meu olhar constrangido. E como eu não estava com bastante vergonha, dr. Pita começou a fazer as marcações da cirurgia e fiquei ali, pelada, toda rabiscada, na frente dele e do gatinho. Ai, ai... Mas tudo bem. 
Pronto. Roupa vestida e banho tomado, devidamente marcada e já com um dormonid no juízo, deitei na maca e disse “até já” para o gatinho. Na sala de cirurgia fui apresentada à equipe que ia me assistir. Todo mundo muito, muito novo mesmo. Eu era a mais velha do grupo. A “tia”. Entre uma brincadeira e outra, o anestesista me furou. Sorri pra ele e respondi algo que ele perguntou, mas o formigamento nos pés veio logo. Apaguei. 
Acordei com vontade de vomitar. Sentia dor, muita dor. Botei a mão nos peitos e vi que eles estavam lá. Dr. Pita falou “relaxe, moça... eles estão aí. Mas a prótese foi de 185 ml, não foi a que você queria não”. Eu escutava mais ou menos. Doía demais! O pé da minha barriga, sabe? Lembrou, um pouco, a cesariana. Cheguei no quarto ainda grogue, mas mesmo assim o procedimento de mudança da maca para a cama foi doloroso. Mais vontade de vomitar. Graças a Deus não vomitei, pois forçar seria mais sofrido ainda. Fiquei ali, imóvel, sendo observada pelas enfermeiras e, claro, pelo gatinho, que ficou lá o tempo todo. Algum tempo depois comecei a ficar mais sóbria e fui informada dos detalhes. A cirurgia foi tranquila, muito embora tenha demorado quase cinco horas. Só perdi um pneu, o outro continua firme e forte, esperando a dermolipectomia das costas. Meus músculos precisaram ser costurados duas vezes. E por falar em duas, dr. Pita encontrou duas hérnias quando me abriu e fez os remendos que tinha que fazer. Pois é. Moral da história: tudo em ordem. 
queimem o sutiã!
Mas é claro que todo drama da minha vida é, no mínimo, um pastelão. Estou em casa, me recuperando. Ontem à noite, falando ao telefone com meu primo Erik, comecei a me sentir mal. Falta de ar e tontura. Liguei na sequência pra o gatinho e quase não consegui falar com ele, estava ofegante demais. "Vá para um hospital", disse ele. Liguei pra dr. Pita. Ele disse “vá agora para o Esperança, encontro com você lá”.  Cheguei em 15 minutos e já havia todo um aparado me esperando: cadeira de rodas, leito pronto, máquinas e mais máquinas que não sei nem pra que servem. Ele desconfiava de TEP – tromboembolia pulmonar – um troço bastante comum em pós-operatório. Devidamente monitorada, ele continuava o minucioso exame para saber o que estava errado comigo. Na minha cabeça saltavam as palavras ditas por ele “internamento” e “tomografia”. Mas estava tudo bem comigo. Nada de inchaço nas pernas, nada de pressão alta, glicemia boa, saturando bem (seja lá o que isso quer dizer), nada de nada, apenas a enorme dificuldade para respirar. Aí ele teve um estalo. “Como estão essas próteses, moça?”, perguntou. “Tudo inchado”, respondi. “Vou olhar”, disse ele. Eis que ele abre o meu sutiã cirúrgico e milagrosamente minha respiração começa a normalizar. Minha fala fica mais normal e a vista já não está mais tão escurecida. Ele riu. Sabem o que era? A prótese pressionando meus pulmões. Hahahahahaha... claro, né? Se tudo tivesse sido tão normal não seria uma história minha! Né?? =)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gente, amanhã de manhã vou fazer minhas plásticas de barriga e mamas. Vou passar uns dias ausente. Quantos? Não sei. Depende da minha recuperação. Orem por mim, ok? Para que tudo corra bem e para que eu consiga voltar logo. Obrigada e até já. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pelos olhos de uma criança...

mamãozinho bom...

