segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Como é ruim o tal do "tenho que"...

10 entre 10 proletários sonham com a casa própria
Tem dias que são mais difíceis os outros. Venho passando por uma sequência de dias difíceis. Na verdade, desde que voltei para a casa da minha mãe, há nove meses, que viver - pelo menos chegar em casa - é um exercício de paciência. Eu já falei aqui no blog que é complicado voltar à convivência coletiva depois de morar só por tantos anos. E está cada dia mais complicado. Ainda mais com um bebê. Renato é um amor. É lindo. Mas é virado. Virado, virado, virado. E claro que as pessoas perdem a paciência com ele. Eu, que sou mãe, perco! Imagina uma senhora de 80 anos? Pois é. Mas não é só isso não, sabe? É um conjunto de fatores. Mexem nas suas coisas - principalmente se você tem uma irmã, deitam na sua cama, comem a sua comida. É a coletividade, não é mesmo? Me sinto, às vezes, em Jagatah, aquela comunidade hippie na qual Sandy morava em uma novela da Globo cujo nome não me recordo agora. Cara... ando muito sem paciência para essas coisas. Ou seja: passo o dia fora de casa e, consequentemente, passo o dia longe de Renato. Eu tenho três trabalhos. Sou produtora de TV em um lugar, consultora de comunicação em outro e assessora de imprensa de um grupo musical. Em miúdos: ralo pra cacete, cara! Não é fácil responder a tantos chefes assim. Não é fácil conciliar o tempo para atender todos de maneira satisfatória e ainda ser mãe, filha, amiga... Mas eu consigo. Me organizo e consigo. Então, à noite, quando eu finalmente chego em casa depois de um dia exaustivo, começa a reclamação porque o menino é muito levado, porque eu demorei a chegar, porque acabou o pão e o ovo, porque, porque, porque. Aí eu tenho que botar o bebê pra dormir sem mesmo poder tomar um banho antes. Eu tenho que me justificar sobre o motivo de estar chegando mais tarde. Eu tenho que desembolsar uma grana pra comprar as coisas que estão faltando em casa. É muito "tenho que", não é mesmo? Essa coisa da obrigação de fazer as coisas é que são, de fato, chatas. Tudo que se faz porque tem que se fazer fica desagradável. O nome "obrigação" já te remete a coisas negativas, parece até imposto a pagar!!! É claro que sou imensamente grata aos meus pais por terem me acolhido novamente na casa deles. Mas... que é difícil... ah, isso é. Às vezes sinto falta da minha vida avulsa, sabe? Eu era muito livre mesmo. Exemplo: em 2008, dia 30 de dezembro, ligo pra minha amiga Vanessa. "O que vais fazer no reveillon?". Ela: "o que tu sugere?". "Bora pra o show do Paralamas?". "Bora! Onde vai ser?". "Fortaleza", respondi. Seguimos para a capital cearense no dia 31 pela manhã, curtimos o show e no dia seguinte, 1 de janeiro, após o almoço, voltamos, felizes e contentes. Inconsequência? Talvez. Mas foi massa. Mas digo uma coisa: ser mãe é uma nova e maravilhosa viagem. E, hoje, eu realmente não imagino minha vida sem o meu pequeno Renato, nem sei como era feliz antes dele. Quando olho para o rostinho lindo do meu bebê sorrindo pra mim todas as coisas da minha vida de avulsa parecem muito, muito pequenas. Esse texto que segue escrevi após arrumar a mala que ia levar para a maternidade, alguns dias antes de 29 de janeiro de 2009. Reflete bem o meu sentimento sobre o "ser mãe". Filho é a melhor coisa do mundo. E criar filho na casa da gente deve ser ainda melhor. Mas eu vou chegar lá. Lembrem-se das minhas metas para 2011: Kiki minha casa, minha vida 2 - a missão. Hehehehehe...


Já arrumei várias malas na vida. Malas para viagens de trabalho, malas para viagens de lazer. Mochilões para aventuras ecológicas, mochilinhas para pedaladas no mato. Mudas de roupa para passar o dia fora, bolsas e bolsas para 30 dias na estrada. Viagens pelo céu, pela terra, pela água. 
Mas foi arrumando a mala que vou levar para a maternidade que percebi estar na verdade me preparando para a maior viagem da minha vida: ser mãe.
Despachei a bagagem e fiz o check-in. 
O vôo nem sempre foi tranqüilo. Enjôos matinais que duravam todo o dia, pés e pernas inchados, roupas que não cabiam mais... 
Mas o bom de qualquer vôo é pensar no destino para qual estamos seguindo. E no meu caso o vôo tem destino certo: felicidade irrestrita e amor incondicional. Destino que atende, desde já, pelo nome de Renato. 
O serviço de bordo é estranho, confesso... Mas extremamente prazeroso. Chutes e cabeçadas pra todo lado! Ruim? Que nada!! Não há sensação de dor que supere a emoção de sentir a vida crescendo dentro da gente. Escutar o coração que bate acelerado, entender os movimentos corporais dele. Cada milha é uma descoberta. 
O avião já está quase pousando. A cada dia vejo o meu destino se aproximar mais. Só me resta agora contar cada segundo. Porque de uma coisa tenho certeza: essa viagem está apenas começando. 


"Quem será, pois, esse menino? E a mão do Senhor estava com ele". 
Lucas 1:66

3 comentários:

  1. Bota o Renatinho na escola. Vai ser um momento de descanso para vc e os seus e vai ser muito bom para ele também.

    ResponderExcluir
  2. ele vai, pow... agora em fevereiro... espero que a escola ajude Renato a liberar toooooda a energia que ele tem. hehehhehehehe

    ResponderExcluir
  3. Kiki, filho na escola tudo bem, mas realmente, depois de ter a casa da gente, não dá mais para ficar sem.
    Por mais que sejamos bem recebidos, sempre seremos hóspedes e filho tem que ser criado do nosso jeito.
    Tenta ter logo seu canto, nem que seja um "minhacasa, minha vida" rs
    Um quarto e sala, um quitinete, uma casa de fundos, qualquer lugar é melhor que a casa alheia, mesmo que seja a casa da mãe.
    Beijocas, força e foco. Você consegue.
    Feliz 2011.

    ResponderExcluir

O que você tem a dizer sobre isso?