domingo, 14 de agosto de 2011

Recordações por Minuto

Ontem eu e minha amiga Mariazinha fomos à etapa Recife do Monange Dream Fashion Tour. Pra quem não sabe do que se trata, é um desfile de modelos que estão bombando no momento e o detalhe é que elas cortam a passarela ao som de uma banda. A banda era, no caso, o RPM, que foi o real motivo que me fez sair de casa debaixo de uma puta chuva quando tudo o que eu mais queria era estar enrolada num edredom assistindo DVD e tomando vinho. O RPM voltou à ativa há pouco tempo. A banda, sucesso estrondoso nos anos 80, não deu a mesma sorte dos Paralamas ou Titãs, que mesmo com altos e baixos nunca se separaram e lançaram sempre novos trabalhos ao longo da carreira. Mas enfim... A banda era RPM, mas a trilha sonora inicial estava mais para Legião Urbana. “Festa estranha, com gente esquisita...”. Mas, no final, percebi que a estranha mesmo era eu, pois estava, na verdade, em um evento de moda. Eu, vestida com farda de show de rock (tá, pop rock), calça jeans e blusa preta, é que parecia um ET no meio de um monte de garotas fashion, que certamente esperavam o momento de serem descobertas por algum olheiro de agência. Aqui e ali eu via gente como eu: trinta e todos anos, a fim de ver Paulo Ricardo e cia. O Chevrolet não estava cheio (thanks God) e show demorou mais de uma hora pra começar, o que já me deixou irada. Mas tudo bem. O RPM entrou e começou com os acordes de Naja e emendou com Revoluções por Minuto. Aí eu esqueci a chuva, as pessoas estranhas, o atraso do show. Parecia que eu tinha voltado no tempo e estava ali, vendo finalmente um show do RPM. Digo finalmente porque no auge da banda eu não podia sair de casa, meus pais não permitiam. Eles tocaram no Circo Voador, mas eu não fui. C'est la vie. O desfile aconteceu em quatro baterias temáticas e foi legal ver aquelas lindíssimas e magras mulheres dividindo palco com os quarentões da banda. Por falar em quarentões, teve uma hora que morri de rir. O guitarrista, Fernando Deluqui – muito bonito por sinal – se empolgou e se ajoelhou diante da plateia. Ao fazer isso abaixou a cabeça e mostrou para quem quisesse ver que a idade – inclemente – chega para todos. No topo de sua cabeça ele exibia um quipá natural, ou seja: aquela careca que se forma na parte traseira da cabeça, só que no topo. Paulo Ricardo também já está meio com o prazo de validade expirando. Ao fazer um charminho, enquanto cantava Olhar 43, tirou a jaqueta e exibiu uma respeitável barriguinha (buchinho, para os íntimos). Ai, ai... Já as modelos... nossa! Lindas. Fernanda Motta, Raica, Isabeli Fontana... Essa última, aliás, é irritante de ver. Dois filhos e um corpo sensacional. Mas voltando ao show do RPM, uma das melhores partes pra mim foi o momento unplugged, que começou com uma versão de wish you are here, do Pink Floyd, e colou com Dois, música de Michael Sullivan que fez sucesso na voz rouca de Paulo Ricardo. Não, eu não estava roendo. Mas é que essa música me lembra minha amiga Raquel Telles. Quando trabalhávamos na Folha, nos intervalos da tarde, descíamos para uma birosca perto do jornal que tinha uma radiola de ficha. Comprávamos uma ficha que dava direito a duas músicas. Eu escolhia Minha Irmã, do Cidade Negra. Ela, Dois. Legal, né? Gostei da noite. Tomara que eles venham novamente. Esse retorno do RPM me lembra que sempre podemos dar a volta por cima. Ou pelo menos tentar dar, o que já é muito meritório. Fênix, lembram? Meu personagem mitológico preferido: sempre renascendo das cinzas... E pra quem não lembra de Dois, segue a letra. Pra você, mama! 

Dois
(Michael Sullivan)

Quando você disse nunca mais
Não ligue mais, melhor assim
Não era bem
O que eu queria ouvir

E me disse decidida
Saia da minha vida
Que aquilo era loucura
Era absurdo...

E mais uma vez você ligou
Dias depois, me procurou
Com a voz suave
Quase que formal

E disse que não era bem assim
Não necessariamente o fim
De uma coisa tão bonita
E casual...

De repente as coisas
Mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar

Teu silêncio preso
Na minha garganta
E o medo da verdade

Iêi!...

Eu sei que eu
Eu queria estar contigo
Mas sei que não
Sei que não é permitido

Talvez se nós
Se nós tivéssemos fugido
E ouvido a voz
Desse desconhecido

O Amor! O Amor! O Amor! O Amor!...

Essa voz que chega devagar
Prá perturbar, prá enlouquecer
Dizendo pr'eu pular
De olhos fechados

Oh! Oh!...

Essa voz que chega a debochar
Do meu pavor
Mas ao pular
Eu me vejo ganhar asas e voar

Oh!...

De repente as coisas
Mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar

Minha amiga, minha namorada
Quando é que eu posso
Te encontrar

Iêê! Iêê! Iêê!...

Eu sei que eu
Ah! eu queria estar contigo
Mas sei que não
Sei que não é permitido

Talvez se nós
Se nós tivéssemos fugido
E ouvido a voz
Desse desconhecido...

Eu sei que eu
Ah! eu queria estar contigo
Mas sei que não
Não, não, não, não
Não é permitido...

3 comentários:

  1. Querida, adorei o modo como vc conduz o texto. Chama atenção, é envolvente. Muito bom , mesmo!!!

    Carlos Estêvão

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  2. Amiga de repende, em plena segunda feira, você me vem com essa.....Passei um tempo olhando para o nada com um rizinho no canto da boca me lembrando daqueles "ótimos tempos" e pensei:é exatamente isso que vale a pena na vida! Bons momentos com bons amigos. Bju.

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