Adoro este retrato de Renato. Ele estava com pouco mais de seis meses e começava a descobrir a comida. A expressão nos olhinhos apertados dele é sensacional. O riso, meio mr. Magoo, também é lindo. Não é porque eu sou mãe não. Mas ele tá lindo, não tá? Aliás, ele é lindo. Ponto final. Ele vê o mundo com esses olhinhos felizes e aprendo com ele, todo dia, a ver o mundo assim também, com esses olhos. Olhos de criança... =)
Renato hoje está com 2 anos e 9 meses e uma carinha cada vez mais linda, uma carinha feliz, sorridente, encantadora. Hoje, dia das crianças, ele nem vai poder brincar muito, pois ainda está se recuperando da cirurgia de hérnia. 
Ontem, na revisão, o médico disse que ele fez edema, mas em linhas gerais tá tudo bem, graças a Deus. E peço a Deus que continue abençoando meu filhote. E já que hoje é o dia das crianças vou aperrear Papai do Céu mais um pouquinho e pedir que Ele abençoe todas as crianças. Que elas sejam poupadas das maldades desse mundo, que está cada vez mais doido e perdido. Olhai, Senhor, pelas nossas crianças. Nos faça boas pessoas, bons adultos, pois as crianças contam conosco para se tornarem, um dia, adultos também. Amém. 


O Erê
(Toni Garrido, Da Gama, Lazão, Bino Farias)


Prá entender o Erê
Tem que tá moleque
Uh! Erê, Erê!
Tem que conquistar alguém
Que a consciência leve...


Há semanas
Em que tudo vem
Há semanas
Que é seca pura
Há selvagens
Que são do bem
A sequência do filme muda...


Milhões de anos luz
Podem durar
O que alguns segundos
Na vida podem representar


O Erê, é a criança
Sincera, convicção
Fazendo a vida
Como o sol nos traz...


Você sabe
Que o sentimento não trai
Um bom sentimento não trai..


Pare e pense
No que já se viu
Pense e sinta
O que já se fez


O mundo visto
De uma janela
Pelos olhos
De uma criança...


Milhões de anos luz
Podem curar
O que alguns segundos
Na vida podem representar


O Erê, é a criança
Sincera, convicção
Fazendo a vida
Como o sol nos traz...


Você sabe
Que o sentimento não trai
Um bom sentimento não trai...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Contagem regressiva

