quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tudo passa, tudo passará...

tudo passa. inclusive o ferro.
Algumas coisas deveriam durar mais. Coisas como o sabor de uma comida maravilhosa, que some rapidamente da nossa boca e fica armazenado apenas no nosso cérebro. Mas sabor é algo que deve ser sentido, não apenas lembrado. Logo, concluo que sabor é uma das coisas que deveria durar mais. Afinal, o sabor mexe com alguns dos sentidos: paladar e olfato. Dependendo do que estamos comendo mexe também com a visão e com o tato. E tudo aquilo que mexe com os nossos sentidos tende a ser extremamente prazeroso, principalmente quando estamos falando de toooooodos os sentidos... mas não é sobre isso que quero falar hoje. Hoje eu quero falar sobre as coisas que passam na nossa vida. E que depois que passam mesmo, depois que passa o luto pela perda de tal coisa, percebemos que na verdade foi bom que tenha passado, muito embora na ocasião da perda achássemos que não seríamos capazes de sobreviver sem aquela coisa. É incrível como não nos damos conta, quando estamos no olho do furacão, que aquilo que achamos tão legal não é, de fato, tão legal assim. Isso acontece em vários aspectos: pessoal, profissional... Pessoal, por exemplo. Às vezes estamos tão envolvidos em um relacionamento que não percebemos que ele nos faz mais mal do que bem, e não adianta os alertas externos: nós simplesmente não enxergamos!!! E é assim também no trabalho. Nos dedicamos e nos entregamos tanto, nos submetemos tanto que terminamos achando que somos insubstituíveis. E quando percebemos que não somos... a queda é grande. Aconteceu comigo há pouco tempo. Estava num trampo muito legal. Eu ralava feito uma louca, mas adorava. Adorava tanto que não me dava conta de que estava passando dias sem dormir. Dias sem comer direito. Dias sem ver meu filho. Mesmo assim eu achava o máximo, pois eu acreditava muito naquilo tudo. E acreditava, principalmente, que eu era importante para o processo. Quando tudo terminou, eu sofri. Fui ao fundo do poço. Me martirizei e pensei no que fiz de errado para ter perdido o que eu achava tão bom. Tentei reverter, sem sucesso. Hoje percebo que estou muito, muito melhor. Engulo menos sapos, ganho mais, durmo e como melhor, passo mais tempo com o meu filho e com os meus amigos. Olhando pra trás sinto como se estivesse vendo uma foto minha nos anos 80, de saia balonê e suspensório. Não canso de me perguntar como tive coragem de vestir aquilo (tentem me imaginar adolescente, gorda, de balonê e suspensório...). É a mesma coisa, entendem? De tudo isso só posso concluir que tudo, de fato passa. No tempo que tem que passar, passa. Precisamos, como bem me ensinou meu amigo, o pr. Martorelli, "chorar os nossos mortos e viver o nosso luto". As coisas passam, as experiências ficam. E são elas, que na verdade, valem a pena. Finalizo deixando pra vocês a música da qual tirei o título do post de hoje: Metal Contra as Nuvens, de Renato Russo / Dado Vila Lobos / Marcelo Bonfá. A letra é grande, mas vale a pena ler e, principalmente, apreciar. Enjoy

Metal Contra as Nuvens
(Legião Urbana)

I

Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...

III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV
- Tudo passa, tudo passará...

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.

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