terça-feira, 5 de julho de 2011

Nocaute verbal

Se há uma coisa da qual me convenço cada vez mais é sobre o poder das palavras. As palavras, de fato, podem doer mais do que um murro de Mike Tyson. É claro que as pessoas que falam coisas que nos magoam muitas vezes tentam se justificar com frases tipo "eu estava de cabeça quente" ou "não era bem isso que eu queria dizer". Mas não adianta. Já disse e a palavra não pode ser apagada, mesmo com um pedido de desculpas. E está na Bíblia, lá no livro de Mateus: "a boca fala daquilo que o coração está cheio". Tradução: um coração cheio de rancor vai proferir palavras rancorosas. Um coração cheio de amor vai falar de amor. Eu sempre fui muito de ter bocão. Falava mesmo, sem pensar, às vezes ainda faço isso, mas vivo me policiando. E antes, quando eu pensava, era pior, se o meu objetivo fosse de fato atingir a pessoa. Eu sei usar as palavras, não foi à toa que escolhi o jornalismo como profissão. No mesmo capítulo do livro bíblico de Mateus está a frase que se popularizou na música de Pepeu Gomes: "o mal é o que sai da boca do homem". É. É verdade. Podemos ser de fato muito malvados com as palavras. Sei que magoei muita gente com a minha língua ferina e cada dia é, pra mim, um exercício de evolução. Procuro pensar antes de falar e, principalmente, evito falar qualquer coisa quando estou com raiva. Isso tem me ajudado bastante. Ah, se todos fossem assim também... Se cada um pensasse um pouquinho antes de abrir a boca... quanta dor seria evitada, né? Quanta mágoa, quanto rancor não existiria... Não estou falando aqui de mentir ou enganar, sou favorável à sinceridade. Mas que tal apenas de pensar no que vai dizer? Diga, mas veja a forma que vai fazer isso. Isso já é um grande passo, pois a palavra dita não tem volta. É como disse o pai da psicanálise, Sigmund Freud, que nos premia com a pérola: "o homem é dono do que cala e escravo do que fala". Sábia frase.

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