obra de arte
Dentro de mais ou menos 72 horas estarei entrando na sala de cirurgia de um hospital daqui do Recife. Estão marcados para a sexta-feira, dia 14 de outubro, às 7h da madrugada, os procedimentos de abdominoplastia e mamoplastia com prótese. Trata-se da primeira etapa das plásticas reparadoras às quais me submeterei para arrumar o que saiu do lugar depois que perdi 60 quilos. Mas... pensando bem... será que alguma vez as coisas estiveram no lugar? Imaginem uma pessoa de 1.65 m pesando, desde 1992, mais de 100 kg? É, não tinha nada no lugar não. De fato eu não me lembro, nunca, de ter me olhado no espelho e não ter visto barriga. Em algumas ocasiões imensa, em outras, menor. Mas sempre lá, a tal barriga. 
É mais um marco na minha vida, mais um dentre tantos já alcançados e de muitos que ainda espero alcançar: não ter barriga. E ter peito. Eu tinha peito. Depois de amamentar eles tipo assim... murcharam. Aí perdi 60 kg. Aí eles... bom, não consigo pensar em nada adequado para descrevê-los. Mas na sexta também arrumarei isso e terei peitos novos, lindos e firmes, apontando para Belém. Tá, tá bom. Belém não. Mato Grosso, tá bom assim? Hahahahahaha. Conversando com minha amiga Patchi falei pra ela que me sentia como uma vela derretendo. Sabe quando a vela está queimando e a parafina escorre pelas laterais dela e cai ali, de qualquer modo, tomando uma forma engraçada e até bonitinha? Pois é. Bonitinha pra ser uma vela derretida, não uma pessoa, né? Ai, ai... 
Mas falo sobre isso sem o menor pudor. Não é segredo para quem me lê que eu tô sharpei mesmo. Tô, mas não ficarei. Se eu fosse carne (daquelas que são vendidas em frigoríficos) a evolução seria mais ou menos assim: março de 2010 - picanha com grossa camada de gordura. Até 14 de outubro de 2011 - maminha. Depois de 14 de outubro de 2011 - filé. Hahahahaha... filé! Uhuuuuuuuuuuuuuuu!!! Tratarei sobre isso como os períodos AP e DP - antes e depois da plástica. É lógico que eu queria mesmo era arrumar a lataria de uma vez só. Mas não dá não. É muita pelanca pra tirar e ainda vou arrumar outras partes do corpo, mas os procedimentos têm que ser feitos em suaves prestações. 
No consultório, com o médico, quando tirava a roupa pra ser avaliada, sempre procurava uma posição que me deixasse menos... menos... bom, menos. Quando entreguei o retrato médico pra ele... nossa! A cara dele, olhando pra o retrato e olhando pra mim foi sensacional. Depois de um tempo ele disse assim: "você vai me dar um trabalho...". Respondi: "capricha, doutor! vou ser o seu melhor cartão de visitas". Hahahahahaha. É isso. O caminho foi árduo, difícil. Mas graças a Deus encontrei pessoas no caminho que me ajudaram muito, me deram a mão e não me deixaram desistir, mesmo encontrando tantos obstáculos pela frente. Eu sou mesmo uma pessoa abençoada, pois o Pai coloca os Seus anjos na minha vida. Anjos que não me deixaram, nunca, desistir quando eu porventura esmoreci. Obrigada a todos vocês, de coração. 
E a maior lição que tiro disso tudo é que nunca, nunca devemos desistir de algo que realmente queremos. Quando realmente queremos algo temos que lutar com todas as armas que temos. E lembrem-se das palavras do Senhor em Mateus 21:22 "tudo aquilo que pedirdes em oração, com fé, recebereis". E olha aí! Eu recebi!! Orem por mim. Torçam por mim. Amém. 

