quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quando o passado bate à nossa porta

É incrível – mesmo – como as coisas são. Há anos e anos, lá pelos idos de 92, conheci, na faculdade, um menino muito interessante e me apaixonei de cara. Ele era o engajado, sabe? Da diretoria do DCE, gatinho, popular... Caí de quatro por ele. E ele, muito embora nunca tenha chegado muito perto, sempre me dava muitas e muitas encaradas. Pois é. Não é que agora, 18 anos depois, eu reencontro a figura? Vocês não têm ideia dos pulos que o meu coração deu quando eu o vi. O encontro, totalmente casual, foi num ambiente de trabalho. Alguns dias depois eis que o encontro novamente e ele entrou numa vibe de falar do passado. “Nossa, nos conhecemos há tempos, o que você fez da vida, por onde você andou que eu nunca soube de você e et cetera”. Aí saí com essa: “bom, já que estamos nessa de nostalgia vou te confessar que era muito afim de você naquela época”. A cara dele foi de surpresa total! Mas surpresa mesmo foi a minha quando ele disse que também era afim de mim. Ah, gente... pense como isso mexeu comigo! Sabe aquela saudade do que não se viveu? Pois é. Mais ou menos por aí. Abri meu baú (literalmente) e tirei dele velhas agendas, com colagens e declarações de uma adolescente apaixonada. Fotos dele estampadas com corações cuidadosamente desenhados, entre setinhas e exclamações de ‘gato’ e ‘fofo’. Ah, o tempo... quantas surpresas ele nos traz. Agora estou aqui, pensando se deixo as coisas se perderem novamente no tempo ou se corro atrás do tempo perdido. Mas sempre ele, o tempo, aparece como protagonista dessa história. Ele – o gatinho – falou que não deveríamos mais deixar o tempo à deriva. Mas eu ainda não sei. Talvez deixar o tempo ao sabor do vento seja melhor do que tentar controlá-lo. Será? E se daqui a mais 18 anos eu encontrá-lo novamente, dessa vez num cruzeiro de idosos, e for tarde demais? Ai, ai, ai... a única coisa que eu sei é que o tempo passa mas eu continuo, cada vez mais, sem saber o que fazer...

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