sábado, 18 de junho de 2011

O resto é mar...

dois.
O tempo passa, o tempo voa... não, não estou falando da poupança Bamerindus. Estou falando é da natureza feminina, que mesmo com o passar dos anos e a queima do sutiã, não muda. Nunca. Dia desses estava no médico e enquanto esperava minha vez de ser atendida espichei os ouvidos para escutar, descaradamente, a conversa de duas senhorinhas da boa idade que estavam sentadas ao meu lado. O papo girava, claro, em torno dos motivos pelos quais elas estavam num consultório médico. Mas, na sequencia, o tema foi ficando mais pessoal e evoluiu para o "eu tenho tantos filhos e tantos netos". Me desliguei um minuto para atender o celular. Percebi que uma das senhorinhas aprumou a coluna e passou a mão nos cabelos antes de entrar no novo tema da conversa: namorado. Ela, a senhorinha, se gabava de estar namorando. Falou que eles estavam de viagem marcada para os EUA. Ele é cardiologista e, assim como ela, viúvo. Ela, aos 67 anos, reencontrou a felicidade ao lado de um companheiro de 74. Legal, né? Mas me chamou atenção mesmo foi a maneira orgulhosa com a qual ela narrava os preparativos da viagem com o namorado. Sim, exatamente. Todas as frases eram pontuadas com a palavra "namorado". Achei engraçado porque eu, aos 38 anos, faço a mesma coisa. É um orgulho pra mulher abrir a boca pra dizer que está namorando. Nossa estagiária lá no trabalho, de 21 anos, a quem eu carinhosamente chamo de cofrinho, andava angustiada por não saber se estava ou não namorando ou se estava "ficando" ou "ficando ficando" (seja lá o que isso quer dizer). É. Realmente é a natureza feminina, não importa a idade. Gostamos de ter alguém, de ter um companheiro, um namorado. Um homem pra chamar de seu, como diria Erasmo Carlos. Agora estou me perguntando porque somos assim. Por que nos enchemos de orgulho de falar que temos alguém? Será que é mesmo verdade que é impossível ser feliz sozinho? Impossível... creio que não. Mas acho que a felicidade é mais plena quando temos alguém com quem compartilhar a vida. Eu, por exemplo, estava sozinha há seis anos. E eu era feliz. Mas concordo que é muito, muito melhor mesmo, ter alguém. Alguém com quem compartilhar, sair, rir, chorar, brincar, conversar, fazer amor, dançar, et cetera. Mas será que isso é, apenas, da natureza feminina? Ou é da natureza humana? Ou é, simplesmente, da natureza? Não sei. E o que importa? O importante, mesmo, é ser feliz. Sozinho ou acompanhado. Mas é bem melhor acompanhado. Ou não é?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que você tem a dizer sobre isso?