domingo, 9 de outubro de 2011

As hérnias de Renato

entendeu? nem eu...
Ontem foi a cirurgia do meu filho. Ele, que tem dois anos e nove meses, já enfrentou a faca duas vezes. Hérnia inguinal. Pouco antes de completar dois meses ele fez a primeira vez, do lado direito. Renato chorava muito, sabe? A pediatra achava que era essa tal hérnia, mas que eu precisaria ficar atenta para vê-la. Eis que um dia, dando banho nele, percebo que esqueci a fralda no quarto. Peço pra minha mãe ficar com ele no banheiro e vou buscar a fralda. Ele começa a berrar, histérico. Foi como consegui ver a hérnia, com ele chorando, sem fralda. Estava lá, a danada, parecendo uma bola de gude no lado direito do púbis do meu bebezinho. E agora, dois anos e meio depois, nova hérnia, do outro lado. 
Esse tipo de hérnia que o meu bebê teve é uma falha congênita na região inguinal. Trata-se do canal por onde passou o escroto para se alojar no testículo, que por um motivo que não se sabe, simplesmente não fechou. O tratamento é cirúrgico e o que pode acontecer, caso não seja operada, é que ela encarcera (estrangula). É sério, pois o estrangulamento pode fazer com que a hérnia rompa provocando uma infecção generalizada, pois o que vaza para o corpo é aquilo que passa pelo intestino, ou seja: cocô. 
Enfim... as de Renato já estão devidamente resolvidas. Mas é um estresse, viu? Renato está gripado há várias semanas e a gripe vinha adiando a cirurgia. Só que agora, que falta apenas uma semana para a minha, não havia mais tempo pra esperar. Combinei com o médico que no sábado pela manhã levaria Renato para o hospital, internaria ele e lá seria feita a avaliação se havia catarro nos pulmões, blá blá blá. 
Cheguei no Português às 7h30 para dar entrada no internamento. A cirurgia estava marcada para 10h. Mas tem que chegar cedo mesmo. Quem tem Saúde Excelsior sabe do que eu estou falando. Renato ficou em casa, de jejum desde as 20h da sexta, ou seja: esfomeado e indócil. Chegou a guia de liberação, liguei para casa e minha mãe trouxe o pequeno paciente, que já estava pra lá de impaciente. Renato olhava pra mim e falava “gagau” o tempo todo. Estava com fome, meu pequeno. Claro! Mais de 12 horas sem comer. E nada do médico. Renato cada vez mais impaciente, mais esfomeado e eu mais irritada. Liguei várias vezes para o médico que dizia apenas que “estava chegando”. 
Apenas às 11h15 fomos conduzidos ao bloco cirúrgico. Ainda esperamos pelo médico mais uns 15 minutos e Renato só fazia berrar, histérico. Finalmente fomos levados à sala de cirurgia. Lá havia um anestesista e quatro enfermeiras. Assisti ao procedimento de sedação, aos prantos, pois Renato me olhava, enquanto era segurado pelas quatro enfermeiras (sim, pelas quatro) com olhos de medo e súplica. Ele adormeceu. Nessa hora a mãe sai. Saindo da sala cruzei com o cirurgião, que me perguntou por que eu estava chorando. Olhei pra ele e não falei nada. Fiquei na sala de espera do bloco, aguardando. Cinco minutos depois entra o médico na sala de espera. Olhei pra ele e perguntei se tinha acontecido alguma coisa. Ele senta ao meu lado, coloca a mão na minha perna e começa a falar comigo com voz paternal... 
