sábado, 30 de julho de 2011

Rebolar ou bater, eis a questão

só o amor constroi
Estou há um mês fazendo dança do ventre. Eu nunca disse que era fácil. Não é. Exige muita força do corpo, além de concentração e coordenação motora. Eu, dos três, tenho apenas a força. A concentração se esvai sempre que alguém passa pela parede de vidro da escola. E a coordenação motora... bom, essa aí nunca foi - mesmo - o meu forte. Mas tenho uma qualidade: sou persistente. Então mesmo com extrema dificuldade de executar os delicados movimentos da dança do ventre, não desisti. Achei, até, que já estava mais suave. Só achei. Eis que conversando, antes da aula, com a professora, falando sobre as minhas dificuldades de coordenar os tais braços de serpente com o quadril rebolativo, ela sai com a pérola: "eu acho que você deveria fazer algo que desprenda mais energia, como o muay thai". Muay thai? Boxe tailandês?? Eu queria ficar com o jeitinho meigo de Jade, não o de Van Damme. Ela continuou: "não deixe a dança, pois você está melhorando muito, mas tente fazer também alguma luta, você vai ver como vai ser bom". Ah, tá. Ufa!! Pensei que eu era um caso perdido no quesito delicadeza, hahahahahaha. Fiz a minha aulinha de dança do ventre, treinei a respiração prânica e tentei, sem muito êxito, é bem verdade, isolar os pedaços do meu corpo, movimentá-los, e depois juntá-los coordenadamente. Bom... sem comentários. Pensei no que a professora, Michele, falou e fui procurar mais informações sobre o muay thai. Socos e pontapés. Tá. Segundo passo: procurar uma academia. Achei logo ali, no mesmo lugar onde faço natação, o Círculo Militar. Animada, peguei os horários e fui acompanhar uma aula, pensando que tinha achado o meu esporte. Maybe not... O que vi no ringue não me agradou em nada. Não se assemelhava às aulas de boxe executivo que fiz no passado, tampouco com o aeroboxe, muito menos com os filmes de kickboxing. Era só porrada entre pessoas muito suadas, sem nenhuma musiquinha tocando. Mas tá, esqueçamos a frescura da música, blá blá blá. Não me identifiquei em nada com o que vi ali. O ginásio fica ao lado da piscina, e foi pra ela que olhei com ternura. É na água que me sinto bem. Não curto muito esporte de contato não, a verdade é essa. No colégio, nos esportes coletivos, eu sempre optava pela posição de goleira. Natação é massa por vários motivos: é individual, é silencioso, é um momento nosso, apenas nosso. Sem impacto, altamente eficaz, movimenta todo o corpo. É. Eu gosto de nadar. Nado há anos, desde criança mesmo (ih, faz é tempo...). Não fiquei nem 10 minutos no ginásio. Mas levei em consideração o que Michele falou. Vou procurar outra luta, talvez uma oriental, como o judô ou o karatê. Na verdade não sei nem qual é a diferença entre elas. Mas vou procurar. Por enquanto sigo nadando e encontrando meu relaxamento dentro da água gelada da piscina. Sigo, também, na dança do ventre, pois quero continuar procurando a minha deusa interior. Tenho certeza que, um dia, vou encontrá-la.  

