terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O mundo trata melhor quem se veste bem

"bonita camisa, Fernandinho..."
Eu sempre achei que essa frase era apenas o slogan daquele comercial da USTop no qual Fernandinho usava camisas iguais às do chefe (bonita camisa, Fernandinho...). Mas pesquisando no santo google descobri que quem proferiu tal pérola foi nada mais, nada menos do que Charlie Chaplin! Isso mesmo, Carlitos!! Mas não importa mesmo quem disse, o que importa é que a frase é verdadeira. Aliás, verdadeiríssima!! Eu já achava isso e agora é que acho mesmo. Por que estou dizendo isso? Porque agora que emagreci e posso usar coisas que não me deixam parecida com uma capinha de bujão de gás percebi o quanto as coisas mudam de figura quando estamos bem vestidos. A atenção é outra, em todos os sentidos. Seja numa loja, seja num bar, seja numa paquera. Geral, enfim. Depois de eliminar 50kg, precisei refazer todo o meu guarda-roupa: do manequim 56 para o atual 42. Apertei as calças o quanto pude. Mas chegou uma hora que os bolsos já estavam uns sobre os outros. Não dá, né? E já que é pra mudar, mudei logo tudo. Inclusive o estilo. Do "gordinha descolada" para o "casual  chiq". Adotei as cores vivas e fortes, cortes clássicos, saltos altos, grandes bijouterias. Até estou usando maquiagem. Tá, tá bom... maquiagem, maquiagem... não. Mas um pozinho, vai. E um batom. Hahahahaha... Mas mesmo diante da felicidade do manequim reduzido, guarda-roupa ampliado e várias possibilidades de combinação de roupas, fiquei pensativa sobre o tema. Por que eu sou melhor tratada apenas por estar com uma roupa melhor? Não fiquei mais ou menos legal, mais ou menos rica, mais ou menos nada. Só mudei a embalagem do produto. Algo assim como a maisena. Ou a hipoglós. Ou a coca-cola. Estratégia de marketing? Claro. Só que eu não fiz campanha. Simplesmente... mudei. E como as coisas começaram a acontecer pra mim. Profissionalmente falando, quero dizer. Me sinto mais segura nas reuniões. Me sinto mais... competente? Não, competente eu sempre fui... Mas talvez as pessoas identifiquem mais isso agora que estou mais magra do que antes. Me lembrou de uma consultoria que fui prestar pra um executivo. Ele queria montar uma palestra sobre ascensão profissional, baseado na história de vida dele (de muito sucesso, aliás), blá, blá, blá. Eu fui a primeira a dizer, enquanto observava sua redonda pança: "olha... eu acho válido o projeto. Mas pra que dê certo você vai ter que emagrecer. Gordos não são vistos como pessoas de sucesso, salvo raríssimas exceções", disse eu, já esperando alguma alusão a Jô Soares. Pow, Jô Soares é um personagem! E quantos outros gordos nós vemos como ele? Fala sério, fui gorda a vida toda. Não sou hipócrita. E quando eu prestei essa consultoria eu ainda era muito gorda. Mas é como falei, não sou hipócrita. Justamente por ter conhecimento de causa dei a real pra o cara. E ele gostou. Me contratou. Uma vez escutei duas frases num programa de TV das antigas, cujo nome não vou lembrar agora, e nunca esqueci delas: "quem gosta de beleza interior é decorador" e "beleza não põe mesa, mas abre o apetite". Hoje, mais magra, entendo o real sentido. Continuo achando que ambas são preconceituosas mas consigo enxergar o que elas querem dizer. Aceito melhor o tema, mesmo concordando mais com a Bíblia em 1 Samuel 16:7: "o homem vê a aparência. Deus, porém, o coração". 

4 comentários:

  1. Pois é... mas, como estamos lidando com pessoas, e não com deuses, essas, continuam vendo a aparência. Lembro agora uma entrevista que fiz com Luíza Trjanao Donato, a rainha do varejo, dona do Magazine Luiza e tida como empresária arrojada e competente. Enquanto ela me contava sua trajetória de trabalho, esforço e sucesso eu só pensava: "por que uma mulher tão poderosa não consegue emagrecer"?

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  2. Ki, por quê negar as novas gerações o legado de assistir a melhor propaganda de todos os tempos já feita na TV? Repare no texto, na posição que o Fernandinho vai galgando na mesa de reuniões, na mudança de tratamento do chefe, na expressão dos puxa-sacos (todos iguais), enfim, 30 segundos que permitem várias leituras. Um clássico!

    http://www.youtube.com/watch?v=rKYjC621jhw

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  3. Eu sei exatamente o que ela quer dizer com tudo isso. Eu sou gordo!!! Não apenas acredito que o mundo trata melhor que tem melhor aparência, como tambem acredito que a nossa própria autoestima é reflexo dessa forma como percebemos o tratamento que costumamos receber. Eu acredito que qualquer gordo que se sinta bem sucedido, e isso não quer dizer financeiramente, é na verdade um lutador, alguém com inteligência privilegiada para conseguir sobressair-se pelo seu talento num mundo onde a aparência vale literalmente ouro. O que fazer?

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  4. é curioso que antes de eliminar os 50kg eu achava que não tinha problemas de autoestima. hoje percebo que muito do meu comportamento - ora agressivo em excesso, ora gaiato demais - tinha a ver com isso. a gente cria as nossas próprias defesas, não é mesmo? conheço um cara que na época da faculdade pesava 160kg. fez redução e hoje é magro, normal. só que na faculdade ele 'chegava', sabe? é como se o tamanho dele fosse uma marca. depois que ele emagreceu ficou tímido! é como se ele tivesse sumido dele mesmo junto com o peso extra. estranho, né? mas eu entendo demais. demorei um tempo pra me achar no meu novo corpo. ainda estou me achando, o aprendizado é diário. mas vou chegar lá. e por mais que ache preconceituoso, Sofia, entendo o que vc diz sobre a Luiza. eu, mesmo gorda, certamente pensaria a mesma coisa. é para lascar...

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