Em seu discurso ele dizia que eu deveria me acalmar, que as minhas ligações para ele (foram quatro no total) tinham deixado ele nervoso, que meu filho não estava com fome pois o corpo humano pode viver até sete dias sem sequer beber água (?????), que a cirurgia era pra o bem dele, blá blá blá. Eu olhava pra ele com a minha melhor cara de idiota e por dentro gritava “cacete! Meu filho está esperando, anestesiado, na porra da sala de cirurgia. Esquece essa ladainha e vá agora operá-lo”. Mas lógico que eu apenas pensei isso. Tá, com bem mais palavrões do que escrevi aqui. Mas não disse nada. Me limitei a olhá-lo, com cara de idiota, balançar a cabeça, e não dizer nada. Afinal, lembrem-se: ele ainda ia operar o meu Renato! Quando ele acabou de me dar as preciosas lições sobre paciência e finalmente resolveu ir operar o meu filho, fiquei lá na sala, sozinha, esperando o procedimento terminar, pedindo a Deus que guiasse as mãos do cirurgião e psicólogo nas horas vagas, que estava finalmente operando meu filho.
O procedimento demorou muito, mais de uma hora. Mas meu filho voltou para os meus braços, pálido, mas inteiro e acordado, são e salvo, graças a Deus. Voltamos pra casa, Renato manhoso e dengoso como nunca. Mas bem. E isso é o que importa. Ele ganhou mais um cicatriz no corpo, possivelmente a segunda de várias outras que ainda virão. Sem contar as cicatrizes emocionais, aquelas que adquirimos ao longo da vida. E dessas aí eu não vou ter nem como conseguir poupá-lo... mas é isso aí, bola pra frente. Criança tem uma imensa capacidade de recuperação e hoje ele já amanheceu muito, muito bem mesmo. Obrigada, Senhor!
Mas variando um pouco sobre o mesmo tema, eu falei pra vocês, né? Que saiu na Justiça a tutela antecipada e as  minhas plásticas de barriga e mama acontecem na próxima sexta, dia 14? Pois é... botei a ação e essa tal tutela garantiu, mesmo antes da primeira audiência, que o meu plano de saúde está judicialmente obrigado a pagar pelas minhas plásticas. (para saber mais sobre o assunto leia o post Dura Lex, Sed Lex)
O fato é que eu saí do hospital, depois da cirurgia de Renato,  pensando que não foi uma boa ideia ter ido a um bloco cirúrgico uma semana antes da primeira da leva de plásticas às quais me submeterei. 
Os médicos conversam e gargalham dentro da sala de cirurgia como eu faço no meu trabalho, conversando com Cofre ou Mariazinha. 
É difícil entender isso, né? Por mais que a gente saiba que é ambiente de trabalho do mesmo modo... mas, sei lá... estão com a vida de uma pessoa ali, nas mãos... A gente que é leigo a fica pensando que tem que estar num puta silêncio pra ter concentração e tals... Depois que tudo passou, em casa, fiquei imaginando o tipo de papo que os médicos vão ter enquanto retiram a minha pele. Será que vai ser algo do tipo “rapaz, com o que sobrou dessa barriga aqui dá pra fazer uns 15 pares de sapato”. E todos riem da piadinha maldosa... Ai, ai... esse meu fantástico mundo de Kiki...  Mas é como diz o meu gatinho: "foca no resultado". Tô tentando, gatinho... tô tentando...  