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pelo direito de ser dondoca

frescura pouca é bobagem...
Não é a primeira vez que falo aqui sobre o meu amor pelos sites de desconto. Eles, realmente, mudaram a minha vida. Eu agora, além de uma vida social mais diversificada, tenho acesso a dezenas de tratamentos sensacionais para os cabelos, o rosto, o corpo. Acabo de chegar da drenagem linfática e da manta térmica. Depois uma hidrataçãozinha básica de vinhoterapia nos cabelos, que deixaram os mesmos um verdadeiro luxo! É claro, óbvio e evidente que sem os descontos fabulosos das compras em grupo eu, proleta e mãe solteira que sou, não teria condições de fazer tantas e tantas coisas assim. Afinal, não é nada barato ser mulher. Vocês já pararam pra pensar no gasto mensal de se manter apresentável? Eu, por exemplo, faço as unhas toda semana. Vou à podóloga uma vez por mês. Depilação, pacote completo, é quinzenal: sobrancelhas, cantinhos, x2, axilas, buço, pernas. Hidratação capilar é semanal no salão, em casa é dia sim, dia não (lembrem-se que eu faço natação). Escova inteligente de dois em dois meses. Limpeza de pele, mensal. Tintura de cabelo também é mensal. E como esquecer dos produtos? Shampoo, condicionador, hidratante, reparador de pontas, gel para limpeza facial, creme de esfoliação facial, creme antiidade para o dia com filtro solar 50, creme antiidade para a noite à base de ácido retinóico, creme antiidade para a área dos olhos, hidratante para os pés, hidratante para o corpo, hidratante para as mãos. Esqueci alguma coisa? Ah, claro, A maquiagem. Base, pó compacto, sombras, lápis, rímel, batons, delineadores e pincéis. E não esqueçamos dos perfumes, desodorantes, sabonetes, blá, blá, blá. Ufa! É, mesmo, uma mão de obra. Mas é legal. É legal se olhar no espelho e se sentir bonita. É legal quando olham pra você e você sente que está agradando. Então vale a pena o gasto e o empenho. Mas, voltando ao tema do post, os sites de desconto me propiciaram uma nova gama de opções de dondoquismos. Agora posso fazer fotodepilação definitiva, além das maravilhosas massagens. Ah, como é bom! A-do-ro passar horas na clínica, recebendo pancadas eliminadoras de gordura localizada, ouvindo os sons da natureza tocando no microsystem. É lógico que tudo é uma estratégia de venda, né? Claro que cinco sessões de drenagem e manta térmica não vão resolver meus problemas 60 kg depois. Você compra o pacote no site e depois quer continuar fazendo, e é beeeeeeeeem mais caro. Mas mesmo assim estou lá, toda semana, para os meus momentos de dedicação exclusiva à minha própria pessoa. E digo uma coisa: se der vou continuar sim. Ou vou esperar, ansiosamente, por uma nova promoção no peixe urbano e afins. Afinal, eu também tenho direito de ter os meus momentos de dondoca. Ou não tenho? Ah, tenho sim!!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Rehab: ela deveria ter ido

