terça-feira, 26 de abril de 2011

Orgulho de ser analisada!

o pai da psicanálise
em versão barbie
Hoje eu retomei a minha terapia. Na verdade todos os gastroplastizados são orientados a fazer terapia, justamente por conta das mudanças radicais de alimentação, visual, blá blá blá. Mas eu vou além. Vou dizer pra vocês que eu acho que todas as pessoas deveriam fazer terapia. É... acreditem. Quem está afirmando isso é alguém que era extremamente cética com esse lance de psicólogo. Eu achava que todo psicólogo ia atribuir a culpa de todos os males da humanidade às nossas mães, e pensava que fazer terapia era coisa de gente desequilibrada, gente que não tinha amigos, enfim... até que fui obrigada (sim, eu disse obrigada) a fazer, pois uma das exigências do plano de saúde para liberação da cirurgia de redução de estômago é o laudo de um psicólogo. Comecei carregada de preconceito e com o mesmo ceticismo de sempre. Mas com o passar do tempo e as sessões semanais vi que esse lance de terapia é legal, de verdade. Quando fui hoje, depois de quase um ano sem ir, percebi que senti falta. Senti falta de conversar com alguém isento, sabe? Não por ser um profissional que, em princípio, é pago para te ouvir. Mas por ser alguém que, na pior das hipóteses, vai te dar uma opinião sem a carga emocional que um amigo - que tem um envolvimento com você - faria. Ou seja, é aquela lógica de que quem está de fora enxerga as coisas com mais clareza, só que, por se tratar de um profissional da área, vê com mais clareza ainda. Conversamos muito hoje, dra. Rita e eu. Falamos sobre as mudanças que aconteceram na minha vida e sobre os reflexos dessas mudanças nas minhas atitudes. No consultório, sentada na confortável poltrona do papai que tem lá, lembrei de uma tecla sobre a qual ela bateu muito nas sessões que antecederam minha cirurgia: se eu estava preparada para me ver no espelho depois de perder tanto peso. Eu, metida e segura de mim além da conta, afirmava que sim. Ela, experiente e profissional, me dizia para ser cautelosa, pois a mudar fisicamente como eu estava me propondo a mudar não era uma tarefa fácil. Lembro que ela perguntou uma vez se eu estava pronta para lidar com a flacidez resultante da perda rápida de peso. Respondi, cavalo do cão que sou, que sim, estava, pois quem lidava com 135 kg lidava com qualquer coisa, blá blá blá. Bom... ela ponderou que não era bem assim, que estar adaptada a um corpo arredondado era uma coisa e que flacidez era outra. Além do mais ela disse que ao longo da minha vida, como sempre fui gorda, construí minhas defesas com base nesse corpo imenso e que ele ia mudar. Não levei muito a sério mas vi, com o tempo, que ela estava certa. Hoje o meu maior problema é exatamente o que eu vejo no espelho e com a falta de hábito com esse novo visual. Emagreci fisicamente mas minha cabeça permanece gorda e eu ainda não sei lidar com esse corpo. Eu disse AINDA. Porque eu vou saber, com a ajuda de Deus e de dra. Rita. Estou feliz por ter voltado para a terapia e ansiosa para a próxima consulta. Ainda tenho muitas camadas de cebola para descascar. Até lá, dra. Rita. Obrigada por tudo. 

2 comentários:

  1. Adorei ... vou mostrar para Paulo ??? Que tem uma certa resistência as sessões que para ele é tão necessário devido aos últimos acontecimentos em nossas vidas. Até mesmo pra mim se faz necessário, esta leitura eu recomendo, compartilho e RT e o que mais precisar...

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  2. Kikiii, diz isso a mainha!
    Pense numa mulher teimosa!

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