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A primeira reunião pedagógica a gente nunca esquece...

bebezinho de Itu
Ontem tive a primeira reunião pedagógica na escola do meu filho. Eu estava tensa, sabe? Não vou mentir que estava. Na última sexta, quando fui buscá-lo, a tia lá falou: “mãe, precisamos fazer uma reunião para avaliar o desenvolvimento de Renatinho”. “Aconteceu alguma coisa?”, perguntei. “Não”, respondeu ela. “É uma reunião normal, de avaliação da evolução dele”, completou. “Ele está batendo nos coleguinhas?”, insisti. “Não, mãe”, disse ela. “Fique tranquila, é apenas uma avaliação pedagógica normal, todas as mães são chamadas”, concluiu. 
Não fiquei tranqüila. Fiquei pensando no que poderia estar errado para ser chamada na escola para conversar sobre o desenvolvimento do meu filho de 2 anos e 9 meses. Lembrei logo do meio do ano, quando por insistência grande família, levei Renato para um neuropediatra, que passou uma ressonância magnética para ele e ele teve que ser sedado, coisa que eu odeio. 
Eu percebo várias coisas no meu filho. Lógico que como eu só tenho ele é difícil saber se as coisas que ele faz são certas ou erradas, se é que existe esse conceito. Ele cai muito, é fato. Levei-o a oftalmologista e ortopedista. O primeiro disse que ele vê bem. O segundo disse que ele, por andar na ponta dos pés, deve ser avaliado a cada seis meses. Mas ele, o médico, acha que Renato cai por ser grande demais para a idade. Renato não tem três anos e calça 27. Né? 
Depois de todos esses pareceres fiquei tranquila e acreditando que o comportamento agitado de Renato tem mesmo a ver com a personalidade dele, que não é em nada diferente da minha. E que ele cai por falta de equilíbrio mesmo, mas não por ter algo neurológico, mas apenas por ser, de fato, grande demais para a idade. Eis que ontem, à tarde, sigo para a reunião. Cheguei aberta, baixei as minhas defesas e estava receptiva ao que ia ouvir. 
A primeira frase proferida pela pedagoga: “mãe, estamos preocupadas com o desenvolvimento de Renato”. Automaticamente cruzei as pernas e os braços que, para quem não sabe, indica que estou me fechando para a pessoa que está interagindo comigo. Saco! Continuei escutando o que ela estava dizendo. Coisas como “você já percebeu que ele cai? Que ele não tem equilíbrio?”. E comecei a ser bombardeada por uma série de coisas nas quais eu não pensava há três meses, que foi quando neuropediatra descartou qualquer problema no juizinho dele. 
O que me deixou de fato puta da vida foi o olhar de complacência acusatória das duas. Aquela cara de que estão pensando que eu sou omissa. Eu disse assim: “vê só, é lógico que eu percebo que ele cai, percebo que ele bate a cabeça, percebo que ele não tem muito equilíbrio. Acompanho isso de perto, já levei aos médicos que a pediatra dele indicou – oftalmo, ortopedista, neuropediatra”“Ah, você já levou? O que eles disseram?”, perguntaram. Expliquei tudo, inclusive que ele descartou hiperatividade e DDA. O olhar continuava. Aí eu falei: “olha, eu sou ausente, mas não sou omissa. Eu acompanho meu filho mesmo de longe, mas trabalho em três lugares para sustentá-lo”
Aí veio o golpe de misericórdia: “mãe, não abandone seu filho”. Abandonar? ABANDONAR?? Como assim? Cara, isso me deixou péssima. Acho que ela, a que falou isso, percebeu. E disse que elas queriam o melhor para Renato, pois ele também era o Renato delas, blá blá, blá. Depois elas indicaram uma neuropediatra da confiança da escola, que não atende por plano de saúde e cobra 250 pilas na consulta. Rá! Fala sério!! “Vou levá-lo ao médico que estava levando antes, obrigada”, respondi. “Mas ele pode não ter visto alguma coisa no exame. Essa nós conhecemos e temos certeza de que se houver algo errado ela vai detectar”, explicou. Não sei. Sinceramente não sei. Fico me perguntando se não é feito médico que indica um remédio de referência no lugar de passar a droga, pois recebe premiações dos laboratórios. Sei lá, né? Saí de lá muito, muito triste mesmo. Com uma sensação de fracasso e impotência enorme. Mas passou. Conversei longamente com o gatinho, que além de ter filhos tem, também, o dom de me acalmar.
Hoje eu acordei cheia de ideias sobre como vou proceder com Renato. Vou levá-lo a uma fonoaudióloga e a uma psicóloga. Mas analisando friamente, fora do bombardeio de informações, não acho correto cobrar de Renato, que entrou na escola em agosto, o mesmo nível de desenvolvimento das crianças que começaram o ano lá. Faz sentido, ou não faz? Ora essa!
Mas mesmo que haja algum interesse financeiro nessa reunião, posso dizer que fico satisfeita em ter mais gente olhando pelo meu filho. Criar filhos sozinha não é fácil. Agradeço a Deus por ter meus pais, eles me ajudam muito. Mas pense numa coisinha pra deseducar: avô e avó. Aff... É isso. Bola pra frente. Essa foi, apenas, a primeira reunião pedagógica de muitas, muitas outras que com certeza virão. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dura Lex, Sed Lex