antes e depois
O mundo se chocou, no último sábado, com a notícia da morte de Amy Winehouse. Peraí... se chocou? Por que mesmo? Ela era conhecida não apenas pela poderosa voz com a qual cantava, mas também – e por que não dizer principalmente – pela vida desregrada que levava. Afundada até a tampa nas drogas e no álcool, Amy desmaiava em shows e esquecia as letras das músicas. Logo, não havia, de fato, motivo para choque. A morte era apenas uma questão de tempo. Uma carreira promissora, a julgar pela forma voz forte e pela personalidade que ela impunha às músicas, que acabou precocemente por um problema que está consumindo cada vez mais a nossa sociedade: o vício em drogas. De acordo com um produtor da MTV ela morreu em conseqüência de uma overdose de ecstasy, uma das coisinhas que ela usava além do crack e da heroína. Eu não conhecia muito do trabalho dela. Nem cogitei a possibilidade de ir ao show que aconteceu aqui no Recife em janeiro deste ano – apresentação que ganhou destaque nacional pela queda que Winehouse levou no palco. Mas do que conheço, como a famosíssima Rehab, acho legal. E a voz dela... nossa... um poder. Branca, Amy cantava como uma cantora negra de jazz. Sensacional! Lamento pela morte da moça, mas não por ela, pois acredito que ela escolheu o seu próprio caminho. Escolheu morrer cedo demais, assim como os seus companheiros do “clube dos 27”: Janis Joplin, Jim Morrison, Jimmy Hendrix e  Kurt Cobain, todos mortos por problemas com drogas e álcool. Mas pela família e também pelos fãs. Pelos fãs sim, por conta do legado que ela deixou. Legado este que não é composto apenas de discos e músicas, mas de exemplo. Quantas e quantas pessoas vão se mirar no que ela fez? Fico extremamente indignada quando alguém que é formadora de opinião, é uma pessoa pública, faz coisas que incentivam comportamentos nocivos. É um vício, eu sei. É, realmente, uma doença. Mas ao contrário do câncer, por exemplo, é uma doença que pode ser controlada pela vontade da pessoa. Basta, apenas, realmente querer. Demagogia? Não, não é. Eu, por exemplo, fumei durante 10 anos. Quando parei de fumar, por escolha e por promessa, fumava duas carteiras por dia. Meu pai foi do mesmo modo. Fumava muito e quando decidiu parar de fato, parou. Não sei se é mais difícil com drogas, mas vício é vício. Ou não é? Mas aí vamos falar de Ray Charles. Ele tinha graves problemas com drogas. Decidiu parar e parou. Muito massa isso. Pena que é a exceção à regra. A maioria termina mesmo é se destruindo na bebida e nas drogas. Eu, que sou mãe, me preocupo extremamente com coisas assim. Me preocupo em quem são as pessoas que meu filho Renato vai admirar e querer imitar. É. É preocupante de fato. Só me resta ser, pra Renato, uma pessoa saudável e equilibrada. Levá-lo à igreja, como tenho feito. Cercá-lo de pessoas boas e ambientes saudáveis. No futuro – que Deus me livre – se ele escolher um caminho diferente, pelo menos terei a consciência tranqüila de que fiz a minha parte (“ensina a criança no caminho em que deve andar” – PV 22:6). Mas Deus é muito bom. Tenho certeza que ele vai manter o meu pequeno no caminho certo, sem ilicitudes. Amém. E, para finalizar, deixo aqui uma frase de Saint-Exupéry, extraída do livro O Pequeno Príncipe, que me faz pensar que devemos mesmo nos preocupar com o que fazemos e que os outros vêem: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Então pensemos, pois, no que representamos para as pessoas que cativamos. Tenho um primo que fez jornalismo por minha causa, inspirado em mim. Legal, né? Bom exemplo. Que sejamos assim, então. Bons exemplos para aqueles que nos admiram. Amém 2. 

domingo, 17 de julho de 2011

As Relíquias da Morte, parte 2

o tempo passa, o tempo voa...
Poucas coisas me tirariam de casa em uma noite chuvosa como a de ontem. Realmente o sábado foi de água no Recife e muitas ruas estavam alagadas. Mas eu saí de casa. Saí de casa para encontrar algumas pessoas. Pessoas que estão na minha vida há uns oito anos, mas que eu nunca vi pessoalmente. Na verdade são pessoas que sequer existem. Não, não estou falando dos amigos de internet. Estou falando de Harry Potter, Ronald Wesley, Hermione Granger e companhia limitada. Sim, leitores! Eu saí de casa num sábado à noite, debaixo da maior chuva, para assistir o final da saga do fictício bruxinho inglês. Detalhe: o filme já começou no domingo, visto que peguei a sessão de meia noite. A sala estava vazia. Apenas eu, meu sobrinho Marcellinho e outros 11 pottermaníacos que também saíram de casa por pura secura de ver logo a segunda parte do Relíquias da Morte. Ah, claro. Não estou contando com as baratas que moram na sala 3 do tacaruna. Alô, cinemas do tacaruna!!! Vamos brincar de dedetizar as salas??? Tudo bem que a galera é muito mal educada, pois come e joga resto de comida no chão. Mas se a direção do cinema permite a entrada na sala com alimentos tem que ter uma estrutura pra limpar, não é mesmo? Afinal eu não sou obrigada a dividir a poltrona – que é já desconfortável – com barata. Mas tudo bem. Pra ver Harry Potter eu até encaro umas baratinhas. Eu estava muito ansiosa pelo filme. Sou pottermaníaca, ora bolas! Li todos os livros, cada um deles mais de uma vez. O último, o Relíquias, li quatro vezes (e estou lendo a quinta neste momento). Vi e tenho todos os filmes. Claro que os livros são superiores em detalhes e personagens. Mas ver materializado na tela tudo aquilo que a mente imagina ao percorrer as páginas dos livros... é sensacional. Sensacional, também, é acompanhar o crescimento dos atores. Na Pedra Filosofal eles eram crianças. Hoje são homens e mulheres feitos. Mó legal isso. Você se sente íntimo depois de oito filmes. Como se pudesse chegar em casa, pegar o telefone e ligar pra um deles. É. Mas agora acabou. Nada mais de longas esperas pela próxima película, pelo próximo romance. Mas acabou bem, na minha opinião. Livro e filme. Gostei do final. Dos dois. E o filme de ontem... nossa! Que filme!! Sequências alucinantes e de tirar o fôlego. A cena que eu mais esperava ver, que é (sem spoiler) a revelação de Snape, me levou às lágrimas. Chorei mesmo, como criança. Chorei lendo o livro, chorei vendo o filme. Claro que senti falta da riqueza de detalhes da narrativa de JK Rowling, mas acho que o filme atendeu sim. Mas... vou dar uma opinião melhor quando assistir mais uma vez. Ou duas. Ou três. Alguém duvida que eu vou novamente? E novamente?? E novamente??? =)

