sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O lugar do "ex" é na sua "ex-vida". Na sua vida de hoje, só as pessoas de hoje, mas, principalmente, as pessoas de sempre!!! (sabedoria by Martorelli Dantas)

sábado, 10 de dezembro de 2011

O importante é ter classe!

Bayerische Motoren Werke.
em português: Fábrica de Motores da Baviera
Ontem aconteceu na minha vida mais uma primeira vez. Foi a primeira vez que bati com o carro. É, amigos... aconteceu sim. E foi uma primeira vez que eu dispensava totalmente. Bater com o carro não é nada legal. Primeiro que é um barulho infernal, um susto arretado e uma sensação péssima. Mas é claro que a minha batida – ainda mais se tratando de uma primeira vez – não poderia ser uma simples batida. Até na hora de bater com o carro eu tenho classe. Eu bati, nada mais, nada menos, do que numa BMW. É, numa BWM, aquele carro de origem alemã, caro pra cacete. É, é ele mesmo. 
A batida foi a mais feminina possível. Eu estava saindo do meu trabalho n° 3, do qual sou chefe de reportagem, e tinha deixado uma equipe na rua fazendo uma matéria sobre a iluminação natalina das pontes e praças do Recife. Fofinho, não? Eis que subindo a Ponte do Limoeiro, sentido av. Norte, curtindo o habitual trânsito lento do local, me distraio observando a iluminação da ponte Princesa Isabel, que estava à esquerda, pensando se a equipe já tinha passado por lá. Percebi o trânsito andando, olhei pra frente, vi que o cara andou, engatei a primeira e voltei a olhar para o lado do Palácio das Princesas. Obviamente não percebi que o cara – que estava dirigindo a tal BMW – parou. E, consequentemente, enfiei o nariz do meu pobrinho Ford Ka na bunda do rico veículo dele. 
Eu só me dei conta que tinha batido com o barulho. Um barulhão, aliás. Olhei pra frente e vi o carro parado. Procurei ver a marca do carro, pra ter a exata noção do tamanho da merda que tinha acontecido. Eis que vejo ela, a marca da BMW. A partir desse momento eu não via mais nada, só a marca do carro que saltava em minha direção. Fiquei algum tempo dentro do carro, esperando a reação do dono da BMW. Ele não fez nada, então resolvi sair do carro. Aí ele também saiu. Fiquei ainda mais apavorada: sua camisa exibia o símbolo da Polícia Federal. Agora duas marcas saltavam aos meus olhos, a da BMW e a da Polícia Federal. Ele olhava para o pára-choque do carro dele e para a câmera de ré, completamente destruída. Ele começou a falar comigo e eu não entendia absolutamente nada do que ele dizia. Pensei que ele era gringo, pois tinha imensos olhos azuis. Falei pra ele que não estava entendendo, e ele repetia, repetia e eu continuava sem entender. Aquilo foi me dando um nervoso tremendo, pensei que eu estava tendo algo na cabeça, pois não conseguia entender o que ele falava. Meus olhos encheram d’água e eu senti que ia chorar a qualquer momento. Ele percebeu e começou a me acalmar. Aí aflorou o meu lado mulherzinha: sucumbi ao choro. Chorando e tremendo, ora olhando para o símbolo da BMW na traseira do carro amassado dele, ora olhando para a camisa da PF, eu desmoronei. 
Ele, coitado, ficou sem saber o que fazer. Perguntou meu nome. “Anna”, respondi. “Anninha, fiiii-fiiii-que ca-aaaaaaaaalma. Não ffffffoi nnnnaaaada graaaaave”, disse ele. Foi aí que percebi porque eu não estava entendendo nada do que ele estava dizendo. Ele é gago! Muito gago, aliás. Entre lágrimas, perguntei: “esse carro é um BMW mesmo?”. “É”, respondeu sorrindo. “Mas é veeeeeeeeelha, não se prrrrrreocuuuuuuuuupe. Não foi naaaaaaaada ddddddddddemais”, completou. 
Liguei pra minha amiga Hélida, que também estava saindo do trabalho naquela hora. Ela veio me acudir. Quando ela chegou, eu berrei histérica: “Hélida, bati numa BMW!!”. Ela riu e disse: “Ah, Kiki... só tu mesmo...”. Terminou tudo bem. Claro que ele olhou atravessado quando entreguei meu cartão para que ele me ligasse na segunda. O nome que tem lá é Kiki Marinho. Mas expliquei e ficou tudo bem. Agora é esperar a lapada que vem por aí. 
É claro que a minha primeira batida não poderia ser algo normal, né? Algo como um poste, uma calçada, ou um carro do top do meu. Tinha que ser assim, num carro caro. Mas tudo bem. Deixa rolar. Só espero que eu não tenha que vender o meu Karrinho pra pagar o dele...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Vivendo meu tsunami pessoal

só não vale se afogar!
Hoje eu acordei com uma horrível sensação de fracasso. Fracasso afetivo, quero dizer. Eu sei que isso é normal quando terminamos um relacionamento há pouco e que o sentimento chato vem e vai, como as ondas. Mas hoje essa onda estava mais para tsunami: foi devastadora. O motivo eu bem sei – um comentário de uma amiga, leitora do meu blog: “poxa, vocês terminaram? Que pena... eu era fã do gatinho”
É. Eu também era. Na verdade... ainda sou. Não é porque ele terminou o relacionamento que deixei de ser fã dele. Mesmo consciente de todas as coisas negativas da relação eu sempre acreditei muito nela. Sempre achei que juntos ele e eu conseguiríamos superar todas as milhares de diferenças. Eu até achava graça nelas, às vezes. Ele, organizado demais, eu nem tanto. Ele, disciplinado, eu não. E ele sempre – sempre me cobrava organização e disciplina. E tentei, no começo, ser mais assim pra ele. E esse foi o erro: ser pra ele, não pra mim.
Veja bem, eu tenho quase 39 anos de idade. Vivi mil coisas, fiz mil coisas, tive milhares de erros e acertos. E estou aberta às mudanças, sei que elas farão parte da minha vida até o fim dela. Mas acho que devo mudar quando algo me incomoda ou quando o fato de tal coisa estar incomodando os demais passar a ser um problema pra mim. Mas mudar apenas para agradar outra pessoa... maybe not
Exemplo: a disciplina e a organização que ele tanto me cobrava tinham a ver com alimentação, exercícios e finanças. Ele dizia que eu não me alimentava bem, e como fiz redução de estômago preciso ter cuidado com a alimentação. No quesito exercício era a mesma coisa. “Tem que ter meta”, dizia ele. E eu me martirizava por não ter o mesmo entusiasmo que ele pela malhação. Talvez por ter sido gorda a vida inteira nunca gostei do ambiente de academia. Mas mesmo assim eu me cobrava por não gostar de malhar, sofria com isso e ficava me enganando e enganando ele dizendo que ia começar a puxar ferro. E, com grana, nem se fala. Ele sempre destacou a minha grande facilidade de ganhar dinheiro e a maior facilidade ainda de gastá-lo. 
Tá. Eu concordo com as três coisas. Eu bem que poderia me alimentar melhor mesmo. Eu bem que poderia malhar. Eu bem que poderia ser menos gastadeira. Mas o que eu não acho legal é, além de bater sempre na mesma tecla, fazer disso um problema. Quando vira problema a ligação na hora do almoço deixa de ser um mimo e passa a ser uma cobrança. “Já almoçou? Pô, cara... paçoca não é almoço! Você não se cuida!”
Outra coisa que ele me cobrava era em relação à bebida. Ele dizia que eu tinha problemas com bebida. Não que eu seja “maria-vai-com-as-outras”, mas é engraçado lembrar que na minha relação anterior (seis anos atrás), que durou dois anos, o rapaz não bebia. E eu, durante o tempo que durou o relacionamento, também não. Fazíamos várias outras coisas juntos e beber não estava entre elas. Eu gostava de beber? Nem mais nem menos do que gosto hoje. Mas nunca era o foco dos encontros. Além do mais o meu estômago reduzido absorve o álcool mais facilmente do que um estômago normal. Resultado: eu fico bêbada rapidinho. Sou alcoólatra? Não, não sou. Me divertiria sem a bebida? Sem dúvida alguma. Isso me leva a crer que se você gosta de cinema é está com uma pessoa que também gosta, fatalmente a programação sempre vai ter um cineminha no meio. Não é verdade? 
Mas, na real, nada disso importa. Porque a verdade mesmo é que ele terminou comigo por não querer mais a relação. A minha má alimentação, minha falta de organização e disciplina não foram os motivos reais. O motivo é que ele gosta de mim como amiga, como ele sempre faz questão de me dizer “eu sou uma pessoa muito especial”. E não quer me magoar nem me enganar. Isso fortalece ainda mais o conceito dele comigo. Ele é uma figura de muito bom caráter. Afinal ele poderia continuar comigo e sair por aí me sacaneando. Não fez, mó legal. Mas também não quer dizer que doa menos. Aí eu lembrei de uma cena daquele filme bacana, “Os Incríveis”, que a mãe, a Mulher Elástica, consola o filho Flecha dizendo que “todo mundo é especial”. Ele, triste, responde pra ela: “essa é apenas outra forma de dizer que ninguém é”. Olhai! Viva a filosofia dos desenhos animados!
Estou sentindo falta do gatinho. Sinto falta de receber ligações e de ter pra quem ligar pra contar as leseiras do dia a dia. Sinto falta de dormir abraçadinha e de andar de mãos dadas. Sinto falta do cheiro dele e do aconchego dos seus braços. Sinto falta de fazer planos para o final de semana. Sinto falta do que ainda íamos viver. Sinto falta até das encheções de saco dele. E isso tudo é, mesmo, devastador. Mas estou procurando deixá-lo à vontade, estou dando o espaço que ele tanto quer. Por mais que me doa fazer isso. Se ele quer viver 10 anos a mil... que seja. Como diria Lobão, é mesmo melhor do que “mil anos a 10”. Seja feliz, gatinho! Sou - mesmo - sua fã.
Olhando para trás e fazendo uma análise da minha vida amorosa percebo que nunca dei muita sorte. Fui noiva duas vezes, tive namorados, ficantes, casinhos. Mas todos eles não evoluíram. Alguns porque eu não quis, outros porque eles não me quiseram. Alguns que não que me quiseram depois se arrependeram, mas aí já era tarde demais. E tudo isso me dá uma preguiça... 
Sei que eu deveria ficar feliz com a possibilidade de viver algo novo, de começar algo novo. Afinal o novo é bom, não é? Carro novo é bom. Roupa nova é legal. Sapato novo é sensacional. Mas não estou feliz. Além de ter perdido uma história na qual eu realmente acreditava fico pensando como vai ser derrubar todas as minhas barreiras novamente para uma outra pessoa, criar intimidade com ela, construir uma nova história... É. Talvez seja legal mesmo. Mas não agora. Hoje não. Ainda estou vivendo meu luto e só de pensar nisso tudo fico muito, muito cansada. 
Acho que estou agora exatamente no local onde quebra o meu tsunami pessoal. Estou tentando sair da quebrada da onda e recuar um pouco, pra conseguir afundar. Afundando deixo que a água passe sobre mim. Às vezes é preciso afundar pra tocar o chão e conseguir voltar à superfície. Clichê, não? Mas verdadeiro. E depois que o tsunami passar pretendo levantar a cabeça e sair da água. Mais forte, espero. E mais madura. E pronta para começar de novo. De novo...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Voltando a circular