a lei é dura, mas é lei.
É. As coisas realmente não são simples. Pelo menos a maioria delas não é. Creiam, amigos: mesmo com três - sim, eu disse TRÊS - pareceres médicos atestando a necessidade de que eu seja submetida às cirurgias plásticas reparadoras nas mamas, coxas, barriga, braços e costas o meu plano de saúde autorizou apenas o procedimento da dermolipectomia de abdome. Não sei porque estou tão chocada. Era mesmo de se esperar. Afinal, como eu disse na primeira linha deste post, as coisas não são simples. O curioso é que além dos três pareceres dos cirurgiões que apresentei à Excelsior o próprio médico deles, que fez a perícia do procedimento, corroborou o que os demais disseram: abdome em avental (odeio essa expressão) e ptose mamária. Logo, conclui-se que, pelo menos, essas duas intervenções, já que atestadas pelo profissional da casa, deveriam ter sido liberadas. 
Mas não. Liberaram, apenas, a barriga. Quando fiquei sabendo da notícia minha primeira reação foi tão tranquila que até estranhei. Pensei assim: "tudo bem, vou ver como resolvo isso... talvez eu pague o peito do meu bolso mesmo". Eu estava no trabalho número 2, lá em tão, tão distante. "Viajei" de volta pra casa ouvindo o CD do Skank e, quando cheguei, assumi o papel de mãe: dar banho, dar jantar, brincar, botar pra dormir. Claro que depois dessa maratona eu também fui dormir. Hoje pela manhã caiu a ficha. Minha cirurgia está marcada para o dia 14, ou seja: sexta-feira da semana que vem. Está em cima da hora. E, para fazer o peito pagando, teria que desembolsar R$ 7.000,00 (sete mil reais). Ah, que bobagem! Vou ali quebrar o porquinho de Renato e pegar essa mísera quantia! Lógico que eu não tenho essa grana, né? Jornalista + mãe solteira = lisa. Fato. 
Resolvi, então, que vou ter que apelar para a justiça, pois administrativamente, junto à Excelsior, não consegui resolver. Inclusive argumentei com a atendente sobre isso, sabe? Disse pra ela que essa manobra do plano era só pra ganhar tempo. E eu, realmente, não entendo o que eles ganham com isso. Afinal existem zilhares de jurisprudências sobre o assunto (www.jusbrasil.com.br: site mó legal!). Em Pernambuco, inclusive, há uma Súmula, a número 030, que diz o seguinte: "é abusiva a negativa de cobertura de cirurgia plástica reparadora complementar de gastroplastia". Tá dito, né? Há, também, uma decisão do STJ que "determina que a cirurgia para retirar excesso de pele faz parte do tratamento da obesidade e deve ser paga pelo plano de saúde". Não é uma Súmula, é uma decisão proferida pelo ministro Massami Uyeda, mas é, nada mais, nada menos do que uma jurisprudência federal. FE-DE-RAL. 
O que toda essa ladainha jurídica quer dizer? Quer dizer que a possibilidade de que o plano tenha ganho de causa num processo desses é remota, muito remota. O ministro diz, em seu relato, que "está comprovado que as cirurgias de remoção de excesso de pelé consistem no tratamento indicado contra infecções e manifestações propensas a correr nas regiões onde a pele dobra sobre si mesma, o que, inequivocamente, afasta a tese defendida pela recorrente de que tais cirurgias possuem finalidade estética". Pois é. Esse cara, o ministro Uyeda, sabe das coisas. Ele sabe, eu sei, os médicos sabem. Só quem não sabe é a Excelsior. Não sabe o que venho sofrendo com esse excesso de pele, não apenas fisicamente, como bem disse o ministro. Mas psicologicamente mesmo. Minha autoestima está abalada, não há como negar, por mais que eu tente. 
A gastroplastia foi uma benção na minha vida, ocupa o segundo lugar na lista das melhores coisas que fiz (a primeira é Renato, course). Mas esse, digamos assim, efeito colateral, é punk. Mesmo com toda a minha cabeça feita e bem resolvida é mentira se eu disser que não me incomoda. Incomoda demais. Lendo o laudo da minha terapeuta, dra. Rita, percebi isso ainda mais claramente. Ela, que me escuta toda semana, sacou antes de mim o quanto o problema está me afetando. Ela diz, no laudo, que eu só conseguirei me reconhecer de fato quando isso, o excesso de pele, estiver solucionado, pois tem a ver com a minha percepção do resultado positivo da gastroplastia. Tradução: eu só vou entender, de fato, como foi bom pra mim ter feito a bariátrica quando o resultado final for satisfatório, com perda do peso e a pele no lugar. Assentada, por assim dizer. Aí, só aí, terei consciência plena do que realmente sou, melhorando o meu convívio comigo mesma e com as pessoas ao meu redor. 
Profundo, né? Mas é a pura verdade. Grosseiramente falando é como uma analogia ao Retrato de Dorian Gray, algo mais ou menos assim: amo o que vejo no espelho quando estou de roupa. O resto da frase vocês podem imaginar... Pois é isso. Hoje passei o dia procurando um advogado pra atuar na causa, buscando respaldo jurídico sobre o tema e fazendo contas e mais contas. Pra completar fui ao Fotobeleza buscar as tais fotos médicas. Erro: abrir o envelope. Mas mesmo odiando o que vi ali, assim como Dorian ao ver seu retrato se deteriorando em seu lugar, não vou fazer como ele e esconder a minha vergonha no sótão. Vou é correr atrás do prejuízo. Aliás, prejuízo não. Lucro. Vou correr atrás desse lucro que tanto quero: ficar feliz diante do espelho, com e sem roupas. E, no final de tudo, mesmo com toda dificuldade imposta pelo plano, tenho certeza que vou conseguir. 
É pra brigar? Que seja, então. Não é à toa que eu era fã de Van Damme na adolescência. Meu lema sempre foi "retroceder nunca, render-se jamais", hahahahahahaha. Deus está comigo, e tenho muita, muita fé Nele. As coisas vão se resolver. Amém. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Diga não à pedofilia!