sábado, 16 de julho de 2011

Longe dos olhos, perto do coração

eu e Flaves em Pipa (RN), long time ago
Eu falo sempre aqui em novos melhores amigos de infância. Quando falo sobre esses amigos estou me referindo às pessoas que conheço há pouco tempo mas com as quais comecei a desenvolver uma amizade. E é massa, sabe? Conhecer gente nova, escutar novas piadas, partilhar experiências novas... mas eu prezo e preservo muito as minhas amizades antigas. Amizade daquele tipo que você conhece tão bem a pessoa que sabe se ela está legal ou não pelo modo como ela diz "alô" ao telefone. Sintonia, cumplicidade, ligação. E há algumas amizades muito, muito antigas mesmo. Não que eu seja velha, não é isso que estou dizendo. Mas sabe aquela pessoa que está na sua vida desde antes de você se entender por gente? É, é isso mesmo. Tipo os nossos pais se conheciam e eu sou do mês de abril e ela de agosto de 1973. Temos praticamente a mesma idade e convivemos nos mesmos ambientes desde que nascemos. Frenquentamos o mesmo colégio, a mesma igreja, os mesmos acampamentos de férias. Legal, né? Estou falando de Flavinha. Ou Flaves. Ou Pitoco. Ou Fafi. Os apelidos são muitos, assim como os meus. Kinha é o preferido, acho super-carinhoso e pessoal, pois só ela me chama assim. Flavinha se mudou pra Angola há muitos anos, foi passar uma temporada e não voltou mais. Se deu bem por lá, graças a Deus. Sinto falta, mas a cada três meses ela aparece pela terrinha pra matar saudades. É claro que a concorrência é enorme. Família, outros amigos. Nem sempre dá pra encontrar (muitas vezes não encontramos amigos que moram no bairro ao lado, não é?) mas quando nos encontramos parece que estávamos juntas ontem, na rodinha do Agnes, conversando potoca e saboreando um picolé elite. Ai, ai... nostalgia... Ela foi embora hoje, voltou para Angola. Agora só retorna ao Recife daqui a três meses. A saudades fica, mas sei que quando nos encontrarmos vai ser exatamente como sempre é: como se tivéssemos passado o dia de ontem todinhos juntas, conversando e rindo. Amizade é assim. Novas ou antigas. Mas é essencial que seja, simplesmente, amizade. Amo você, amiga. PV 17:17.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Depois de você...

