sábado, 25 de junho de 2011

A escolha de Léa

Renato, dentro de mim, com 33 semanas
Acabei agorinha de ler no Diário de Pernambuco* de domingo (???) uma matéria muito interessante de Marcionila Teixeira, intitulada "A Decisão de Léa". Léa é o nome fictício da personagem da tal matéria, uma mãe de dois filhos, grávida do terceiro, abandonada pelo amante casado, que decide entregar o filho que vai nascer para adoção. A narrativa da repórter é emocional e emocionante. Eu, que ando meio desacreditada dessa safra de jornalistas que está no mercado, me deleitei com o texto de Marcionila, que é da minha geração, pois ele me levou a sentir as dores de Léa. Não é algo como "a escolha de Sofia", filme que narra a história de uma mãe judia que tem que escolher, em um campo de concentração, um dos filhos para morrer. Punk, não? Mas a história de Léa é diferente. Ela decide que não tem condições de criar mais um filho, pois está desempregada, morando de favor na casa de uma amiga, sem perspectivas. E ela escolhe que vai dar à criança uma chance de ir para uma família que vá cuidar dela. Ao se inscrever no programa Mãe Legal ela abriu mão de ser a mãe do bebê. Eu acho essa atitude extremamente bacana. Difícil e bacana. Dar um filho para alguém que deseja ter um filho mas não pode é um ato de amor, ao meu ver. É um ato de amor pela criança. Entendam o meu ponto de vista. Quando um filho está crescendo dentro da gente é uma coisa incrível. Os sentimentos são muitos e o vínculo se estabelece quando começamos a perceber os movimentos, a escutar o coração batendo. Amor... pode não haver ainda, é fato. Afinal amor se constrói. Mas há um vínculo, isso há. E quantos casos vemos de mães que jogam seus filhos fora? Que os matam? Que os abandonam na rua ou simplesmente enterram vivos? Ser racional ao ponto de identificar que não pode, por qualquer motivo, ou simplesmente não quer criar, não importa o motivo, mas ter a preocupação de entregar o bebê a alguém que o queira é muito digno, decente, é, de fato, um ato de amor. Acho bonito isso, de verdade. Ter um filho mexe muito com a mulher. Por mais que o homem seja presente, participativo, envolvido, o maior, digamos assim, ônus, é da mulher. E esse meu pensamento só ratifica minha opinião de que pra ter um filho tem que querer. Querer mesmo. Há bônus? Inúmeros, incontáveis. Renato, por exemplo. Meu filho Renato. Ele é uma delícia de menino. Lindo, inteligente, carinhoso. Levado da breca. Mas tem horas que enche o saco. Enche mesmo! Tem horas que eu tenho vontade de sair correndo! Mas tê-lo foi minha escolha. Optei por tê-lo, mesmo sozinha. Opção do mesmo modo que a de Léa, que podia ter feito mil coisas, mas escolheu dar o filho a alguém que o quisesse e pudesse criar. No final Léa não entregou o filho para adoção, pois a família dela, omissa no início, apareceu e se dispôs a ajudar. O pai da criança, que havia sumido, reapareceu e disse que iria registrar. Massa. Final feliz. Mas tenho certeza de que feliz também seria se ela tivesse mantido seu plano de dar o filho. Deus ia, com certeza, olhar muito por esse bebê. Afinal, se já dizem que oração de mãe vale por duas preces, imagina então uma mãe biológica e outra de criação buzinando lá no juízo do Criador? Não tem como não ser uma pessoinha muito abençoada. Felicidade para Léa e seu bebê. Que Deus abençoe. E que Deus abençoe, também, todas as mães que, num ato de amor, se preocuparam em dar seus filhos para que fossem criados por quem queria e podia fazê-lo. Amém. 


* Não tenho como colocar agora o link da matéria aqui, pois está, realmente, no jornal de domingo, 26 de junho, e hoje ainda é 25. Mas acessem o portal do DP (www.pernambuco.com) e procurem a reportagem. Tá no caderno Vida Urbana. Vale a pena ler. 

Um comentário:

  1. Concordo plenamente com vc Kiki. Esse seu post confortará aquelas mães que por necessidade tiveram que tomar a difícil decisão de entregar um filho para adoção. Quanta dor essas mulheres devem ter em seu coração? Quantas lágrimas derramadas? Mas ... o amor de mãe é infinito e com certeza essas senhoras estão rogando a Deus proteção aos seus filhos. Bj

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