sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O leve sono da paixão


pai.xão
sf (lat passione) 1 Sentimento forte, como o amor, o ódio etc. 2 Movimento impetuoso da alma para o bem ou para o mal. 3 Mais comumente paixão designa amor, atração de um sexo pelo outro. 4 Gosto muito vivo, acentuada predileção por alguma coisa. 5 A coisa, o objeto dessa predileção. 6 Parcialidade, prevenção pró ou contra alguma coisa. 7 Desgosto, mágoa, sofrimento prolongado. 8 Os tormentos padecidos por Cristo ou pelos mártires.
 

Tá. Admito. Sucumbi à paixão. Paixonite aguda, grau 3, numa escala de 0 a 5. Essa coisa de recuperar o tempo perdido é mesmo muito forte. Difícil, muito difícil de resistir. Tentei ignorar, sabe? Tentei mesmo. Tentei passar batido aos olhares, às palavras, às lembranças das coisas que gostaríamos de ter vivido juntos, às juras não trocadas. Mas foi difícil demais escapar ilesa àquele olhar. Ele me olha com olhos de vontade... Sempre me olhou assim, desde adolescentes, quando nos conhecemos. Éramos jovens demais e por uma coisa ou outra tudo nunca passou da intensa, maravilhosa e platônica paixão. Mútua. Curioso, né? Nos cruzávamos quase que diariamente pelos corredores da universidade, éramos apaixonados um pelo outro mas nunca dissemos uma palavra sobre isso um para o outro. Nunca, até agora. O agora, esse tempo maravilhoso, no qual muito já foi dito (e ainda há muito a ser dito). Estou, por assim dizer, à beira do precipício. Prestes a escolher se trago para o presente essa história ou se a deixo, ainda mais poética, para sempre no meu imaginário. Só que com mais tempero. O tempero da reciprocidade. Como escapar da paixão? Ela, sempre ela, a paixão. A paixão, li em algum lugar, tem o sono leve. E tem mesmo. Precisou de pouco pra acordar. Precisou, apenas, de um olhar. 

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