Ontem eu fui ao show de Leoni. Leoni, vocês lembram dele? Ex-Kid Abelha, da época que o grupo ainda ostentava o complemento no nome de os "abóboras selvagens". Depois ele saiu do Kid e lançou a Heróis da Resistência. Hoje, em carreira solo, não sei responder se Leoni faz sucesso ou não - se eu fosse julgar pelo show de ontem, por exemplo ficaria em dúvida. Dúvida porque o público não era grande, também não era da minha faixa etária, como eu imaginei que seria. Era um público pequeno, pequeno e novo, mais pra idade de Cofre, com quem eu fui ao show. Mas curiosamente esse pequeno e novo público cantou mais as músicas de Leoni do que eu, que me julgo uma expert em som dos anos 80. Ao que me parece Leoni fez muita coisa nesse período que eu pensei que ele estava... sei lá onde. E todo mundo escutou, menos eu. Hahahahahaha... O show foi legal, tirando alguns detalhes, como o cara que abriu pra Leoni (que me fez cochilar encostada na mureta do clube), a péssima acústica do Líbano e, principalmente, o desrespeitoso atraso do cantor, que começou a apresentação quase 1h - três horas após o horário impresso no ingresso. Mas foi bacana escutar as musiquinhas de Leoni. Claro que senti falta do meu aconchego, mas faz parte da vida. Cantei e dancei músicas como "só pro meu prazer", "dublé de corpo" e "os outros". Em "os outros", aliás, me transportei para outro lugar enquanto entoava o verso "depois de você os outros são os outros e só". Faz parte, como já disse. E é com essa musiquinha que me despeço hoje. Enjoy!



Os Outros
(Leoni)


Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros

Ninguém pode acreditar
Na gente separado
Eu tenho mil amigos
Mas você foi o meu melhor namorado

Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer

A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender

Depois de você
Os outros são os outros e só

São tantas noites em restaurante
Amores sem ciúmes
Eu sei bem mais do que antes
Sobre mãos, bocas e perfumes

Eu não consigo achar normal
Meninas do seu lado
Eu sei que não merecem mais que um cinema
Com meu melhor namorado

Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer

A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender

Depois de você
Os outros são os outros e só

terça-feira, 12 de julho de 2011

O que não nos mata... nos fortalece.