veneno? não, obrigada.
Uma coisa mó legal quando você passa por um processo de emagrecimento como eu passei e está há muito, muito tempo sem ver um determinado grupo de pessoas é a cara de espanto que elas fazem ao te ver. Ontem foi a festa de confraternização do governador Eduardo Campos com a imprensa, evento esperado por toda a categoria nesta época do ano. 
As festas do Palácio são sensacionais. Comida e bebida à vontade, boa música e, claro, coleguinhas - muitos coleguinhas. Alguns que eu adoro, outros que não gosto, outros novatos que não sei quem são, outros que eu nem lembrava que gostava tanto. O fato é que eu não ia pra uma festa de jornalistas há uns cinco anos. Gravidez, obesidade, filho pequeno, blá blá blá. E ontem eu não ia também. Estava seguindo para casa quando ao passar em frente às Princesas me deparei com um carro saindo, exatamente na porta do Palácio. Interpretei isso como um sinal divino e encostei o carro na vaga recém-liberada. 
Não me arrependi. Como falei no começo do post é mó legal ver a cara das pessoas ao me encontrar. Um deles foi particularmente engraçado, pois conversou comigo longamente e eu percebi que ele não fazia a menor ideia de quem eu era. Quando falei pra ele a reação foi espetacular. A-do-rei!!! 
As mulheres também olham. Com outros olhos, claro. O olhar feminino é mais de avaliação mesmo. Avaliação pra encontrar alguma coisa errada e, logicamente, dar um jeito de comentar. Mas é normal, não me incomoda. Inveja é ruim pra quem sente. Pra mim... não. Tipo: "nossa, Kiki.... tás sem barriga... fizesse plástica?". "Sim, fiz", respondi. "Mostra?", pediu ela. Levantei um pouco a blusa e mostrei a barriga e, claro, a cicatriz (por conta do corte âncora da cirurgia). O próximo comentário foi sobre ela, a cicatriz. "Ah... mas o corte é enorme, né?", destilou. "É grande mesmo. Mas não é maior que o teu bucho. Tchau, querida! Boa festa!", desferi. 
Foi bom. Bom circular novamente, bom sacudir minha network, bom rever algumas pessoas. E, principalmente, bom pra minha autoestima. Afinal, olhar de admiração dos meninos e olhar de invejinha das meninas quer dizer que eu estou realmente muito bem. E isso é só o começo... Que venham as próximas plásticas e, claro, as próximas festas. =)

domingo, 4 de dezembro de 2011

O importante é ser leve

sempre fui leve, mesmo quando era pesada
Mais um ano está terminando. 2011 já está no ocaso e é claro que está aberta, além da temporada de confraternizações, a temporada de reflexões. É uma tendência do ser humano, né? Como no fechamento de um ciclo, fazemos as avaliações do que deu certo e do que não deu. E, claro, várias coisas boas aconteceram. E várias coisas ruins também. 
Exemplo: neste ano eu tive uma intensa experiência profissional e, com ela, fiz milhares de planos que terminaram não dando certo. Mas valeu. Por tudo, sabe? Lamento não ter ido além, mas aprendi muito com tudo que aconteceu. Neste ano também me abri, pela primeira vez depois de seis anos, para o amor. Conheci um cara muito bacana e me entreguei completamente pra ele, sem reservas e sem medos. Também não deu certo. Mas, assim como na experiência profissional, também aprendi muito. E vivi muito, como não fazia há tempos. No final das contas saí ganhando. Nas duas experiências. Alguém que eu não sei quem foi – mas que eu concordo demais – disse que “o fracasso só é fracasso quando dele não tiramos nenhuma lição”. E eu tirei várias lições, acreditem.
A maior delas foi, sem dúvida, o autoconhecimento. Mas eu não tinha me dado conta disso, sabe. Eis que na semana passada, conversando com um amigo muito querido, que pacientemente escutava minhas lamúrias, ele me lembrou quem sou eu. Eu andava meio esquecida. Afinal, quando levamos muitos reveses da vida tendemos a nos culpar, de uma forma ou de outra. Foi muito, muito legal mesmo escutá-lo me lembrando de algumas qualidades que tenho. Como coragem, determinação, garra. E, principalmente, leveza. E essas características, que ele bem me lembrou que tenho, me impulsionaram a fazer tantas coisas por mim e pelos meus queridos. Ah, como essa conversa me fez bem... Eu precisava escutar coisas boas sobre mim mesma, principalmente de alguém que me conhece tão bem.
Aí vêm as reflexões... é preciso ter coragem pra mergulhar de cabeça num trabalho que não dominamos. É preciso ter coragem para abrir o coração pra alguém. É preciso ter coragem para ser mãe solteira. É preciso ter coragem para fazer uma redução de estômago e mudar de vida. É. Pensando bem eu sou uma mulher muito corajosa. Levo minha vida com determinação e garra. E, o mais importante: sem perder a leveza. E isso é, sem dúvida, a minha maior qualidade. Eu andava mesmo esquecida, pois como eu falei lá em cima tendemos a nos culpar quando as coisas não dão muito certo. Mas quer saber? As coisas acontecem quando tem que acontecer. Fato.
E se é assim mesmo que as coisas são nada melhor do que levar a vida seguindo a filosofia de Roberto Carlos: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi...”. Não é mesmo? Mó legal. =)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Póim, póim!

