sábado, 27 de agosto de 2011

As trilhas sonoras da minha vida, parte 13

Sabe quando alguém consegue dizer tudo que a gente está sentindo e também gostaria de dizer? Pois é. Essa pessoa que consegue dizer tudo que eu quero dizer no momento é Adele, na sua Rolling in the deep. Ela, Adele, é uma cantora britânica sensacional de apenas 23 anos e uma voz simplesmente poderosíssima (cheguei a ler no twitter a maldade "Bye, Amy. Hi, Adele."). O trecho "The scars of your love remind me of us, they keep me thinking that we almost had it all. The scars of your love, they leave me breathless / I can't help feeling we could have had it all, rolling in the deep, you had my heart inside of your hand and you played it to the beat" é, realmente, tuuuuuuuuuuudo que eu penso e sinto agora. Mas tudo bem. Faz parte da vida, como cair e levantar. E, no momento, prefiro fazer isso - cair e LEVANTAR - ao som de Adele. Enjoy!


Rolling in the deep
(Adele)

There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch and it's bringing me out the dark
Finally, I can see you crystal clear
Go head and sell me out and I'll lay your ship bare

See how I'll leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do

There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch and its bringing me out the dark

The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love, they leave me breathless
I can't help feeling

We could have had it all
(You're gonna wish you never had met me)
Rolling in the deep
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
You had my heart inside of your hand
(You're gonna wish you never had met me)
And you played it to the beat
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)

Baby, I have no story to be told
But I've heard one of you and I'm gonna make your head burn
Think of me in the depths of your despair
Making a home down there, as mine sure won't be shared

(You're gonna wish you never had met me)
The scars of your love remind me of us
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
They keep me thinking that we almost had it all
(You're gonna wish you never had met me)
The scars of your love, they leave me breathless
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
I can't help feeling

We could have had it all
(You're gonna wish you never had met me)
Rolling in the deep
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
You had my heart inside of your hand
(You're gonna wish you never had met me)
And you played it to the beat
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)

Could have had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
But you played it with a beating

Throw your soul through every open door
Count your blessings to find what you look for
Turn my sorrow into treasured gold
You pay me back in kind and reap just what you sow

(You're gonna wish you never had met me)
We could have had it all
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
We could have had it all
(You're gonna wish you never had met me)
It all, it all, it all
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)

We could have had it all
(You're gonna wish you never had met me)
Rolling in the deep
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
You had my heart inside of your hand
(You're gonna wish you never had met me)
And you played it to the beat
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)

Could have had it all
(You're gonna wish you never had met me)
Rolling in the deep
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
You had my heart inside of your hand

But you played it
You played it
You played it
You played it to the beat

terça-feira, 23 de agosto de 2011

As trilhas sonoras da minha vida, parte 12

o dia sempre nasce de novo 
Hoje, indo para o médico pela manhã, sintonizei a rádio Nova Brasil. Estava começando a tocar "Apesar de Você", de Chico. Buarque, course. Engraçado como Chico é meio oráculo na minha vida. Sempre tem alguma frase de alguma música dele que reflete exatamente o meu momento. Chico é assim. Ele é, além de oráculo, o compositor que melhor descreve - na minha modesta opinião - a alma feminina. Metáforas excelentes, palavras certeiras, poesia   de primeira. Assim é Chico. Ah, Chico... se todos fossem iguais a você... Tá, tá bom. Eu sei que essa aí é de Tom e Vinícius. Mas são da mesma linhagem, acho eu. Bons com as palavras. E mulher gosta mesmo é de palavras bonitas. Quem sabe o ponto G não seja no ouvido? Quem vai saber, não é? Mas hoje a música da minha vida é esta que blogo agora: "apesar de você". Sei que a letra se refere ao regime militar - os anos de chumbo -  mas hoje, pra mim, ela fala de um amor que se foi. Nada de ditadura, de Médici, de nada. Fala só que amanhã, apesar de você, vai ser outro dia. Estou em casa, tomando sozinha um merlot chileno sensacional que comprei para tomar à dois, me convencendo - ou pelo menos tentando me convencer - de que amanhã vai ser mesmo outro dia. Apesar de você. 

