domingo, 27 de março de 2011

Eu hoje joguei tanta coisa fora...

Grávida de Renato, novembro de 2008
Hoje eu terminei a arrumação do meu guarda-roupas. O processo durou dois dias. Me dediquei a separar para doar as coisas que eu não queria mais, também para dar espaço aos novos modelitos que estão morando comigo agora. Quando dei por mim percebi que havia separado duas grandes sacolas plásticas de roupas. Isso porque ainda tem aquelas peças que por mais que a gente saiba que não vai usar nunca mais é difícil de se desfazer. Como o meu vestido listrado, por exemplo. Comprei quando estava com 7 meses de gravidez. É esse aí do retrato. Grande, grande vestido. Acho que ele, desfeito, daria para cobrir um circo. Exageros à parte, ele é mesmo bem avantajado. Vesti o dito cujo, só de onda, antes de guarda-lo carinhosamente de novo no meu armário. Acho que cabia eu e mais duas dentro dele. Ah, mas é uma ligação afetiva. Fui com ele pra maternidade para ter Renato. Fui com ele ao hospital para fazer a gastroplastia. É. Definitivamente ele tem um lugar cativo nas minhas gavetas. Essa foi a terceira arrumação pós-gastro. Eu já tinha eliminado as peças 56 a 52. Hoje voaram as 50 e as 48. Me senti realizada fazendo isso. Me senti feliz mesmo. Antes arrumar o guarda-roupas era torturante pra mim. Eu invariavelmente encontrava peças (sim, no plural) ainda com etiqueta que eu comprava pra me estimular a perder peso. Nossa, como isso era deprimente. Achar uma blusa comprada há 2, 3 anos, nunca usada. Graças a Deus não passo mais por isso. É engraçado como quase um ano depois da redução de estômago e quase 60 kg a menos ainda me pego, às vezes, pensando como gorda. Tipo no dia que passei na Renner e vi um vestido bonitinho. Procurei na arara e peguei um pra provar tamanho 52. Ficou um fole. Eu parecia mais uma capinha de liquidificador vestida nele. Claro. Visto 42. 
domingo, 13 de março de 2011
Outra coisa que ainda não me adaptei direito foi ao espaço físico. Vivo roxa, pois bato nos lugares quando acho que não vou conseguir passar. Dizem que pessoas que perdem membros, como braços e pernas, os sentem por toda a vida, como se eles ainda estivessem lá. Será que quem perde muito peso é assim também? Será que mesmo depois das plásticas eu não vou conhecer bem o meu volume corporal? Bom, mas de uma coisa eu sei: nunca mais comprarei roupas para usar quando emagrecer. Pra vocês terem ideia tem duas blusas que estou usando hoje em dia que comprei há uns oito anos. Sério mesmo! Lembro até do dia da compra... Comprei uma branca e depois voltei na loja e peguei o mesmo modelo na cor vermelha. Anos e anos depois, dietas e mais dietas depois, só após quase um ano de gastroplastizada consegui vesti-las. Incrível, né? Hoje compro roupas porque gosto delas, não porque elas cabem em mim. E me sinto bem nelas. Me sinto... normal. Como a gente gosta de se enganar e se sabotar... Como a gente faz coisas que nos machucam. Enfim... é como eu falei acima: por isso eu não passo mais. Tudo que eu compro eu uso logo, procuro oportunidade para vestir. E me sinto bem. Feliz. Realizada. Magra, enfim. E, para terminar, cito a música que meu deu o título do post de hoje: Tendo a Lua, de Herbert Vianna. "Eu hoje joguei tanta coisa fora, eu vi o meu passado passar por mim. Cartas e fotografias, gente que foi embora. A casa fica bem melhor assim. O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu e lendo teus bilhetes eu penso no que eu fiz querendo ver o mais distante e sem saber voar, desprezando as asas que você me deu...". Hoje, com certeza, o meu céu é como o de Ícaro, que não teve medo de voar até o sol, mesmo sabendo que ia morrer por isso. O meu céu é como o dele: pura poesia. Um poema leve. 60 kg mais leve...

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