"eu vou nas asas de um passarinho,
eu vou nos beijos de um beija-flor..."
Vocês sabem o que é uma onomatopéia? Onomatopéia é o nome da figura de linguagem por meio da qual imitamos um som com uma palavra. Tipo “glub, glub” que ilustra alguém bebendo água ou até mesmo se afogando. Lembra do seriado de Batman e Robin? Que aparecia uma tela cheia de “pow! tum! soc!”? Pois. “Póim, póim” é uma onomatopéia para uma mola, ou alguém pulando. Pra mim “póim, póim” é a onomatopéia perfeita para a minha novíssima comissão de frente.
O “póim, póim” veio de um fato muito simples. Grande parte das minhas amigas pediu para pegar nos meus peitos novos. Não, pessoas maldosas. Não há nenhuma conotação sexual nisso. Há, apenas, curiosidade de sentir a textura de um peito siliconado. A maioria que pediu para fazer isso tem muita vontade de botar também. E eu entendo. Nunca tinha pedido pra ninguém, até por não tem nenhuma amiga próxima o suficiente que já turbinou, mas tinha curiosidade de saber como era sim. Até por querer botar um dia, como fiz.
E hoje, um mês e meio depois da cirurgia, me sinto assim... como uma bailarina da Timbalada. É como se eu pudesse subir e descer as ladeiras do Pelourinho, batendo bombo, vestida, apenas, com tinta branca nos peitos. E eles estão lá, firmes e duros. Ou seja: “póim, póim”. =)
Um outro fato marcante na minha nova fase é que hoje, pela primeira vez na vida, sai de casa sem sutiã. Me arrumei para trabalhar e por baixo da blusa branca de gola cigana havia apenas uma camiseta leve, tipo segunda pele. Sutiã? No, thanks. E vou te falar... é muito, muito bom. Não apenas por me livrar de uma peça que, ao longo do dia, tende a apertar, até mesmo porque eu tenho costas muito largas. Mas pela sensação de liberdade. Liberdade que não é somente física. É mental. Sinto que hoje dei mais um passo em direção à minha nova realidade corporal. E essa sensação é boa por demais. Que venham as novas conquistas! Estou aqui, de braços abertos, pronta para abraçá-las. Mas que o abraço seja leve, por conta dos meus “póim, póim”, tá?=)

domingo, 13 de novembro de 2011

O trabalho enobrece - e cansa - o homem

cuidado com o que escreve
Olá, amigos! Quanto tempo, né? Ando meio sumida, admito. Minha culpa, minha máxima culpa. Ao longo da semana aconteceram muitas e muitas coisas, coisas sobre as quais valia muito a pena escrever. E tive vontade, sabe? Mas não tive tempo. Estou há duas semanas num novo emprego que é, além de cansativo, uma atividade que requer muita atenção. Gerenciar equipe de repórteres e motoristas, além de corrigir textos. Corrigir não apenas a forma, que é o que um editor deve fazer. Mas também o conteúdo. 
Explico melhor para que as pessoas que não são da área de jornalismo possam entender: quando você manda um repórter para a rua você espera que ele apure as informações e as coloque no texto corretamente. Se o texto está mal escrito mas a informação está certa é mais fácil resolver o problema (se bem que reescrever texto ruim é péssimo também). Caso contrário é preciso fazer todo o trabalho que você delegou ao repórter, que é consultar as fontes, conferir as informações e reescrever o texto. Ai, ai... Numa hora dessas penso assim: “ah, Senhor... por que não me fizeste rica ao invés de linda?”.
Tenho pego cada coisa pra editar que até parece que estou lendo um daqueles emails que circulam na internet tipo “pérolas do Enem”. Pra você terem ideia, li um assim: “o objetivo do evento é fazer com que as mães estimulem seus filhos a se apropriar do patrimônio público”. Hein? Como assim??? Escola de ladrões? Tá bom, então.
E os tempos verbais? Pobres tempos verbais... minha sexta-feira terminou com esse “o seminário está acontecendo em (...) e o tema do evento foi (...)”. Oi? Pelo amor de Deus...
Tem coisa pior. Acreditem, tem sim. O que pode ser pior do que ler duas páginas de uma matéria e ao final dela não saber coisas básicas como o que era o evento ou em que local ele aconteceu? Pois é. Já aconteceu comigo. Li duas laudas e terminei sem saber do que se tratava. É, simplesmente, ignorar a lição mais básica do jornalismo, o lead: quem, quando, como, onde e porque.
E quando, no texto, tem informações diferentes sobre a mesma coisa? Tipo o nome do evento, por exemplo. Já li coisas assim também. No mesmo texto o evento tinha três – eu disse três – nomes diferentes.
Não entendo o que acontece. Por que uma pessoa que não gosta de ler e não gosta de se informar ingressa numa faculdade de jornalismo? Ingressa, se forma e vai para o mercado. Aí gente como eu, comprometida com a profissão, tem eu aguentar trabalho mal feito. Ninguém merece. Ninguém merece conviver com mediocridade, má vontade, preguiça e dispersão. Mas faz parte. Na vida a gente só escolhe mesmo amigos e companheiro. Colegas de trabalho não. Estes nós temos que engolir, gostando ou não. Faz parte do exercício diário de amadurecimento pessoal e profissional. Mas que há dias em que eu queria ter colhões... ah, isso há. =P

PLÁSTICA
Agora vou situar vocês sobre a minha recuperação da cirurgia plástica. Amanhã (14) completo um mês de operada. Já terminei as sessões de drenagem linfática e estou de alta. Já posso dirigir, mas não estou liberada para carregar peso nem para fazer atividades físicas. Já estou livre do modelador e do sutiã cirúrgico. De acordo com a minha fisioterapeuta em breve a prótese vai baixar e o peito ficará no formato definitivo. Dr. Pita disse que estou me recuperando muito bem. Passou uma pomadinha pra clarear mais rapidamente as cicatrizes, super em conta, R$ 140,00 uma bisnaguinha de nada. “É a melhor do mercado”, afirmou. Ele disse, eu acredito, mas não dá pra mim. Caro demais.
Em linhas gerais me sinto muito bem. Sem edemas já vejo com mais clareza como vai ficar minha barriga. Conclusão: o caminho é longo mesmo. Apenas comecei a trilhá-lo. Mas tudo bem. O final do arco-íris já foi mais longe.
O que está me detonando é a falta de ânimo. Não sei se foi a anestesia (o médico diz que não) ou se foram os 15 dias de licença. Mas ando extremamente preguiçosa e sonolenta. Espero que minha disposição volte logo, afinal vou entrar de férias! E, pelo menos pras férias, quero estar com toda disposição do mundo, hahahahaha.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Olá, meu nome é seroma!

