quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O primeiro beijo a gente nunca esquece

Bruno: padrinho
Em fevereiro deste ano, mais precisamente no dia 5, fui a um show de duas bandas que adoro: Biquini Cavadão e Capital Inicial. Eu, que esperei ansiosamente por uma apresentação do Capital no Recife, no dia do show não estava tão empolgada pra ir, pois tinha passado a tarde num evento, enchendo a cara. Minha amiga Mariazinha insistiu e eu fui, cheia de cerveja ruim na cabeça, vestida de qualquer jeito, com cabelos de doida. Quando chegamos no Chevrolett o Biquini já estava no palco. Procuramos, Mariazinha e eu, um lugar legal pra ficar. Não demorou para que eu me empolgasse. Bruno, o vocalista no Biquini, empolga até comatosos! Pois então. Fizemos novos amigos de infância e entrei no clima do show - pulando e cantando Vento, Ventania, sucesso do grupo dos idos dos anos 80. Em Múmias, música do Legião Urbana que está no set list do Biquini, percebi um carinha olhando para o nosso lado, certamente para Mariazinha, que estava toda fofa e linda, enquanto eu parecia uma maluca descabelada e suada. Ele estava de costas para o palco, olhando descaradamente, dançando de maneira engraçada. Fiquei tão constrangida com aquele olhar insistente que comecei a errar a letra nada romântica - total política - de Renato Russo que conheço tão bem: "errar não é humano, depende de quem erra, esperamos pela vida vivendo só de guerra...". Mariazinha vaticinou logo: "preeeeeego". Eu deixei pra lá e continuei dançando. Em um dado momento, vi o cara falando com Mariazinha. Ela, fofa que só, diz assim: "vai falar com a minha amiga ali, ela é melhor em fora do que eu". Ele não se fez de rogado. Chegou junto e perguntou, olhando para a coca cola na minha mão e apontando para a coca de Maria, se nós estavamos fazendo apologia ao imperialismo. A aproximação foi tão absurda que eu não tive outra reação: caí na gargalhada. E começamos a conversar. Terminou o Biquini, rolou o intervalo para a entrada do Capital e nós continuamos conversando. E, mais tarde, enquanto Dinho cantava, nos beijamos pela primeira vez. E hoje, sete meses depois, continuamos nos beijando. Só que o beijo de hoje é muito diferente. É melhor. É íntimo, cúmplice, apaixonado. E, na última terça, véspera de feriado, novo show do Biquini na cidade, dessa vez com o Kid Abelha. A diferença é que fomos juntos ao show, nada do acaso nos unir. E, ao som de Múmias, a música que estava tocando quando o vi pela primeira vez, trocamos beijos e beijos. E foi muito, muito bom. No local do nosso primeiro beijo nos beijamos novamente, demos mais alguns de muitos outros beijos que virão. Se Deus assim quiser e se for para nossa felicidade. E que assim seja. Amém.




Múmias
(Renato Russo)

Bem aventurados sejam
Aqueles que amam
Essa desordem
Nós viemos a reboque
Este mundo
É um grande choque

Mas não somos desse mundo


De cidades em torrente
De pessoas em corrente...

Errar não é humano
Depende de quem erra
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra...

Viemos preparados
Prá almoçar soldados
Chegamos atrasados
Sumiram com a cidade
Antes de nós
Mesmo assim
Basta esquecê-la
No outro dia
Transformando em lataria
Tudo que estiver
Ao nosso alcance...


Errar não é humano
Depende de quem erra
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra...


Chega de marra
Chega de farra
Chega de guerra
Quem nunca falha
Fala, erra
Sorte, joga
A primeira pedra
Aqui na terra
Bicho que pega
Fica violento
Meu raciocínio
Transformado
Em racionamento

Só que talento
É minha forma
De reprodução
Corta câmera, corta luz
Que eu continuo em ação
Aproveitando
Nossa liberdade de expressão
Renato Russo, eu, Suave
E o Biquini Cavadão...


Bem aventurados sejam
Os senhores do progresso
Oooooohhhhhhhhhhhhhhh!!
Esses senhores do regresso...


Errar não é humano
Depende de quem erra
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra...


Viemos espalhar discórdia Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra
Conquistar muitas vitórias
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra
Conquistar muitas derrotas
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra...

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