sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ave Cesar!

Na antiguidade ‘Ave Cesar’ era a saudação feita aos imperadores romanos, que se achavam os próprios deuses. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Quero até falar sobre saudação, mas não aos imperadores. Quero falar sobre saudação à vida e às oportunidades que a vida nos dá de consertar erros que cometemos no passado. Em relacionamentos, inclusive. Há nove anos eu fui muito – muito mesmo – apaixonada por um cara. Ele também era apaixonado por mim. Namoramos. Mas eu pirei. Pirei mesmo, enlouqueci pelo cara. Ligava mil vezes por dia pedindo relatório e quando ele parou – com toda razão – de me atender, passei a persegui-lo pela cidade. Ia aos bares que sabia que ele freqüentava, dava plantão na porta do prédio dele e quando ele deu a real sobre o fato de não conseguir mais ficar comigo porque eu o estava sufocando, comecei a desfilar na cara dele com outros caras. Isso, lógico, destroçou toda e qualquer possibilidade de volta e eu, burramente, perdi uma pessoa muito legal. Tá. Página virada. O tempo passou, amadureci uma coisinha, e por conta dessas voltas que a vida dá, reencontrei o cara. Reencontrei mais madura, mais mãe, mais magra, mais segura e menos atração fatal (hahahahaha). Saímos. Ficamos. Estamos. Isso prova que nem toda guinada de 360º, que nos leva simplesmente ao lugar de partida depois de uma grande volta, é negativa. Estou feliz. Ligações de bom dia e ao longo do dia. Tava com saudade disso. E vou procurar não cometer os mesmo erros. Quando eu era criança um passarinho entrou no meu quarto pela janela. Meu avô me deu uma caixa de sapatos e fez uns furinhos nela. Ele me disse pra guardar o pássaro ali que no dia seguinte ele iria comigo comprar uma gaiola para que eu criasse o bichinho. Com medo que o passarinho fugisse fui tapando os buraquinhos. Terminei tapando todos os furos, sem pensar que eles eram necessários para que a ave respirasse. Claro que no dia seguinte, quando abri a caixa, o passarinho estava morto. É a mesma coisa, né? Com as relações? Ninguém gosta de ser sufocado. Ainda bem que nesse caso a história não morreu, ficou apenas em coma. E despertou, melhor e maior. Ave Cesar!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que você tem a dizer sobre isso?