no dos outros é refresco
Acabou-se o que era doce. Minha licença médica terminou na segunda-feira e já voltei, com tudo, para os meus trabalhos 1, 2 e 3. Mas entendam, eu não achei ruim. Pelo contrário. Eu estava profundamente entediada em casa, pois licença médica não é férias. Além do mais não sou de fazer corpo mole não. Quinze dias tá de bom tamanho. Mas claro que voltei só quando dr. Pita disse que dava. Desde que eu não dirigisse, não me abaixasse, não pegasse em coisas pesadas ou fizesse qualquer outro tipo de estripulia que prejudicasse a minha cirurgia. Então estou pagando de dondoca, circulando de motorista pelas ruas da cidade. Chique, não?
Mas é claro que voltar à rotina depois de duas semanas em casa não é fácil. Estou sonolenta e meio... slow motion. Câmera lenta geral. Mas acho que é normal. Não pela anestesia ou nada parecido, mas apenas por ter ficado dias e dias sem ter hora pra acordar - apenas a hora em que meu filho Renato resolvia jogar algum dos bichos de pelúcia na minha cabeça.
Continuo fazendo as drenagens linfáticas. As sessões terminam na semana que vem. E está tudo bem comigo, minha cicatrização está perfeita, o inchaço está praticamente nada, o peso já normalizou novamente (75 kg - cheguei a 79,8 depois da operação) e as próteses estão lindamente se acomodando nos meus peitos. Mas eis que fui apresentada a mais uma das coisas que pode acontecer com as pessoas que fazem cirurgias plásticas: o seroma. Seroma, encontrei num site bacana, é "uma coleção líquida com o aspecto e composição semelhante ao plasma, que pode se acumular em espaços abaixo da pele no pós-operatório de cirurgias". Tradução: é um líquido que junta por baixo da pele que foi descolada. Como ele sai? Com uma punção. Punção é quando enfiam uma agulha imensa em você para retirar algo, no caso, o tal líquido. Em outro site, tão bacana quanto o primeiro, li que "se o seroma não for devidamente tratado pode haver a necessidade de realizar uma nova cirurgia para a retirada de todo o líquido e tratar a região endurecida". Pô... falei pra dr.Pita: "mete bronca aí, rapaz". "Não vai doer", disse ele. Doer não doeu, até mesmo porque não recuperei a sensibilidade da área operada ainda. Mas levar agulhadas não é nada - nada - legal. Ainda mais se levarmos em consideração a bitola das agulhas utilizadas em punções. 
O meu seroma tinha uma característica bem legal. Ele ficava passeando na minha barriga, verticalmente, do umbigo até abaixo da linha das mamas, local onde começa o corte da cirurgia. Eu apertava no umbigo, ele subia. Apertava em cima, ele descia. Mó legal. Legal e estranho, vai. Lembrava os escaravelhos do filme A Múmia. Mas tudo bem. Ele, o seroma, já foi embora, mas dr. Pita me informou que ele pode voltar. Para evitar que ele volte estou usando a cinta embaladora a vácuo, pois ela faz com que a pele que foi descolada cole mais rápido. Também, né? A vácuo! Humpf!!
Mas nada disso me desanima não. Estou tão empolgada com a minha repaginação que até já marquei a próxima cirurgia: 2 de março de 2012. Logo depois do carnaval. Entrarei na faca para arrumar braços (dermolipectomia braquial) e costas (torsoplastia). A crural (coxas) vai ser a última, lá pra outubro, creio. Tudo, como diz dr. Pita, "vai depender da sua recuperação". Se depender apenas disso... faço amanhã mesmo, hahahahaha.
Outro detalhe é que a - digamos assim - área de lazer já foi liberada. Na verdade dr. Pita me liberou sob pressão na última quinta (27) e eu - obediente que sou - desci pra o play no mesmo dia. "Tenha cuidado", alertou ele. "Esquenta não", respondi. "O gatinho é da área de saúde", completei. Confesso que não foi muito tranquilo não. Dá um medinho, sabe? De rasgar o corte, de bater no peito, ou qualquer outra coisa. Eu, quando sou convidada pra uma festa, gosto de ir à festa, se é que vocês me entendem. E eu fui à festa, mas sem muito glamour. Já na segunda festa, três dias depois, cheguei com toda pompa e circunstância, como manda o figurino, hahahaha.
A cada coisa que faço depois da cirurgia, na verdade penso assim desde que fiz a bariátrica, deixa mais claro que perdi muito tempo sentindo medo. Antes de reduzir o estômago eu tinha medo, por exemplo, de nunca mais conseguir beber água! E tudo isso é lenda. Sim, eu bebo água. Cerveja, uísque e coca cola também. Sim, eu tenho vida sexual ativa. Sim, a minha vida mudou muito. Para melhor. =)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Adeus, dreno!!!

liberdade pra dentro da barriga...
Sim, amigos! Existe vida após o dreno! E trata-se de um vida sem mangueirinhas saindo de você, sem bolsas coletoras e sem dores e incômodos no pé da barriga. Ele, o dreno, saiu de mim ontem à tarde, depois de 13 dias da cirurgia, no consultório de dr. Pita. E nem doeu, sabe? Pra tirar. Foi mais aquela gastura mesmo, uma sensação de algo se movendo dentro de você, tipo na música de Caetano ("mexe qualquer coisa dentro doida..."). Mas dor? Não. Graças a Deus. 
E, como num passe de mágica, depois da saída do dreno, consegui levantar mais facilmente, consegui ficar mais ereta e consegui andar mais normalmente. Ah... como é bom! Agora sinto, de fato, que estou em franca recuperação. Por falar em recuperação, dr. Pita disse que estou indo muito bem. Dos três locais tradicionais de ruptura de pontos, as junções do pé da barriga e das mamas, apenas um (mama direita) ensaiou romper. Mas foi só ensaio. Bom, né? 
Já estou entrando naquela fase do pós-operatório que a dor causada pelo procedimento está virando uma lembrança. E, quando isso acontece, quer dizer que logo logo só verei mesmo o resultado. Foi assim na cesárea, que doeu horrores mas hoje nem lembro direito, e na bariátrica, que sei que doeu pra cacete, mas é tudo uma vaga lembrança... As dores se foram, mas os resultados, Renato e os 60 kg a menos, ficaram pra valer. 
Rachel*, minha amiga que me acompanhou ao consultório, quando viu meu novo shape disse: "espetáculo". Fiquei mó feliz!!! É. O resultado está ficando muito bom. Estou cheia de cicatrizes, mas não me importo. Que venham as outras cirurgias, as outras cicatrizes e o melhor de tudo: os outros resultados. Estou, realmente, como bem disse o meu amigo Mandrey: "quem venha essa nova mulher de dentro de mim com olhos felinos felizes e mãos de cetim...". Que venha, então, a nova Kiki. =)
E para comemorar a minha fase DD - Depois do Dreno - fui ao Nirai com Rachel e comi o melhor prato de shitake e shimeji de toda a minha vida. Simplesmente sensacional!! Tão bom, mas tão bom que eu não poderia deixar de compartilhar isso com vocês. 


* Precisando de umas dicas sobre moda, cabelo, maquiagem? Está sentindo necessidade de dar uma upgrade no visual? Não sabe como organizar uma festa? Rachel Plutarco é a solução para os seus problemas. Acesse www.catwalkconsultoria.com. Eu recomendo! =) 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Drenando o meu bom humor