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Apesar de Você
(Chico Buarque)

Amanhã vai ser outro dia

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Esse samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
De "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai se dar mal, etc e tal
La, laiá, la laiá, la laiá

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cada escolha é uma renúncia

certo ou errado?
quem sabe, não é?
Na vida, sempre que escolhemos algo, estamos, consequentemente, abrindo mão de outro algo. Vou exemplificar, talvez assim fique mais fácil de demonstrar o meu ponto de vista:  quando resolvi me submeter à gastroplastia eu sabia que estava abrindo mão de uma das coisas que mais gostava de fazer na vida: comer. Tá, eu como sim, claro. Mas não como eu comia antes. E comer, antes, era realmente um prazer. Mas pensei no que eu ia ganhar ao reduzir o estômago. E, realmente,  ganhei. Ganhei saúde, qualidade de vida, autoestima, entre várias outras coisas. Comer como eu gostava não posso mais, é fato. Mas posso entrar numa loja e comprar uma calça tamanho 40, manequim que uso hoje, 60 kg a menos. Quando você faz uma escolha deve pensar não no que vai perder, mas sim no que vai ganhar. E vice-versa.  E tudo na vida é assim. Afinal, como diz o título deste post, cada escolha que fazemos é, também, uma renúncia. Aí devemos pesar se vale a pena renunciar a tal coisa ou não. Nas relações é a mesma coisa. Quando escolhemos estar num relacionamento estamos abrindo mão da vida de solteiro. Perdemos muitas coisas estando num relacionamento, como a oportunidade de beijar outras bocas, tocar outros corpos, e – por que não dizer – perdemos um pouco da liberdade. Mas quando estamos num relacionamento – um bom relacionamento – ganhamos em amizade, companheirismo, intimidade, cumplicidade, confiança, entre várias outras coisas. É aí que entra a tal balança imaginária. Devemos pesar o podemos perder e o que pretendemos ganhar. Feito isso, tá na hora de escolher. E as escolhas que fazemos, como tudo na vida, têm 50% de chance de dar certo e 50% de chance de dar errado.  Mas é isso. É o nosso livre arbítrio. É facultado a nós, seres humanos, o direito de escolher, apostar, experimentar. E isso é muito importante, de fato é. Mas uma coisa é certa: cada escolha traz uma consequência, consequência esta que pode provocar danos sérios e irreversíveis.  Mas tudo bem, é nosso direito quebrar (ou não) a cara. É nosso direito fazer escolhas. Certas ou erradas? Aí, realmente, só o tempo dirá... E o tempo, meus amigos, é o senhor da razão.

