quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Não era gorda. Era pesada.

Fabiana Karla. A melhor coisa de "Gorda"
Engraçado como as coisas são. No último domingo fui ao teatro, feliz e contente, assistir Fabiana Karla na peça “Gorda”. Eu tinha certeza absoluta que seria um programa com gargalhadas garantidas. Instiguei a galera pra ir, divulguei a oferta do peixe urbano (52% de desconto), enfim... me organizei toda para passar uma noite divertida entre amigos e boas risadas. "Gorda" prometia ser um programa leve. Mas não foi. Fazendo jus ao "gorda" o programa foi extremamente pesado. Começou bem, sabe? Com ela, Fabiana Karla, no processo de conquista com o mocinho da trama. Ele, que à primeira vista não gostou dela simplesmente pelo que viu, se encanta pela personalidade cativante da moça e confirma a máxima de que o que vale mesmo é a beleza interior. Baseada no primeiro ato achei mesmo que a peça prometia. Elenco bom, cenário bom, trilha sonora boa. Mas o que veio depois foi chocante. Diálogos e mais diálogos altamente preconceituosos e o pior: nada para reverter o preconceito. Chamar pessoas gordas de hipopótamos, afirmar que gordos deviam se relacionar com a sua própria 'espécie' e vários outros comentários degradantes. O mais chocante: a plateia se divertia com tudo isso. Tinha uma loura de farmácia ao meu lado que guinchava como uma hiena enlouquecida. Eu olhava pra ela rindo de se acabar e pensava que se gordura é uma coisa tão engraçada assim ela deve ter um colapso diante de uma picanha. Fala sério... E o final, então... Ela, que antes era feliz e segura de si, diz pra o cara que muda, se ele quiser. E ele, mesmo amando-a, diz que não vai conseguir continuar a relação por conta da aparência dela. Vence, magistralmente, o preconceito. Saí de lá tão decepcionada, não apenas com a peça, mas com o comportamento preconceituoso das pessoas, que declinei do programa gastronômico pós-teatro. Fui pra casa pensando como as pessoas são pequenas. Não que a aparência não seja importante. Eu, gastroplastizada, sou a primeira a achar que aparência é importante sim. Mas julgar os outros só por esse critério é realmente muita pequenez. Mas isso realmente deve ter sido sempre assim, sabe? Tá lá, no velho testamento, em 1 Samuel 16:7: "o homem vê a aparência, porém Deus, o coração". E Deus perdoa. Até mesmo o preconceito. Amém.  

2 comentários:

  1. Mago, mas indignado.3 de setembro de 2010 12:10

    Compartilho da sua avaliação.

    Faço ainda dois comentários aos seus (“Elenco bom, cenário bom, trilha sonora boa”):

    1) Em que pese a trilha, o som em geral deixou muito a desejar, chegando a comprometer alguns trechos
    2) O elenco merece que seja feita uma menção honrosa às “qualidades” da personagem “Juana” (Rrss...). Muito boa (interpretação).

    A peça faz também citações infelizes e pejorativas às pessoas com necessidades especiais (cegos, deficientes físicos, etc...) só “pra não perder a piada”, quando deveriam ter elaborado piadas mais inteligentes e sem esse tipo de ofensa.

    Acho que a atriz principal arranhou um pouco do seu imenso carisma com o público em geral.

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  2. Acho que a luta com a balança,na maioria das vezes,acontece não por questão de saúde,mas de preconceito. O preconceito de uma sociedade em que o bonito é o magérrimo,não o que tem saúde ou o corpo bonito,com formas arredondadas. Mas o magro,esquelético. Sempre lutei com isso também e sei como é difícil manter o peso ideal. Porém,acho que o peso ideal deve ser aquele que te deixa saudável, não que a sociedade quer que vc tenha. O acompanhamento de um nutricionista ajuda muito,pois a questão saúde é priorizada,não descartando a questão beleza. Porém priorizando o que é mais importante. Não liguemos para o preconceito,precisamos aprender a nos amar mais. E nisso eu me incluo. Mas para cuidar melhor da saúde,vou deixar uma dica para ajudar na busca por um nutricionista.

    http://bit.ly/9qvviX

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