de galinha à torta de frango. foco no resultado!
Hoje eu vou tirar o dreno. Estou muito, muito feliz. O dreno é, realmente, um troço muito chato. Aliás, tenho certeza que na porta do inferno tem um diabinho vestido de médico enfiando drenos nas pessoas que vão entrar. Ainda bem que eu não vou pra o inferno. Aff... 
O dreno, pensava eu, estava mais ou menos um palmo dentro de mim. Não é bem assim. É uma mangueira grande mesmo, acho que quase um metro, toda furadinha (para recolher os líquidos), com uma puta ponta de ferro (que não sei pra que serve). Só de pensar na agonia que vai ser pra esse trem sair de dentro de mim tenho calafrios. Minha vontade é tomar duas lapadas de jurubeba e chegar anestesiada no consultório. Mas não dá pra beber ainda. Corta o efeito do tylex. Saco!
Mas em linhas gerais estou bem. Menos dolorida, conseguindo andar mais ereta. Estou menos inchada também, muito embora as minhas calças tamanho 42 não estejam fechando. "Você ainda está inchada, Anna", diz a fisio Milena. É, é verdade. E pra completar, menstruei. Menstruação já corresponde normalmente a inchaço. Logo, estou duplamente inchada. Legal, né? 
Pra completar, o inchaço veio acompanhado da sensibilidade excessiva e vulnerabilidade, coisas normais nesses dias do mês. Chorei um sem número de vezes de segunda-feira pra cá. E o choro fez com que o meu nariz entupisse e, pra quem não sabe, assoar o nariz cirurgiada é terrível! Nada comparado com espirrar e vomitar, mas é doloroso também. O fato é que essas alterações hormonais são um saco! Mulheres ficam, mensalmente, reféns dos hormônios. Ok. C'est la vie.
Mas vamos mudar de assunto antes que eu comece, novamente, a chorar (entupir o nariz, blá, blá, blá...).
Vamos falar agora sobre descobertas. Estou, aos 38 anos, descobrindo o meu corpo. Como já falei outras vezes, é a primeira vez na vida que não tenho barriga. A cirurgia tirou a barriga quebrada, mas eu acho que quando a gente entra nessa de plástica fica pensando que vai sair da sala de cirurgia parecida com Gisele Bündchen. E, realmente, não é bem assim. Dr. Pita tinha me dito que o estrago, digamos assim, era muito grande no meu corpo. Que não ia conseguir arrumar tudo de uma vez. Pra completar, quando ele me abriu, encontrou duas hérnias. Bom profissional que é, ele as fechou. Mas ao fazer isso diminuiu o tempo que tinha para fazer a parte estética. A decisão foi correta e eu sou grata por isso. Mas eu queria mesmo era que cirurgia plástica fosse como uma máquina mágica de filme, como em A Fuga das Galinhas, que a penosa entra viva de um lado do equipamento e saí, do outro lado, já como torta de frango. 
Mas a vida não é filme, né? Aprendi essa lição com Hebert Viana, lá na década de 80. Mas acho que só agora comecei, de fato, a entende-la. Por exemplo: as dobras das costas continuam lá, firmes e fortes. Menores, mas lá. Cintura? Ainda não tem. Essas duas coisas serão corrigidas na cirurgia das costas, imagino. Só de pensar me dá uma preguiça... "a vida não é filme, você não entendeu..."
O caminho é realmente longo. Longo e difícil. Cirurgia é sempre um risco, né? Anestesia, coisa e tal. Mas não tenho medo. Se o caminho é esse, mesmo longo e difícil, vou cumpri-lo. Da melhor maneira que eu puder. Na redução de estômago foi a mesma coisa. Nos primeiros momentos eu achava que não tinha surtido efeito, pois a perda não era no ritmo que eu esperava. Mais uma vez sonhado com a máquina mágica da Fuga das Galinhas... E hoje tenho certeza que a bariátrica foi a segunda melhor coisa da minha vida (primeira = Renato). Isso quer dizer que quando o inchaço diminuir, o corpo assentar, a menstruação passar e os hormônios voltarem para o lugar tudo vai ser lindo e maravilhoso de novo. É uma escada, né? Longa escada da qual estou apenas no segundo degrau. 
E como estou melancólica hoje, me despeço com os versos da música Mais Uma Vez, de Renato Russo. Acreditar que o sol vai voltar amanhã é uma excelente coisa. Aproveitem. 

Mais uma Vez
(Renato Russo)



Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

sábado, 22 de outubro de 2011

Tem que ter peito!

qualquer semelhança... (foto by RR)
Renato mamou, exclusivamente, até os seis meses de idade. Isso corresponde a aproximadamente 180 dias de peito enchendo e secando várias vezes por dia. Vou ser mais específica. As mamadas aconteciam a cada três horas. Tradução: oito vezes a cada 24h. Isso quer dizer que meus peitos se encheram de leite e foram esvaziados pelo pequeno Renato algo em torno de 1440 vezes ao longo desses seis meses. Continuei dando o peito, ele mamou até uns 10, 11 meses. Depois não quis mais, nem eu aguentava, pois ele já tinha oito dentes na boca. 
Lembro uma vez, já no final desses seis meses, quando tive uma crise de diverticulite. Fui internada e fiquei pouco mais de um dia no hospital. Os meus peitos ficaram enormes, extremamente doloridos, cheios de leite. Eles jorravam leite e a cama do Português ficou ensopada. Fiz ordenha, mas para secar aquele leite todo nada seria tão eficaz quanto o meu filhote. A dor era realmente muito grande. A pele estava tão esticada que a impressão que eu tinha era que meus peitos iam explodir a qualquer momento. 
Por que estou falando sobre isso? Porque a sensação que estou agora é mais ou menos a mesma daquele dia. Meus peitos estão enormes, extremamente doloridos, inchados, com a pele parecendo que vai romper. Só que não é leite. São próteses de silicone Arion, de 185 ml cada. Já tinham me dito que a adaptação da pele ao novo volume era incômoda, mas acho que incômoda é uma palavra que não descreve bem isso não. É mais que incômodo. Também não é insuportável. É algo como... irritante. Além da prótese há, também, os líquidos decorrentes da cirurgia. Imagino que estamos falando de sangue e gordura, mas não tenho certeza do que se trata não. É pra isso que serve a drenagem linfática, para ajudar na liberação desses líquidos. A acomodação de prótese deve acontecer com 15 ou 20 dias. Estou com nove dias de operada e já me imaginei arrancando as próteses loucamente, como se não houvesse amanhã. Mas calma, não vou fazer isso. Eles foram muito caras, as próteses. R$ 1.800,00 o par. E essa conta o plano de saúde não pagou... 
obra de Abelardo da Hora
Mas o lado bom da cirurgia não é um lado bom. É um lado... ótimo!!! O resultado, né? Peitos. Não tem preço olhar no espelho vê-los ali, tão bonitinhos. É um sonho realizado que vale até essa dor irritante que é a acomodação da prótese. Claro que agora estou meio parecida com uma escultura de Abelardo da Hora, mas dr. Pita disse que com o tempo eles vão ficar lindos e naturais. Ele é bom no que faz. Confio nele. Se ele falou, tá falado.  
É, amigos. Tudo isso me faz refletir sobre todos os danos que causei ao meu corpo sendo tão imprudente com a minha alimentação. Tenho consciência de todos os procedimentos arriscados (toda cirurgia é um risco) aos quais precisei e ainda precisarei me submeter para tentar arrumar o que anos e anos de engorda provocaram. Meu corpo carregará, para sempre, as marcas da obesidade. Mas eu não me incomodo. Fiz minha escolha e estou focando no resultado. Faltam duas cirurgias plásticas: braços + costas e coxas. Previsão da próxima etapa: março de 2012. No final do arco-íris há um corpo esbelto, mas repleto de cicatrizes. 
Mas não me incomodo com as cicatrizes. Estou disposta a carregá-las. Quem já carregou 60 kg a mais sabe, literalmente, o “peso” que as escolhas têm. E eu fiz as minhas e estou feliz com elas. Mesmo com as dores, os riscos e as marcas. E é isso que vale mesmo no final de tudo. É estar em paz com o caminho que resolvemos trilhar. Que venha a próxima etapa, então! Estou pronta e agora tenho - literalmente - muito mais peito para enfrentar tudo isso! Mas... só daqui a cinco meses, tá? =P