DENUNCIEhttp://www.safernet.org.br
Estou até agora enojada e enjoada com uma coisa que vi na internet hoje. Trata-se de um blog que faz apologia à pedofilia. Como chegou em mim? Pelo twitter. Uma colega postou junto com a frase: “pedófilo – denunciem”. Cliquei, imaginando que iria ser direcionada para uma foto de algum desses doentes e que eu encaminharia para os meus contatos também. Não foi bem assim. Fui direcionada para um blog que exibia um vídeo de um homem adulto praticando sexo com um menino que não devia ter três anos de idade. A cena bizarra não sai da minha cabeça. Foi, sem dúvida alguma, uma das coisas mais tristes e chocantes que meus olhos tiveram a oportunidade de ver. E eu gostaria de não ter visto. Estou com dor de cabeça até agora e quando as cenas voltam à minha mente encho os olhos d’água. Não consigo compreender como alguém pode achar normal um adulto manter relações sexuais com uma criança. O menino do vídeo, embora amordaçado, chorava e gritava, sem dúvida alguma de dor e medo. Completamente indefeso, à mercê do doente que além de sodomizar a criança ainda filmou tudo. Denunciei o blog. E pensei retuitar para que outras pessoas também denunciassem. Mas, analisando bem, talvez esse seja o objetivo da pessoa que postou aquela coisa hedionda. Talvez esse pervertido queira mesmo é que o vídeo se espalhe e alcance o maior número possível de pessoas, ou para dar ideia para outros doentes como ele, ou numa tentativa de banalizar o tema, partindo da premissa de que terminamos nos acostumando àquilo que vemos com frequência. Olha, já vi muita coisa na vida, lembrem-se que sou jornalista. Mas nunca – nunca – vi nada tão nojento e tenho certeza de que jamais acharei pedofilia normal. Não apenas por ser mãe, sabe? Mas por entender que sexo é um presente de Deus e que deve ser desfrutado de forma consensual, ou seja: quando as partes envolvidas querem que o ato aconteça. Então não aceito o argumento de que é natural. Não, não é. É imoral. É doente. É criminoso. E é lamentável saber que o que eu vi é uma pequena amostra do que acontece mundo afora. Me resta fazer minha parte, né? Externar a minha indignação, denunciar o que eu puder denunciar e, principalmente, botar os joelhos no chão e pedir a Deus que cure as chagas desse mundo. Amém. 


Crimes Contra os Direitos Humanos na Internet - DENUNCIEhttp://www.safernet.org.br