a vida não é conto de fadas
Hoje eu fiquei muito irritada comigo mesma. Como parte da minha peregrinação pós-redução de estômago fui visitar o terceiro cirurgião plástico. Ele me recebeu cheio de sorrisos e perguntou o que poderia fazer por mim. Respondi: "tudo. quero dar uma recauchutada geral". Ele, me olhando surpreso: "por que?". "Excesso de pele decorrente da gastroplastia", expliquei. Na hora o sorriso desapareceu. "Desculpe. Eu só trabalho com pacientes normais", disse ele. Foi aí  que me senti como a personagem de Julia Roberts em Uma Linda Mulher. Tem um cena na qual ela é abordada pelo advogado de Richard Gere e ele pergunta pra ela se depois que tudo passar eles podem fazer um programa juntos. Ela, prostituta vestida de dondoca, fica desconcertada. Depois, cobrando explicações de Gere, ela diz que vestida com roupas de prostituta sabe sair de uma situação como aquela. Vestida como mocinha, não. Foi mais ou menos o que senti na hora. Antes, 60 kg mais gorda, eu teria uma resposta na ponta da língua. Hoje, pseudo-magra, fiquei muda, triste, arrasada. 
Eu, que já não ando lá muito bem, saí do consultório pensando que o tempo e as experiências pelas quais passamos ao longo da vida criam em nós uma couraça. Algo como uma blindagem, imagino. E essa blindagem é o que nos protege de cair nas mesmas ciladas que nos fizeram cria-la. É como um círculo vicioso de dor e sofrimento que nos deixa cada vez mais endurecidos, céticos e incrédulos com as coisas e com as pessoas. Anos e anos de porrada nos preparam para estar fortalecidos para as situações. Certo? Nem sempre. Pelo menos é pra ser assim. Mas nem sempre é. Vocês já se pegaram caindo, sistematicamente, nos mesmos erros? Já se permitiram viver alguma coisa mesmo sabendo que o IVDM (índice de vai dar merda) era altíssimo? 
Pois é. Isso acontece muito comigo, em várias situações. Situações simples, como uma leve alergia, por exemplo: sei que fico me coçando quando como camarão, mas como mesmo assim. Ou ao permitir que um cirurgião plástico imbecil e gordo me deixe down ao dizer que só opera pessoas normais (opa! ex-gordo é anormal???). Passei anos e anos me trabalhando pra não me machucar com comentários assim, mas agora que não sou mais gorda, me pego nocauteada por palavras infelizes e mesquinhas. Enfim, pensamos que estamos prontos para viver ou para ouvir qualquer coisa. Linda teoria... na prática... humpf!!! 
E tudo fica ainda mais difícil quando envolve relações humanas. Relações humanas são complexas normalmente e quando já há algum indício de que vai dar merda, é pior ainda. Exemplo: emprestar dinheiro pra alguém que já te deu problema para pagar uma vez. Ou contar com um amigo tal que em outra oportunidade já te deixou na mão. É nessa hora que devemos escolher se queremos ter essa pessoa na nossa vida ou não, pois defeitos todos têm, eles são inerentes ao ser humano, assim como as qualidades - eles são, na verdade, as características que tornam cada pessoa única. Mas veja que bom: nos é facultado é o direito de escolher se vamos conviver bem com aquelas características ou não. Nós podemos escolher de fato se queremos continuar ou não tendo tal pessoa nas nossas vidas e em que patamar vamos colocá-la. Mas mais uma vez repito: a teoria é linda. 
fênix
Eu realmente já levei muitas lapadas da vida. E me tornei uma pessoa extremamente dura por conta disso. As experiências amorosas desastrosas e as rejeições me fizeram evitar muita proximidade. Mas às vezes baixo a guarda e deixo que entrem intensa e profundamente na minha vida. E continuo quebrando a cara. E aprendendo. E sigo vivendo, caindo e levantando, sacudindo a poeira e colando os cacos. E, graças a Deus, tenho em mim o poder da fênix, pois sempre renasço, mais forte, das minhas próprias cinzas. Demora, mas renasço. E vai ser assim dessa vez também. Vou me recompor da queda, do comentário, de tudo. E vou sair de tudo isso ainda melhor e mais fortalecida. Se Deus quiser. E Ele quer, pois eu sou uma pessoa abençoada. 
Chovia muito quando eu saí do consultório do médico. Minhas lágrimas se confundiam com os pingos da chuva que castigavam o meu rosto. Eu queria gritar, gritar o que não gritei pra o idiota do médico. Peguei o carro e segui para a natação e lá descarreguei toda a minha raiva, minha frustração. Tudo tem realmente um lado bom: consegui nadar 1000 metros na piscina gelada. Cada braçada era um alívio, um exorcismo, uma purificação. Estou melhor agora. 100% ainda não, mas vou ficar. Parodiando Chico, "apesar de você amanhã há de ser outro dia". E que venha outro dia, outros médicos, outras experiências. Estou pronta, pois "tudo posso Naquele que me fortalece". Amém. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Nocaute verbal