domingo, 14 de agosto de 2011

Recordações por Minuto

Ontem eu e minha amiga Mariazinha fomos à etapa Recife do Monange Dream Fashion Tour. Pra quem não sabe do que se trata, é um desfile de modelos que estão bombando no momento e o detalhe é que elas cortam a passarela ao som de uma banda. A banda era, no caso, o RPM, que foi o real motivo que me fez sair de casa debaixo de uma puta chuva quando tudo o que eu mais queria era estar enrolada num edredom assistindo DVD e tomando vinho. O RPM voltou à ativa há pouco tempo. A banda, sucesso estrondoso nos anos 80, não deu a mesma sorte dos Paralamas ou Titãs, que mesmo com altos e baixos nunca se separaram e lançaram sempre novos trabalhos ao longo da carreira. Mas enfim... A banda era RPM, mas a trilha sonora inicial estava mais para Legião Urbana. “Festa estranha, com gente esquisita...”. Mas, no final, percebi que a estranha mesmo era eu, pois estava, na verdade, em um evento de moda. Eu, vestida com farda de show de rock (tá, pop rock), calça jeans e blusa preta, é que parecia um ET no meio de um monte de garotas fashion, que certamente esperavam o momento de serem descobertas por algum olheiro de agência. Aqui e ali eu via gente como eu: trinta e todos anos, a fim de ver Paulo Ricardo e cia. O Chevrolet não estava cheio (thanks God) e show demorou mais de uma hora pra começar, o que já me deixou irada. Mas tudo bem. O RPM entrou e começou com os acordes de Naja e emendou com Revoluções por Minuto. Aí eu esqueci a chuva, as pessoas estranhas, o atraso do show. Parecia que eu tinha voltado no tempo e estava ali, vendo finalmente um show do RPM. Digo finalmente porque no auge da banda eu não podia sair de casa, meus pais não permitiam. Eles tocaram no Circo Voador, mas eu não fui. C'est la vie. O desfile aconteceu em quatro baterias temáticas e foi legal ver aquelas lindíssimas e magras mulheres dividindo palco com os quarentões da banda. Por falar em quarentões, teve uma hora que morri de rir. O guitarrista, Fernando Deluqui – muito bonito por sinal – se empolgou e se ajoelhou diante da plateia. Ao fazer isso abaixou a cabeça e mostrou para quem quisesse ver que a idade – inclemente – chega para todos. No topo de sua cabeça ele exibia um quipá natural, ou seja: aquela careca que se forma na parte traseira da cabeça, só que no topo. Paulo Ricardo também já está meio com o prazo de validade expirando. Ao fazer um charminho, enquanto cantava Olhar 43, tirou a jaqueta e exibiu uma respeitável barriguinha (buchinho, para os íntimos). Ai, ai... Já as modelos... nossa! Lindas. Fernanda Motta, Raica, Isabeli Fontana... Essa última, aliás, é irritante de ver. Dois filhos e um corpo sensacional. Mas voltando ao show do RPM, uma das melhores partes pra mim foi o momento unplugged, que começou com uma versão de wish you are here, do Pink Floyd, e colou com Dois, música de Michael Sullivan que fez sucesso na voz rouca de Paulo Ricardo. Não, eu não estava roendo. Mas é que essa música me lembra minha amiga Raquel Telles. Quando trabalhávamos na Folha, nos intervalos da tarde, descíamos para uma birosca perto do jornal que tinha uma radiola de ficha. Comprávamos uma ficha que dava direito a duas músicas. Eu escolhia Minha Irmã, do Cidade Negra. Ela, Dois. Legal, né? Gostei da noite. Tomara que eles venham novamente. Esse retorno do RPM me lembra que sempre podemos dar a volta por cima. Ou pelo menos tentar dar, o que já é muito meritório. Fênix, lembram? Meu personagem mitológico preferido: sempre renascendo das cinzas... E pra quem não lembra de Dois, segue a letra. Pra você, mama! 

Dois
(Michael Sullivan)

Quando você disse nunca mais
Não ligue mais, melhor assim
Não era bem
O que eu queria ouvir

E me disse decidida
Saia da minha vida
Que aquilo era loucura
Era absurdo...

E mais uma vez você ligou
Dias depois, me procurou
Com a voz suave
Quase que formal

E disse que não era bem assim
Não necessariamente o fim
De uma coisa tão bonita
E casual...

De repente as coisas
Mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar

Teu silêncio preso
Na minha garganta
E o medo da verdade

Iêi!...

Eu sei que eu
Eu queria estar contigo
Mas sei que não
Sei que não é permitido

Talvez se nós
Se nós tivéssemos fugido
E ouvido a voz
Desse desconhecido

O Amor! O Amor! O Amor! O Amor!...

Essa voz que chega devagar
Prá perturbar, prá enlouquecer
Dizendo pr'eu pular
De olhos fechados

Oh! Oh!...

Essa voz que chega a debochar
Do meu pavor
Mas ao pular
Eu me vejo ganhar asas e voar

Oh!...

De repente as coisas
Mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar

Minha amiga, minha namorada
Quando é que eu posso
Te encontrar

Iêê! Iêê! Iêê!...

