sexta-feira, 22 de abril de 2011

Amar não é ter que ter sempre certeza...

Take my hand, you know I'll be there
If you can I'll cross the sky for your love
De acordo com a gramática brasileira, o verbo amar é transitivo. Isso quer dizer que ele exprime uma ação e precisa de um complemento (objeto – no caso, direto) para deixá-lo redondinho, inteligível. Mário de Andrade, escritor, publicou em 1927 “Amar, verbo intransitivo”. Ouxe! Vamos entender essa confusão gramatical: o verbo intransitivo é aquele cuja ação que ele exprime não passa necessariamente a outro elemento. Exemplifiquemos, pois: Mônica devolveu o livro (verbo transitivo); A criança dorme (verbo intransitivo). Entenderam? Quem devolve, devolve algo. E quem dorme... dorme e ponto. É. Partindo dessa elucidativa explicação há de se concluir que amar é, de fato, um verbo transitivo, pois quem ama, ama algo ou alguém. Mas... pensando bem, Mário de Andrade também está correto em sua licença poética. Afinal quem ama, ama e ponto. Assim como quem dorme. Claro que estou falando de amor mesmo, sabe. Aquele sentimento que nos faz sentir leves, felizes, enternecidos. Aquele sentimento que nos faz aceitar e conviver bem com os defeitos do outro. Quando amamos alguém, verdadeiramente, é incondicional. E incondicional é um adjetivo que qualifica algo que não admite qualquer condição (mais uma vez a licença poética de Mário de Andrade se mostra correta: amo e ponto). Eu amo meu filho Renato assim: incondicionalmente. Mas ele é meu filho e filho a gente ama mesmo. E nossa... como eu o amo! Mas... estou experimentando uma coisa nova agora. Um novo tipo de amor. Um amor que está sendo construído com amizade, carinho, respeito, cuidado e confiança. Um amor maduro, saudável, tranquilo. É... tranquilo como aquele cantado por Cazuza... e é uma sorte mesmo, o amor tranquilo. É, exatamente, como nos diz a bíblia na carta de Paulo aos Corintios*: “O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba”. Texto lindo, perfeito, verdadeiro. E eu peço a Deus que continue abençoando o meu amor, esse amor que está crescendo dia a dia, todos os % do mundo. Para todas as pessoas que amam e principalmente para ele - o meu gatinho - a quem estou aprendendo a amar de todas as maneiras que descrevi acima, transitiva e intransitivamente, dedico O que eu também não entendo, música do Jota Quest, da qual tirei o título do post de hoje.  

O que eu também não entendo
(Rogério Flausino / Fernanda Mello)

Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo...

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos

Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis

Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também...


* I Corintios 13:5-6

Um comentário:

  1. Ai ai, sem bem o que cada palavra dita acima diz!!! É bem assim que sinto, e cada dia se confirma e completa minha vida!!! Que este amor a cada dia se modifique e se reencontra completando um ao outro !!! No amor não pode existir tem espaço para o jogo desigual! Se é amor, ambos tem que sentir completos...aí pode dizer "é amor"

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