quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Entre roncos e coaxos

A rã é um anfíbio anuro da família Ranidae. Anran...
Hoje, almoçando com minha amiga Paty, conversamos sobre coisas que faríamos se tivéssemos grana sobrando. Elencamos alguns itens, dentre eles, um SPA. SPA é muito bom. Mesmo que não seja com o objetivo de perda rápida (recuperação ainda mais rápida) de peso, mas como cuidado consigo, sabe? Momentos de dedicação exclusiva a nós mesmas, como massagens relaxantes, limpeza de pele, ofurô, reflexologia, entre outras adoráveis frescurites. Pense numa coisa boa!!! Na época que trabalhei no jornal fiz dois SPAs de internação, um em Aldeia e outro em Maragogi (AL), além do SPA em casa. Amei todos. Mas pra quem gosta de comer, como eu, os primeiros dias de qualquer SPA são algo como... uma tortura. Eu tive crise de abstinência mesmo, como devem ter os viciados em álcool ou drogas. Tremedeiras ao ver propagandas de pizza na TV. Confundir as unhas com batatas fritas. O pior: entrar de cabeça na contravenção e contrabandear comida pra dentro da clínica. Ai, ai... Cada SPA tem uma metodologia, digamos assim. O de Maragogi é mais aberto, já o de Aldeia é mais severo. Lembro que na primeira noite que passei em Aldeia, logo depois do jantar, me passaram as opções de cardápio para o café da manhã do dia seguinte: pão com queijo ou inhame com requeijão. Refleti e optei pelo inhame. Ora, comida de índio, né? E índio não é gordo. Na verdade a minha lógica foi baseada na ideia de que o inhame é menos calórico que o pão, logo a quantidade deveria ser maior. Ledo engano. No café recebi um prato enorme com metade de uma fatia fina de inhame, sobre a qual repousava um pingo de requeijão. A comida não ocupava nem 10% do prato. Comi em uma garfada. Mas tá, quem tá na chuva deve se molhar. Meia rodela fina de inhame pra depois caminhar, malhar, fazer hidroginástica e outras duzentas mil atividades? Tudo bem!!! Depois de um dia de intensa malhação e pouca alimentação, a noite chegou. É à noite que eu gosto mais de comer. Após o toque de recolher fui para o quarto, já com o estômago roncando ferozmente. No quarto, sozinha, a crise de abstinência de comida se abateu com força. Chovia torrencialmente e a fome não me deixava dormir. Quem conhece Aldeia sabe que sapo ali é bóia. Na chuva, então, eles coaxavam loucamente, me desconcentrando ainda mais da simples tarefa de dormir. Fora que tenho horror a sapos, rãs e anfíbios em geral. Desisti de esperar o sono chegar e fui para uma poltrona perto do janelão de vidro do quarto, relaxar e tentar ignorar os roncos do meu estômago. Sentei e fiquei olhando a chuva cair lá fora. De repente uma rã tamanho GG pula – e gruda – no vidro da janela. Dei um grito, imaginando que ela iria encontrar uma maneira de entrar no conforto do meu quarto. Entre apavorada e esfomeada, fiquei observando a dita cuja. Logo logo a fome sobrepujou o pânico. Meu estômago roncava mais alto do que todos os coaxos de todos os sapos de Aldeia. Olhando a rã que ainda estava pregada no vidro da janela, comecei a imaginá-la no espeto, douradinha, rodando no calor da brasa da churrasqueira, acompanhada de farofa e vinagrete. Comecei e salivar e fiz um movimento em direção à janela. Acho que ela percebeu que corria perigo, pois saltou para a segurança do matagal de Aldeia. No dia seguinte desci e comprei umas coisinhas. Tudo light, course. Comprei bolacha de água e sal e umas maçãs. Afinal, se é pra quebrar a dieta pelo menos que seja só um pouquinho. Mas agora, com o estômago reduzido, passar por um internamento no SPA seria muito mais fácil. Capaz até de nem a meia rodela fina de inhame eu conseguir comer toda. E as rãs certamente não correm mais risco de virar espetinho. Pelo menos não pelas minhas mãos...  

Um comentário:

  1. Rã assada é ótima, e tem pouquíssimas calorias. Sapo, já engoli muito. Não faz bem a saúde.

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