terça-feira, 15 de março de 2011

Alguns danos nos acompanham por toda a vida

rolha de poço é o cacete!!!
40. Esse é um número mágico pra mim. É o número do manequim para o qual estou migrando. Minhas roupas tamanho 42 estão começando a ficar folgadas e algumas já seguiram para o ajuste. Meu Deus, parece mesmo um sonho! Nem me lembro de quando usei 40 na vida. Acho que estava no jardim da infância. Algumas coisas ficam marcadas na vida da gente. Pra sempre mesmo. Tipo uma vez no colégio, na  série (não sei traduzir 5ª série para os dias atuais), quando a coordenadora estava perguntando, aluno por aluno, o número da blusa para os jogos internos. A maioria dizia 10, 12. Eu? 16. A risadagem foi geral na sala. Fiquei constrangidíssima e olhei para a coordenadora que, pela cara de bunda, concordava com a turma e se segurava para não rir também. Pense num trauma. Crianças sabem ser malvadas. Ah, se sabem... Guardo belas recordações do Agnes, mas foi, também, um período no qual eu precisei me afirmar. Tinha uma pentelha lá que adorava mexer comigo. Me chamava de rolha de poço, a vaca. No começo eu ficava péssima, mas depois passei a me defender sendo agressiva. E não parei mais. Virei uma lixa. Implacável. Grossa que só vendo. Defesa, pura e simples. Hoje eu percebo isso e tento trabalhar em mim. Mas os danos são profundos e as marcas nem sempre podem ser apagadas. É assim mesmo. Teve gente que não conseguiu se defender como eu e saiu do colégio e tudo. Como Karine, uma menina caladinha que tinha o cabelo bem liso e lambido. Os meninos cismaram que ela tinha piolho e a “brincadeira” pegou. Ninguém sentava perto dela. Quando ela passava todo mundo protegia os cabelos. Ninguém falava com ela. E gritavam, todo o tempo: “piolhenta, piolhenta”. Pobre garota. Lembro de virar e olhar pra ela uma vez, que chorava sozinha em sua banca escolar. Pouco depois ela saiu de lá. Me pergunto quais danos emocionais isso causou nela. Será que ela, como eu, ficou agressiva? Acho que não, pelo perfil da menina. Mas tomara que ela esteja bem. Sofremos muito, ela e eu. E isso foi grave, pois essa fase na qual fomos perseguidas é um fase de total autoafirmação, é quando estamos construindo o que somos e o que vamos ser pra o resto da vida. Pretendo educar Renato de modo que ele seja um garoto bacana. Amigo. Que saiba o limite entre o que é brincadeira e o que fere de verdade. Espero conseguir. E espero que ele não tenha tendência a engordar. Se tiver vou ser rigorosa no controle da alimentação dele. Não quero que me filho sofra as humilhações que eu sofri. Hoje tem até um nome chique: bullying. Não dá pra proteger os filhos de tudo, mas pelo menos disso, como passei pela situação, se acontecer vou saber identificar cedo e ajudar. E que Deus me ajude a educar bem o meu filhote. Porque nesse mundo cão em que vivemos só com Deus no comando mesmo. Amém!

4 comentários:

  1. Sim, crianças sabem ser cruéis. Não passei por nada disso na escola (tive sorte), mas tinha um coleguinha que também era meu vizinho que era negro e gordo - imagina... hoje, por conta do Bullyng, os educadores estão mais atentos, mas me preocupo com isso. A nossa auto-estima se forma na infancia e é preciso aprender a lidar com essas crueldades desde cedo. Um bom caminho é mesmo cultivar o amor próprio e uma agressividade (por quê não) controlada, para deixar bem claro que não se é tão besta assim.

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  2. mas você acha que essa agressividade deve ser estimulada? Renato é bem agressivo e isso me apavora!!! bate, morde, arranha... pensei em colocá-lo no judô, Ed, quando ele tiver idade, pra controlar legal isso aí. Não quero que ele seja o monstrinho da turma. Mas também não quero que ele seja o saco de pancadas. Como é difícil esse negócio de educar, viu? fala sério...

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  3. Muito. Eu já queria botar Gabriel no judô para ele aprender a dar umas porradas, sobretudo no futebol. Sim, sei que judô não ensina isso mas, saber bater, ou melhor, ser agressivo, é bom e necessário de vez em quando.

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  4. Querida acredite que Deus esta no comando de tudo. Ele nos dá a sabedoria e as “armas” necessárias para nossa passagem aqui na terra. Você foi vítima ou foi escolhida por Ele? Acredito que vc foi minuciosamente escolhida e não foi por acaso, mas devido aos seus dotes desenvolvidos, tais como: garra, muita garra, facilidade de expressão e comunicação, entre tantos outros ... Assim vc se transformou num importante instrumento facilitador para aqueles que necessitam, pense nisso?

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