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Minha casa, minha vida

de grão em grão...
Estou de licença médica. Quinze dias, prorrogáveis por mais quinze, dependendo da minha recuperação. Mas, graças a Deus, minha recuperação está ótima! Claro que ainda dói, né? Principalmente a parte da costura muscular, a pele já não incomoda tanto. É mais a coceira mesmo, que de acordo com a sabedoria popular é sinal de que tá sarando legal. Tenho certeza de que quando o dreno sair de mim a recuperação vai ser ainda melhor. Porque incomoda, viu? Hoje mesmo o cano entupiu. E não teve jeito de desentupir. Sem saber o que fazer, cortei um pedaço do cano. Funcionou. Mas agora ficou curto e a bosta da bolsa coletora fica batendo no meu joelho, além de repuxar ainda mais o acesso. 
Por falar em acesso, estava refletindo sobre a máxima de que tudo que entra... sai. Pois é. O dreno está do lado de fora mas está, também, dentro de mim. Mais ou menos um palmo dentro da minha barriga. E... tirar... tipo assim... dr. Pita vai puxar, né? Cara... essa vai ser uma daquelas experiências inesquecíveis. Negativamente inesquecíveis. Putz!
Mas eu queria mesmo era falar sobre esse ócio produtivo que está sendo a minha licença médica. Estou aproveitando para me organizar economicamente. Isso quer dizer que estou fazendo planejamentos financeiros. Estou planejando a realização do sonho da casa própria!!! Isso! Estou colocando no papel o projeto Kiki - Minha Casa, Minha Vida. O que isso quer dizer? Que já fiz um monte de contas e já sei de tudo que terei que abrir mão para poder economizar o bastante para começar a sonhar em ter meu cantinho de novo. 
Economizar é, pra mim, sinônimo de renunciar. Renunciar às coleções Arezzo, às massagens relaxantes, às cafeterias no final da tarde, aos rodízios de sushi frequentes, blá, blá, blá. Mas quando temos um objetivo que queremos alcançar, vale a pena abrir mão de algumas coisas. Basta pesar o que é mais importante. E, acreditem: ter minha casa é muito importante. 
Meu compadre é economista. E organizado financeiramente. Muito organizado mesmo. E ele me diz sempre que esse negócio de casa própria é coisa de classe média assalariada. Que uma pessoa sábia deve ter investido o montante suficiente para comprar um imóvel, mas não deve comprar. A segurança vem do dinheiro que está guardado, que também é um patrimônio, assim como o imóvel. Só que não há impostos a pagar, não há depreciação, et cetera. Já o dindim... bom, dindim é dindim, né? A possibilidade de erro investindo em guardar grana é mais remota. 
Eu acho que tem lógica o que ele diz. Pensa bem. Tem sim. Mas aí vem o outro lado. O lado de ter uma casinha sua, na qual você pode derrubar a parede que quiser, colocar um vaso sanitário na sala, se assim quiser, pregar a mesa no teto, se for da sua vontade. É. Tentador. Mas, como estou ainda na fase de planejamento, não vou me preocupar com isso agora. Vou começar a engordar minha poupança e fazer como Scarlet O'hara em E o Vento Levou... "amanhã eu penso nisso". O importante nesse caso, aliás, o importante em tudo nessa vida é dar o primeiro passo. Ter uma meta e traçar uma estratégia para cumpri-la. O resto... se encaixa na sequencia. 
Vale ressaltar que eu sonho em ter minha casa de novo há algum tempo. Na verdade acho que desde o momento em que devolvi a chave na imobiliária, hahahahhaa. Mas essa minha vibe de organização pra botar as coisas pra moer, tipo fazendo planilha, planejamento financeiro, economia, fazer os três questionamentos antes de comprar (eu quero mesmo? eu posso pagar? eu preciso mesmo disso?), pedir desconto, entre outras coisas, devo ao gatinho. O mérito é todo dele. De tanto me pentelhar dizendo que eu gasto demais, que eu sou desorganizada, blá blá blá, o discurso terminou sendo devidamente assimilado. Pronto, gato. Ponto pra você. E pra mim também, né? Ponto pra gente, então. =)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Embalada a vácuo

arroxa o nó!!!
A ausência de ar nas embalagens é um recurso utilizado em várias áreas da alimentação para conservar os alimentos. A retirada de ar/oxigênio da embalagem ganhou muitos adeptos por inúmeras razões: se não existe oxigênio, a deterioração dos elementos orgânicos não acontece. Tudo isso alinhado à embalagem hermética, evita-se as contaminações com exterior e a durabilidade dos produtosMó legal, né? Peguei essa preciosa informação ipsi literis de http://www.mexidodeideias.com.br, um site sobre café. Por que pesquisei sobre isso? Por estar extremamente curiosa sobre os benefícios do embalamento a vácuo, afinal é exatamente assim que estou agora. 
Hoje fui fazer a primeira drenagem linfática pós-operatória. E hoje também fui apresentada a ele, o terrível modelador. Mais estrangulador do que a meia de compressão anti-trombo, esse tipo de apetrecho pós-operatório pode provocar tontura, desequilíbrio, falta de ar e nós nas tripas, pois é impossível soltar pum usando ele. É, amigos. Não dá, acreditem. Eu tentei. Pensei que ia explodir. Eu, não o modelador.
Depois que voltei do consultório da fisioterapeuta passei umas duas horas deitada na minha cama pensando em tira-lo um pouco. Desisti, pois vesti-lo foi exaustivo para três pessoas: eu, que estava apenas de pé, sendo vestida; o gatinho e a fisioterapeuta. Esses sim suaram a camisa para me introduzir dentro dito cujo. Ufa! Foi sofrido, mas cá estou. Devidamente embalada a vácuo. Assim como os cafés, as picanhas maturadas e as carnes de charque. E cheguei à seguinte conclusão: o modelador está devidamente empatado com o dreno no quesito o pior do pós-operatório da plástica. O dreno, como se sabe, tem esse nome por ser responsável pela drenagem de todo o bom humor de um ser humano. E o ser humano em questão sou euzinha aqui. 
Mas vamos tratar agora sobre a drenagem linfática. A função da drenagem é estimular o sistema linfático a trabalhar em um ritmo mais acelerado, mobilizando a linfa até os gânglios linfáticos, processo que elimina o excesso de líquido e toxinas. Tradução: serve pra fazer com que os líquidos acumulados (gordura, sangue, etc) saiam mais facilmente do corpo, o que faz com que a área cirurgiada desinche mais rápido. É importante sim. Senti muita diferença nos peitos depois da drenagem. Eles estão menos doloridos e bem menos inchados. A drenagem da barriga foi mais difícil pra mim. A cada toque da fisio eu achava que ia repuxar meus pontos. Claro que ela é profissional e sabe o que está fazendo, é tanto que ela me falou que essa aflição é normal na primeira sessão. "Na próxima você vai relaxar", disse. Assim espero.
E até o tal do modelador do cão tem os seus benefícios. Com ele já consegui me esticar mais e estou menos parecida com a velha da praça é nossa (aquela do "querido clementino"). Além do mais, ficar mais ereta diminuiu a dor na coluna e me proporcionou uma visão melhor do resultado da cirurgia. Ficou bom, visse? Tô, tipo assim... batidinha, hahahahahha. Ah, Senhor! Como é bom não ter mais bucho... =)
Moral da história: até agora tá tudo valendo a pena. A alma com certeza não é pequena, nem a peitola. Mas a barriga é. Uhuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Olha da faca!!

