sexta-feira, 6 de maio de 2011

O dia em que o Recife parou

transporte adequado para a Veneza Brasileira
Ontem o Recife viveu momentos de verdadeiro caos. Tá. Quem mora por aqui sabe que a cidade realmente fica impraticável quando chove uma coisinha. Então imagina a combinação de cidade cheia d'água com boato de enchente? Pois é... Desde o turno da manhã que ferviam na internet informações sobre abertura de comportas das barragens de contenção e, consequentemente, transbordamento de rios e canais. Resumo: a notícia era que o Recife seria alagado - com a aquiescência do poder público. Sim, gente. Alagado, deliberadamente, por ordem do governador e fofinho Eduardo Campos. Como assim, pessoal? Apesar dos desmentidos publicados, inclusive, no site do Governo do Estado, a boataria continuou e à tarde vários estabelecimentos comerciais fecharam as portas, como o Shopping Plaza (Casa Forte), que fica ao lado de um canal. Depois que saí do trabalho passei em casa para pegar a família para ir ao supermercado. Impossível. A av. João de Barros estava intransitável. Depois de meia hora em trânsito lento consegui sair pela Agamenon e, para não perder a viagem, seguimos para o Tacaruna. Lá ainda não havia caos. Ainda. Logo começou: lojas fechando as portas, mãe e sobrinho histéricos temendo morrer afogados e encharcando para ir embora enquanto eu calmamente provava um lindo spencer xadrez. Moral da história? Voltei pra casa, sem o spencer, no maior engarrafamento do mundo. Não era apenas engarrafamento de carros não. Era de gente! As pessoas corriam enlouquecidas pelas ruas, tentando se salvar do que eu imaginei ser, pela cena, um tsunami. Liguei - depois de muito tempo esperando desocupar a rede da TIM - para uma colega que trabalha no jornal e perguntei se eu deveria correr também. Ela me acalmou dizendo que Dudu (o governador) estava nas rádios desmentindo - novamente - o alagamento consentido do Recife. Segui para casa, onde consegui chegar apenas uma hora depois. Mas ontem eu confirmei - não que tivesse alguma dúvida sobre isso - que as palavras e a internet têm mesmo muito força. Fiquei realmente assustada com a confusão que se instalou na cidade. Espero que as pessoas que perdem tempo plantando esse tipo de boato tenham mais consciência, pois o caos atrapalhou a vida de muita gente. A babá do meu filho, por exemplo, foi pra casa andando. Do centro da cidade, onde moro, até a Alto do Pascoal. Dá pra tu? Ninguém merece... Graças a Deus - graças mesmo - que a chuva deu uma trégua. Tomara que tudo se normalize agora. Amém.

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