Eu sei que eu
Ah! eu queria estar contigo
Mas sei que não
Sei que não é permitido

Talvez se nós
Se nós tivéssemos fugido
E ouvido a voz
Desse desconhecido...

Eu sei que eu
Ah! eu queria estar contigo
Mas sei que não
Não, não, não, não
Não é permitido...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

As trilhas sonoras da minha vida, parte 11

o resto é mar...
O amor, em todas as suas formas, é mesmo muito lindo, não é? Amor de Deus, amor de pai e mãe, amor de filho, amor de amigo, amor de casal. Amor, simplesmente. E o amor correspondido é a melhor coisa que há no mundo. Sinto o amor do meu filho quando olho nos olhinhos dele e vejo tanta alegria e sentimentos bons. Sinto o amor quando acordo de uma noite não dormida bem aconchegada nos braços do gatinho e recebo um afago de bom dia. Sinto o amor quando recebo o carinho dos meus amigos quando me procuram apenas para saber como eu estou indo. É. Amor é muito bom. Amemos pois, caros amigos. Sejamos, todos, felizes. Da vida o que a gente leva é só mesmo o que a gente viveu de bom. 


Wave
(Tom Jobim)

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...

O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...

Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar

O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...

Vou te contar...

O resto é mar...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Eu vou, eu vou, pra escola agora eu vou...

Hoje foi o primeiro dia de aula do meu filho. O primeiro dia de uma longa vida escolar. Aos dois anos e seis meses Renato ingressou no maternal, pronto para começar sua jornada de colagens, pinturas e empilhamento de cubinhos. Renato é, realmente, uma criança adorável. Lindo, simpático, carinhoso. Claro que tem o dark side: genioso e teimoso. O neuropediatra disse que ele está bem, que não tem nada no juizinho dele e que o desenvolvimento está adequado. "Seu filho precisa de limites", disse ele em voz suave e olhar severo - olhar de quem estava me cobrando ser, de fato, mãe do pequeno Renato. Em miúdos: ele acha meu filho mal educado. E, independentemente da mamãe aqui ter que trabalhar muito pra sustentar o filhinho, claro que a culpa é minha. Sei que sou muito menos presente do que ele merece, mas não posso parar de trabalhar para ser mãe em tempo integral. É. É a realidade das famílias do século 21... Mães que são mães e pais, mães que têm dois, três trabalhos pra sustentar suas crias, mães quem vêem seus filhos apenas no final de semana. Aí fico pensando se o que vale é a quantidade do tempo ou a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos. Venho analisando o comportamento de Renato comigo, queria me assegurar de que ele me reconhece como mãe. E a resposta é... SIM! Mesmo com minhas ausências prolongadas, minha impaciência, minha pouca vocação maternal, é para mim o sorriso mais aberto que ele dá, é a minha voz de comando que tem mais força sobre ele, é o meu colo que ele busca quando quer dengo ou consolo. Dia desses levei um puxão de orelha por não passear muito com o pequeno. Aproveitei o meu recesso de julho e levei Renato para vários lugares, incluindo me acompanhar nas tarefas do dia a dia, como supermercado e farmácia. Ele, claro, amou. Mesmo não gostando se ser repreendida, reconheço que o puxão de orelha foi um bom alerta. Me diverti muito com Renato, saímos e brincamos, mil vezes perdi a paciência e juntei forças para encontrá-la rapidinho. Todo dia de noite, antes de dormir, peço a Deus sabedoria para lidar com Renato. E graças a Deus e aos puxões de orelha que levei estou lidando melhor com ele. E hoje, quando o vi entre as outras crianças na escolinha, sorrindo enquanto acenava pra mim, meu coração se encheu de tranquilidade. Acho que estou fazendo as coisas do modo certo. Fui buscá-lo também na escola, nessa primeira semana de aula quero levar e pegar todos os dias. Ao me ver meu pequeno abriu os bracinhos e correu para me abraçar, chamando "mamãe, mamãe". Me deu o melhor abraço do mundo. É. Tá tudo indo bem. Agora está.