sábado, 23 de abril de 2011

Eu fujo das galinhas!

se depender de mim elas não vão mais precisar fugir
Desde que fiz a redução de estômago cada dia é uma descoberta para mim. Falo no sentido gastronômico. O meu cirurgião, dr. Walter, tinha me alertado que não há regras, as intolerâncias são de cada um mesmo, a depender do organismo. Conheço gente que não consegue comer carne, gente que tem dumping (a grosso modo, intolerância aos doces), et cetera. Eu, por exemplo, não consigo comer coisas como pão, arroz, farinha, galinha... É. Isso mesmo. Não consigo comer frango! E se for daqueles grelhadinhos, então... Aff! Bate 100% na trave. E é ruim demais, porque invariavelmente, quando a comida bate na trave, o resultado é o tal do vômito. Depois da cirurgia vomitar é rotina pra mim. Pelo menos três vezes por semana eu chamo "hugo" no banheiro. É lasca. Já fiz endoscopia pra ver se havia algo errado com o meu micro-estômago. Minha gastro, dra. Mitsu, acha que dr. Walter apertou demais o anel do meu estômago. Dr. Walter acha que eu mastigo pouco antes de engolir. Eu, que faltei a todas as cadeiras relativas à medicina do meu curso de jornalismo, concordo com os dois. Mas o que eu queria mesmo era que qualquer um dos dois - dra. Mitsu ou dr. Walter - passasse pra mim uma endoscopia por semana, não por outro motivo além de adorar o efeito da dolantina, o anestésico usado nos pacientes para esse exame. O barato que dá esse remedinho é simplesmente sensacional!!! Deixando de lado a minha porção Christianne F., posso afirmar que tirando o pós-operatório - que é terrível -, vomitar é a pior coisa da redução de estômago. Ah... vocês não achavam que reduzir o estômago era um mar de rosas, né? Perder peso, aumentar a autoestima, diminuir o manequim... Tudo isso é o lado bom da cirurgia. Mas existem reações colaterais que vão me acompanhar para o resto da vida. Mas é obvio que eu não me arrependo, estou muito feliz com o resultado. Me arrependi nos cinco primeiros dias depois do procedimento, pois não consegui dormir por um minuto sequer. Não tinha posição. Mas isso acontece apenas nas cirurgias abertas, as laparoscópicas são mais tranquilas, me falaram. Whatever... Mas tirando isso... não me arrependo mesmo!!! O fato é que hoje eu fui almoçar na casa do gatinho e o cardápio era lasanha (aaaaaaaaaaaaaaamo) de frango. Travei na segunda garfada. Fiquei frustrada, pois massas em geral são bem toleradas por mim. Mas foi o frango. Tava ótimo, bem desfiadinho, molhadinho.... mas bateu na trave. É mesmo uma pena. Mas tudo bem. Perder 60 kg em um ano vale o sacrifício de não comer algumas coisinhas. Se eu tivesse que fazer novamente, como já disse antes, faria. Mesmo sabendo das restrições impostas pelo meu novo e pequeno estômago. Estou feliz. Mesmo sem conseguir comer galinha. É mais ou menos como diria Maria Antonieta, né? "Não tem pão? Que comam brioches!". O povo francês não ficou lá muito satisfeito com a frase da monarca e a usou contra ela durante a revolução francesa. Mas, pra mim, ela mandou bem no recadinho: substituam, pois. No momento minha leitura é essa: não dá pra comer galinha? Coma o ovo, que veio primeiro. Ou será o contrário?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que você tem a dizer sobre isso?