boneca de pano
Ei! Você lembra da minha voz? Mas o meu shape... Ah, quanta diferença! Estou com cinco dias de operada e é claro que o resultado das plásticas ainda não é o que vai ficar de fato. Vejo no espelho, mesmo encurvada, uma imagem parecida com Emília, a boneca gente: um corpo todo retalhado. Mas é uma Emília sem barriga e com peitões. Sensacional!! Hahahahaha! Cara, a cirurgia foi um sucesso. Prova disso é que estou aqui, escrevendo novamente, tão rápido. 
Claro que é punk, é mentira dizer que não. Mas quem passou pela redução de estômago aberta, como eu, passa, seguramente, por qualquer coisa. Afinal na bariátrica eu fiquei cinco dias sem sequer conseguir dormir. Não tinha posição. Essa, na verdade, arde mais do que dói. Os pontos são pequenos, e como o foco é, também, estético, há um cuidado muito grande com isso. O meu médico é muito bacana. Novinho e nada arrogante. Porque assim, né? Médico acha que é Deus. Jornalista tem certeza, mas isso já é outra história... Enfim. Vou contar como tudo aconteceu, tintim por tintim. 
Cheguei no hospital com o gatinho por volta das 5h55 do dia 14. Era uma sexta-feira. O setor de internamento abria às 6h e eu fui a primeira a ser atendida. O médico tinha me pedido isso, sabe? Como o meu procedimento seria trabalhoso demais, qualquer atraso poderia comprometer o dia dele. Então tá. Chegamos lá, lindamente, e tudo foi rápido. Claro que eu tinha ligado pra Excelsior no dia anterior pra me certificar de que as autorizações estavam OK, blá blá blá. Em se tratando da Excelsior, qualquer precaução não é exagero, lembre-se da minha saga. É como naquela música do Cidade Negra: “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...”. Pois é. Mas cheguei. E o caminho percorrido já não importa mais. 
Fui pra o quarto, recebi a roupa sexy do bloco e o sabão pré-operatório. Recebi, também, a visita de dr. Sergio Pita, meu cirurgião, que não satisfeito em ver as fotos produzidas em estúdio fez as suas próprias no apartamento do hospital, sob o olhar atento do gatinho e o meu olhar constrangido. E como eu não estava com bastante vergonha, dr. Pita começou a fazer as marcações da cirurgia e fiquei ali, pelada, toda rabiscada, na frente dele e do gatinho. Ai, ai... Mas tudo bem. 
Pronto. Roupa vestida e banho tomado, devidamente marcada e já com um dormonid no juízo, deitei na maca e disse “até já” para o gatinho. Na sala de cirurgia fui apresentada à equipe que ia me assistir. Todo mundo muito, muito novo mesmo. Eu era a mais velha do grupo. A “tia”. Entre uma brincadeira e outra, o anestesista me furou. Sorri pra ele e respondi algo que ele perguntou, mas o formigamento nos pés veio logo. Apaguei. 
Acordei com vontade de vomitar. Sentia dor, muita dor. Botei a mão nos peitos e vi que eles estavam lá. Dr. Pita falou “relaxe, moça... eles estão aí. Mas a prótese foi de 185 ml, não foi a que você queria não”. Eu escutava mais ou menos. Doía demais! O pé da minha barriga, sabe? Lembrou, um pouco, a cesariana. Cheguei no quarto ainda grogue, mas mesmo assim o procedimento de mudança da maca para a cama foi doloroso. Mais vontade de vomitar. Graças a Deus não vomitei, pois forçar seria mais sofrido ainda. Fiquei ali, imóvel, sendo observada pelas enfermeiras e, claro, pelo gatinho, que ficou lá o tempo todo. Algum tempo depois comecei a ficar mais sóbria e fui informada dos detalhes. A cirurgia foi tranquila, muito embora tenha demorado quase cinco horas. Só perdi um pneu, o outro continua firme e forte, esperando a dermolipectomia das costas. Meus músculos precisaram ser costurados duas vezes. E por falar em duas, dr. Pita encontrou duas hérnias quando me abriu e fez os remendos que tinha que fazer. Pois é. Moral da história: tudo em ordem. 
queimem o sutiã!
Mas é claro que todo drama da minha vida é, no mínimo, um pastelão. Estou em casa, me recuperando. Ontem à noite, falando ao telefone com meu primo Erik, comecei a me sentir mal. Falta de ar e tontura. Liguei na sequência pra o gatinho e quase não consegui falar com ele, estava ofegante demais. "Vá para um hospital", disse ele. Liguei pra dr. Pita. Ele disse “vá agora para o Esperança, encontro com você lá”.  Cheguei em 15 minutos e já havia todo um aparado me esperando: cadeira de rodas, leito pronto, máquinas e mais máquinas que não sei nem pra que servem. Ele desconfiava de TEP – tromboembolia pulmonar – um troço bastante comum em pós-operatório. Devidamente monitorada, ele continuava o minucioso exame para saber o que estava errado comigo. Na minha cabeça saltavam as palavras ditas por ele “internamento” e “tomografia”. Mas estava tudo bem comigo. Nada de inchaço nas pernas, nada de pressão alta, glicemia boa, saturando bem (seja lá o que isso quer dizer), nada de nada, apenas a enorme dificuldade para respirar. Aí ele teve um estalo. “Como estão essas próteses, moça?”, perguntou. “Tudo inchado”, respondi. “Vou olhar”, disse ele. Eis que ele abre o meu sutiã cirúrgico e milagrosamente minha respiração começa a normalizar. Minha fala fica mais normal e a vista já não está mais tão escurecida. Ele riu. Sabem o que era? A prótese pressionando meus pulmões. Hahahahahaha... claro, né? Se tudo tivesse sido tão normal não seria uma história minha! Né?? =)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gente, amanhã de manhã vou fazer minhas plásticas de barriga e mamas. Vou passar uns dias ausente. Quantos? Não sei. Depende da minha recuperação. Orem por mim, ok? Para que tudo corra bem e para que eu consiga voltar logo. Obrigada e até já. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pelos olhos de uma criança...

mamãozinho bom...

Adoro este retrato de Renato. Ele estava com pouco mais de seis meses e começava a descobrir a comida. A expressão nos olhinhos apertados dele é sensacional. O riso, meio mr. Magoo, também é lindo. Não é porque eu sou mãe não. Mas ele tá lindo, não tá? Aliás, ele é lindo. Ponto final. Ele vê o mundo com esses olhinhos felizes e aprendo com ele, todo dia, a ver o mundo assim também, com esses olhos. Olhos de criança... =)
Renato hoje está com 2 anos e 9 meses e uma carinha cada vez mais linda, uma carinha feliz, sorridente, encantadora. Hoje, dia das crianças, ele nem vai poder brincar muito, pois ainda está se recuperando da cirurgia de hérnia. 
Ontem, na revisão, o médico disse que ele fez edema, mas em linhas gerais tá tudo bem, graças a Deus. E peço a Deus que continue abençoando meu filhote. E já que hoje é o dia das crianças vou aperrear Papai do Céu mais um pouquinho e pedir que Ele abençoe todas as crianças. Que elas sejam poupadas das maldades desse mundo, que está cada vez mais doido e perdido. Olhai, Senhor, pelas nossas crianças. Nos faça boas pessoas, bons adultos, pois as crianças contam conosco para se tornarem, um dia, adultos também. Amém. 


O Erê
(Toni Garrido, Da Gama, Lazão, Bino Farias)


Prá entender o Erê
Tem que tá moleque
Uh! Erê, Erê!
Tem que conquistar alguém
Que a consciência leve...


Há semanas
Em que tudo vem
Há semanas
Que é seca pura
Há selvagens
Que são do bem
A sequência do filme muda...


Milhões de anos luz
Podem durar
O que alguns segundos
Na vida podem representar


O Erê, é a criança
Sincera, convicção
Fazendo a vida
Como o sol nos traz...


Você sabe
Que o sentimento não trai
Um bom sentimento não trai..


Pare e pense
No que já se viu
Pense e sinta
O que já se fez


O mundo visto
De uma janela
Pelos olhos
De uma criança...


Milhões de anos luz
Podem curar
O que alguns segundos
Na vida podem representar


O Erê, é a criança
Sincera, convicção
Fazendo a vida
Como o sol nos traz...


Você sabe
Que o sentimento não trai
Um bom sentimento não trai...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Contagem regressiva

obra de arte
Dentro de mais ou menos 72 horas estarei entrando na sala de cirurgia de um hospital daqui do Recife. Estão marcados para a sexta-feira, dia 14 de outubro, às 7h da madrugada, os procedimentos de abdominoplastia e mamoplastia com prótese. Trata-se da primeira etapa das plásticas reparadoras às quais me submeterei para arrumar o que saiu do lugar depois que perdi 60 quilos. Mas... pensando bem... será que alguma vez as coisas estiveram no lugar? Imaginem uma pessoa de 1.65 m pesando, desde 1992, mais de 100 kg? É, não tinha nada no lugar não. De fato eu não me lembro, nunca, de ter me olhado no espelho e não ter visto barriga. Em algumas ocasiões imensa, em outras, menor. Mas sempre lá, a tal barriga. 
É mais um marco na minha vida, mais um dentre tantos já alcançados e de muitos que ainda espero alcançar: não ter barriga. E ter peito. Eu tinha peito. Depois de amamentar eles tipo assim... murcharam. Aí perdi 60 kg. Aí eles... bom, não consigo pensar em nada adequado para descrevê-los. Mas na sexta também arrumarei isso e terei peitos novos, lindos e firmes, apontando para Belém. Tá, tá bom. Belém não. Mato Grosso, tá bom assim? Hahahahahaha. Conversando com minha amiga Patchi falei pra ela que me sentia como uma vela derretendo. Sabe quando a vela está queimando e a parafina escorre pelas laterais dela e cai ali, de qualquer modo, tomando uma forma engraçada e até bonitinha? Pois é. Bonitinha pra ser uma vela derretida, não uma pessoa, né? Ai, ai... 
Mas falo sobre isso sem o menor pudor. Não é segredo para quem me lê que eu tô sharpei mesmo. Tô, mas não ficarei. Se eu fosse carne (daquelas que são vendidas em frigoríficos) a evolução seria mais ou menos assim: março de 2010 - picanha com grossa camada de gordura. Até 14 de outubro de 2011 - maminha. Depois de 14 de outubro de 2011 - filé. Hahahahaha... filé! Uhuuuuuuuuuuuuuuu!!! Tratarei sobre isso como os períodos AP e DP - antes e depois da plástica. É lógico que eu queria mesmo era arrumar a lataria de uma vez só. Mas não dá não. É muita pelanca pra tirar e ainda vou arrumar outras partes do corpo, mas os procedimentos têm que ser feitos em suaves prestações. 
No consultório, com o médico, quando tirava a roupa pra ser avaliada, sempre procurava uma posição que me deixasse menos... menos... bom, menos. Quando entreguei o retrato médico pra ele... nossa! A cara dele, olhando pra o retrato e olhando pra mim foi sensacional. Depois de um tempo ele disse assim: "você vai me dar um trabalho...". Respondi: "capricha, doutor! vou ser o seu melhor cartão de visitas". Hahahahahaha. É isso. O caminho foi árduo, difícil. Mas graças a Deus encontrei pessoas no caminho que me ajudaram muito, me deram a mão e não me deixaram desistir, mesmo encontrando tantos obstáculos pela frente. Eu sou mesmo uma pessoa abençoada, pois o Pai coloca os Seus anjos na minha vida. Anjos que não me deixaram, nunca, desistir quando eu porventura esmoreci. Obrigada a todos vocês, de coração. 
E a maior lição que tiro disso tudo é que nunca, nunca devemos desistir de algo que realmente queremos. Quando realmente queremos algo temos que lutar com todas as armas que temos. E lembrem-se das palavras do Senhor em Mateus 21:22 "tudo aquilo que pedirdes em oração, com fé, recebereis". E olha aí! Eu recebi!! Orem por mim. Torçam por mim. Amém. 

