quinta-feira, 23 de junho de 2011

Como uma deusa...

coisas assim denunciam a minha idade...
Ontem tive a minha primeira aulinha de dança do ventre. Posso compartilhar com vocês que foi um momento de várias descobertas. Exemplo: percebi que há músculos no meu corpo cuja existência eu, aos 38 anos, ignorava solenemente. Também vi, refletida no espelho, o quão suave posso ser ao executar os movimentos delicados da dança (e olhe que eu nunca pensei que poderia ser delicada e suave). E, ainda me vendo no espelho que tomava toda a parede da sala, do piso ao teto, notei por quantas mudanças o meu corpo passou. Observando as demais alunas na sala me percebi, pela primeira vez, magra. É. Eu estou magra. Com um ano e três meses de reduzida hoje posso dizer isso, pois agora eu me percebo assim. Meu IMC (índice de massa corporal) aponta sobrepeso, mas o espelho me diz: magra. Isso se deve à minha estrutura corporal mesmo. Sou graúda, entendem? Tenho uma estrutura óssea larga e pesada, além de uma musculatura desenvolvida (anos de halterofilismo, creio eu. Imagina andar com 60 kg a mais nas costas???). Descobri isso há anos, ao fazer um exame chamado “bioimpedância”. De acordo com ele, meu peso é ideal são confortáveis 75 kg. Nada mal pra quem ostenta apenas 1.65m, não é? Lógico que nunca serei uma Twiggy*, mas na boa? Gosto de formas arredondadas. Acho que o corpo da mulher tem que ter curvas e carne. Algo tipo filé, claro. Não picanha. Mas voltando à dança do ventre, eu simplesmente adorei a aula. Gosto mais da dança de salão, mas a dança do ventre, além de ser uma experiência nova, vai ser um desafio. Os movimentos são difíceis, sabe? O braço de serpente, por exemplo. Eu sou destra, então não tive grandes problemas para fazer o tal braço do lado direito. Quando fui fazer o esquerdo... nossa! Pense numa total falta de coordenação! Pois não é apenas o braço. O braço serpenteia e a finalização é nas mãos, mais precisamente nos dedos polegar e médio. A professora, Michele, disse que era assim mesmo. Que o começo é difícil. É preciso treino e domínio do corpo. Ela, a professora, defendeu sua monografia sobre os benefícios fisiológicos da dança do ventre. Dentre eles está o bom funcionamento do intestino. Bom pra mim, né? Sofro com isso desde a cirurgia de redução. Sob frases de estímulo como “descubra a deusa que existe em você”, executei, junto com a turma, a coreografia ensinada, ao som de Fata Morgana. Gostei do que vi. Hoje pela manhã, quando acordei levando um porco de pelúcia na cabeça – cortesia do meu filhote –, estava toda doída. Mas feliz. É. Vou me desafiar, não vou desistir. Já estou ansiosa pela aulinha da semana que vem. Até lá sigo praticando diante do espelho, admirando a minha nova forma, minha suavidade e descobrindo essa tal dessa deusa que há dentro de mim. Fiz, gostei, recomendo.

* Twiggy foi, nos anos 70, padrão de beleza. Modelo britânica que lançou o estilo andrógino, ficou famosa pela extrema magreza e baixa estatura. 

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