Se há uma coisa da qual me convenço cada vez mais é sobre o poder das palavras. As palavras, de fato, podem doer mais do que um murro de Mike Tyson. É claro que as pessoas que falam coisas que nos magoam muitas vezes tentam se justificar com frases tipo "eu estava de cabeça quente" ou "não era bem isso que eu queria dizer". Mas não adianta. Já disse e a palavra não pode ser apagada, mesmo com um pedido de desculpas. E está na Bíblia, lá no livro de Mateus: "a boca fala daquilo que o coração está cheio". Tradução: um coração cheio de rancor vai proferir palavras rancorosas. Um coração cheio de amor vai falar de amor. Eu sempre fui muito de ter bocão. Falava mesmo, sem pensar, às vezes ainda faço isso, mas vivo me policiando. E antes, quando eu pensava, era pior, se o meu objetivo fosse de fato atingir a pessoa. Eu sei usar as palavras, não foi à toa que escolhi o jornalismo como profissão. No mesmo capítulo do livro bíblico de Mateus está a frase que se popularizou na música de Pepeu Gomes: "o mal é o que sai da boca do homem". É. É verdade. Podemos ser de fato muito malvados com as palavras. Sei que magoei muita gente com a minha língua ferina e cada dia é, pra mim, um exercício de evolução. Procuro pensar antes de falar e, principalmente, evito falar qualquer coisa quando estou com raiva. Isso tem me ajudado bastante. Ah, se todos fossem assim também... Se cada um pensasse um pouquinho antes de abrir a boca... quanta dor seria evitada, né? Quanta mágoa, quanto rancor não existiria... Não estou falando aqui de mentir ou enganar, sou favorável à sinceridade. Mas que tal apenas de pensar no que vai dizer? Diga, mas veja a forma que vai fazer isso. Isso já é um grande passo, pois a palavra dita não tem volta. É como disse o pai da psicanálise, Sigmund Freud, que nos premia com a pérola: "o homem é dono do que cala e escravo do que fala". Sábia frase.

domingo, 3 de julho de 2011

Domingo no parque

pais: escolham bem o nome dos seus filhos!!!
Domingo é dia de ir à igreja e de levar o pimpolho para passear. Considerando que domingo é, também, o dia de folga da babá, é muito importante ponderar todos os prós e os contras do passeio que vamos escolher para levar o pimpolho. Eu, que moro no centro do Recife, optei por levar Renato ao parque 13 de Maio. Bom... digamos que não foi assim a melhor escolha que eu poderia fazer. Explico. O parque é legal, tem espaço para as crianças correrem, tem muitos brinquedos (que precisam de manutenção, by the way), blá, blá, blá. Mas... a concorrência pelo metro quadrado é imensa. Gigante, eu diria. São centenas de pimpolhos dos mais variados tamanhos correndo e procurando o seu lugar ao sol. E tenho a impressão que as crianças que frequentam o 13 de maio aos domingos não tem a educação como ponto forte, pois eles não respeitam nada, nem ninguém. Por várias vezes salvei Renato de levar pezadas de garotos de 10, 12 anos que, ignorando o fato do meu filho ainda ser um bebê, corriam na frente dele para pegar os brinquedos. Os brinquedos, aliás, eram disputados à tapa. Nos escorregadores gigantes, lotados, meninos e meninas subiam pela descida, enquanto ss demais, que esperavam pacientemente na fila, tentavam descer. Pais e mães nada faziam. Tomei a iniciativa e fui falar com a segurança do parque, pois estava vendo a hora de acontecer um acidente ali. A resposta do cara foi "ah, isso não é nossa responsabilidade não". "Como não", perguntei, "vocês não são os seguranças do parque?". "Ah, dona... adianta reclamar não". Ah, tá. Não adianta reclamar. Então, deixemos, pois, que baguncem à vontade, né? Olhe... fico indignada com coisas assim. Já fui com Renato ao parque da Jaqueira, que fica numa área mais elitizada da cidade. Lá as crianças também eram enlouquecidas, mas não chegam aos pés das do 13 de maio. Mas Renato, alheio à falta de educação que o cercava, estava estasiado com toda aquela agitação. Parou, boquiaberto, diante de um brinquedo que tinha uma ponte de madeira pela qual as crianças passavam para chegar ao escorregador. Eis, que por trás de mim ouço a voz de um homem gritando: "Liberty! Liberty!!". Virei, curiosa, para saber do que se tratava. Qual foi a minha surpresa ao perceber que nada mais era do que um pai berrando pelo filho - Liberty. Tive um imediato acesso de riso. Quase uma síncope. Hahahahahaha. Liberty.... certamente uma homenagem ao plano da operadora Tim, que diz, na propaganda, que diminui as distâncias entre as pessoas. Ai, ai.... é cada uma! Foram duas horas de lazer com Renato. Ele, com certeza, adorou. Já eu vou pensar duas vezes antes de ir novamente ao 13 de maio em um domingo...