domingo, 9 de outubro de 2011

As hérnias de Renato

entendeu? nem eu...
Ontem foi a cirurgia do meu filho. Ele, que tem dois anos e nove meses, já enfrentou a faca duas vezes. Hérnia inguinal. Pouco antes de completar dois meses ele fez a primeira vez, do lado direito. Renato chorava muito, sabe? A pediatra achava que era essa tal hérnia, mas que eu precisaria ficar atenta para vê-la. Eis que um dia, dando banho nele, percebo que esqueci a fralda no quarto. Peço pra minha mãe ficar com ele no banheiro e vou buscar a fralda. Ele começa a berrar, histérico. Foi como consegui ver a hérnia, com ele chorando, sem fralda. Estava lá, a danada, parecendo uma bola de gude no lado direito do púbis do meu bebezinho. E agora, dois anos e meio depois, nova hérnia, do outro lado. 
Esse tipo de hérnia que o meu bebê teve é uma falha congênita na região inguinal. Trata-se do canal por onde passou o escroto para se alojar no testículo, que por um motivo que não se sabe, simplesmente não fechou. O tratamento é cirúrgico e o que pode acontecer, caso não seja operada, é que ela encarcera (estrangula). É sério, pois o estrangulamento pode fazer com que a hérnia rompa provocando uma infecção generalizada, pois o que vaza para o corpo é aquilo que passa pelo intestino, ou seja: cocô. 
Enfim... as de Renato já estão devidamente resolvidas. Mas é um estresse, viu? Renato está gripado há várias semanas e a gripe vinha adiando a cirurgia. Só que agora, que falta apenas uma semana para a minha, não havia mais tempo pra esperar. Combinei com o médico que no sábado pela manhã levaria Renato para o hospital, internaria ele e lá seria feita a avaliação se havia catarro nos pulmões, blá blá blá. 
Cheguei no Português às 7h30 para dar entrada no internamento. A cirurgia estava marcada para 10h. Mas tem que chegar cedo mesmo. Quem tem Saúde Excelsior sabe do que eu estou falando. Renato ficou em casa, de jejum desde as 20h da sexta, ou seja: esfomeado e indócil. Chegou a guia de liberação, liguei para casa e minha mãe trouxe o pequeno paciente, que já estava pra lá de impaciente. Renato olhava pra mim e falava “gagau” o tempo todo. Estava com fome, meu pequeno. Claro! Mais de 12 horas sem comer. E nada do médico. Renato cada vez mais impaciente, mais esfomeado e eu mais irritada. Liguei várias vezes para o médico que dizia apenas que “estava chegando”. 
Apenas às 11h15 fomos conduzidos ao bloco cirúrgico. Ainda esperamos pelo médico mais uns 15 minutos e Renato só fazia berrar, histérico. Finalmente fomos levados à sala de cirurgia. Lá havia um anestesista e quatro enfermeiras. Assisti ao procedimento de sedação, aos prantos, pois Renato me olhava, enquanto era segurado pelas quatro enfermeiras (sim, pelas quatro) com olhos de medo e súplica. Ele adormeceu. Nessa hora a mãe sai. Saindo da sala cruzei com o cirurgião, que me perguntou por que eu estava chorando. Olhei pra ele e não falei nada. Fiquei na sala de espera do bloco, aguardando. Cinco minutos depois entra o médico na sala de espera. Olhei pra ele e perguntei se tinha acontecido alguma coisa. Ele senta ao meu lado, coloca a mão na minha perna e começa a falar comigo com voz paternal... 
Em seu discurso ele dizia que eu deveria me acalmar, que as minhas ligações para ele (foram quatro no total) tinham deixado ele nervoso, que meu filho não estava com fome pois o corpo humano pode viver até sete dias sem sequer beber água (?????), que a cirurgia era pra o bem dele, blá blá blá. Eu olhava pra ele com a minha melhor cara de idiota e por dentro gritava “cacete! Meu filho está esperando, anestesiado, na porra da sala de cirurgia. Esquece essa ladainha e vá agora operá-lo”. Mas lógico que eu apenas pensei isso. Tá, com bem mais palavrões do que escrevi aqui. Mas não disse nada. Me limitei a olhá-lo, com cara de idiota, balançar a cabeça, e não dizer nada. Afinal, lembrem-se: ele ainda ia operar o meu Renato! Quando ele acabou de me dar as preciosas lições sobre paciência e finalmente resolveu ir operar o meu filho, fiquei lá na sala, sozinha, esperando o procedimento terminar, pedindo a Deus que guiasse as mãos do cirurgião e psicólogo nas horas vagas, que estava finalmente operando meu filho.
O procedimento demorou muito, mais de uma hora. Mas meu filho voltou para os meus braços, pálido, mas inteiro e acordado, são e salvo, graças a Deus. Voltamos pra casa, Renato manhoso e dengoso como nunca. Mas bem. E isso é o que importa. Ele ganhou mais um cicatriz no corpo, possivelmente a segunda de várias outras que ainda virão. Sem contar as cicatrizes emocionais, aquelas que adquirimos ao longo da vida. E dessas aí eu não vou ter nem como conseguir poupá-lo... mas é isso aí, bola pra frente. Criança tem uma imensa capacidade de recuperação e hoje ele já amanheceu muito, muito bem mesmo. Obrigada, Senhor!
Mas variando um pouco sobre o mesmo tema, eu falei pra vocês, né? Que saiu na Justiça a tutela antecipada e as  minhas plásticas de barriga e mama acontecem na próxima sexta, dia 14? Pois é... botei a ação e essa tal tutela garantiu, mesmo antes da primeira audiência, que o meu plano de saúde está judicialmente obrigado a pagar pelas minhas plásticas. (para saber mais sobre o assunto leia o post Dura Lex, Sed Lex)
O fato é que eu saí do hospital, depois da cirurgia de Renato,  pensando que não foi uma boa ideia ter ido a um bloco cirúrgico uma semana antes da primeira da leva de plásticas às quais me submeterei. 
Os médicos conversam e gargalham dentro da sala de cirurgia como eu faço no meu trabalho, conversando com Cofre ou Mariazinha. 
É difícil entender isso, né? Por mais que a gente saiba que é ambiente de trabalho do mesmo modo... mas, sei lá... estão com a vida de uma pessoa ali, nas mãos... A gente que é leigo a fica pensando que tem que estar num puta silêncio pra ter concentração e tals... Depois que tudo passou, em casa, fiquei imaginando o tipo de papo que os médicos vão ter enquanto retiram a minha pele. Será que vai ser algo do tipo “rapaz, com o que sobrou dessa barriga aqui dá pra fazer uns 15 pares de sapato”. E todos riem da piadinha maldosa... Ai, ai... esse meu fantástico mundo de Kiki...  Mas é como diz o meu gatinho: "foca no resultado". Tô tentando, gatinho... tô tentando...